Fratura por estresse: um alerta aos atletas

Fratura por estresse. As atividades repetitivas representam fator de risco

Uma fratura por estresse ocorre quando um osso quebra após ser submetido a repetidos esforços de tração ou compressão, que ultrapassam a capacidade do osso em tolerar a carga submetida.

A fratura por estresse pode ser dividida como de alto risco, que são aquelas com maior chance de deslocamento, menor ossificação (cicatrização) e maior propagação da fratura e baixo risco, que são as que  apresentam melhor prognóstico e menor tempo de recuperação.

Os locais de alto risco para fraturas por estresse incluem a coluna lombar,  fêmur, patela, porção anterior da tíbia, maléolo medial da tíbia (proeminências ósseas que existem nos ossos da perna), ossos do pé (tálus, navicular). Os locais de baixo risco incluem do segundo ao quarto metatarsiano (ossos do pé) maléolo lateral (proeminência óssea que existe na parte lateral da perna), costelas e sacro.

Os fatores de risco importantes para fraturas por estresse incluem histórico de fratura por estresse anterior, baixo nível de aptidão física, aumento súbito no volume e intensidade da atividade física, sexo feminino e irregularidade menstrual, dieta pobre em cálcio e vitamina D, baixa densidade óssea mineral, alimentação desordenada e biomecânica deficiente.

A fratura de estresse é comum no futebol

O diagnóstico precoce das fraturas por estresse é essencial para evitar complicações.  Na maioria dos casos, a história e o exame físico fornecem informações suficientes para diagnosticar e tratar fraturas por estresse de baixo risco sem exames de imagem. Contudo, algumas vezes a imagem radiográfica é necessária, principalmente quando há suspeita de fraturas por estresse de alto risco ou um diagnóstico definitivo é necessário.

As radiografias simples devem ser obtidas inicialmente e são úteis quando positivas devido à sua alta especificidade. A ressonância magnética (RM) é recomendada se as radiografias simples forem negativas, mas a suspeita clínica permanece alta e existe a necessidade de um diagnóstico definitivo para planejamento de recuperação.

Fratura por estresse pode ser grave

Muitos pacientes com fraturas por estresse descrevem o início insidioso de uma dor localizada que dura dias a semanas após o início de uma atividade física extenuante.  O exame geralmente revela sensibilidade e dor  focal no local da fratura. Pode também, ocorrer vermelhidão e edema.

O diagnóstico diferencial para fratura por estresse inclui tendinopatia, contratura muscular, entorse articular, compressão de nervo, síndrome compartimental de esforço, tumores  e infecção.

As fraturas por estresse em locais de baixo risco são tratadas de forma conservadora com repouso manejo de carga e fisioterapia adjuvante, controle da dor aguda conforme necessário, usando gelo e analgésicos. Podem ser necessários muletas para redução de carga, proteção do local da fratura com talas e imobilizadores por algumas semanas.

Pode ser necessário o uso de muletas e imobilização

A fraturas de alto risco costumam levar vários meses para cicatrizar, demandando mais cuidado e fisioterapia a longo prazo. Eventualmente, apenas com tratamento cirúrgico é possível a  recuperação neste tipo de lesão.

Os outros passos do tratamento envolvem: redução  ou modificação de atividades de modo que a dor não esteja presente, retomada  gradual das atividades, exercício  de reabilitação para promover a biomecânica ideal, redução do fator de risco conforme indicado.

É importante a preservação da capacidade cardiovascular, adaptando exercícios que não sobrecarreguem a região fraturada. Raramente o atleta fica parado sem nenhuma atividade. Atividades em água muitas vezes são bem vindas, a bicicleta ergométrica também pode ser uma opção para manter condicionamento a depender do tipo e local de fratura.

Dependendo do local de fratura, natação pode ser uma opção para manter o condicionamento

A nutrição  assume importante papel na recuperação e cicatrização da fratura. A alimentação deve contemplar adequada ingestão de  cálcio, vitamina D, magnésio, zinco e outros elementos envolvidos na cicatrização. O adequado aporte proteico também deve ser buscado. A suplementação sempre deve ser considerada e a reposição hormonal pode ser uma estratégia em casos específicos.

A consulta e acompanhamento ortopédico é fundamental, principalmente para pacientes com fraturas em locais de alto risco ou atletas de alto nível cuja subsistência dependa de um retorno apropriado e seguro.

A maioria dos pacientes apresentam ótima recuperação.

Medidas  de prevenção devem ser tomadas principalmente no grupo de pessoas que apresentam maior suscetibilidade:

  • Alertar o atleta sobre o treinamento  adequado.  Orientar  o aumento  da carga  em etapas progressivas e incrementais.  Um sugestão seria 10% de aumento em volume ou intensidade por semana.
  • Encorajar uma dieta bem balanceada (incluindo cálcio e vitamina D adequados), treinamento de força e flexibilidade muscular e exercícios regulares de levantamento de peso em todos os atletas, particularmente aqueles em risco de osteoporose.
  • Avaliar as  jovens atletas quanto a irregularidades menstruais e sinais e sintomas de transtornos alimentares, e fornecer tratamento adequado para prevenir a tríade de atletas feminina (amenorreia, osteoporose e distúrbios alimentares).

Por fim, a fratura por estresse é uma realidade comum na rotina dos atletas e deve ter a devida atenção e tratamento especializado para não repercutir em sequela e perda permanente de performance.

Bom treino!

Dr Bruno Sthefan Médico do Esporte

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