
Dorival Jr. de taça na mão, só espera trocá-la pela cadeira da Tite, depois da Copa, Pelo menos, tem sido o nome mais cogitado por aí.
Por conta da discrição e competência, parece-me o nome mais indicado nessas circunstâncias.
Nem como jogador, embora atuando num timaço do Palmeiras, nem como treinador, Dorival Jr. foi um nome muito badalado. Como jogador, era um volante correto, bom marcador de passe óbvio mas preciso; como treinador, idem com batatas.
Mas, será que a Seleção carece de um técnico mais inventivo, desses cuja maior ambição é deixar sua marca na testa do Brasil de chuteiras?
Repasso, então, os nomes dos que nos trouxeram o penta.
Feola era a bonomia em pessoa, o eterno interino do São Paulo nos anos 40/50, que assumiu o time em 58 por ser de absoluta confiança do Dr. Paulo Machado de Carvalho, o chefão da parada. Inspirado na passagem do húngaro Bella Guttman por seu clube, adotou um esquema simples, baseado no conceito objetivo apelidado de Pim-Pam-Pum ou Ta-ta-ta. Isto é: três toques, gol.
Na Copa seguinte, em 62, com Feola trabalhando na Itália, Aimoré Moreira assumiu nossa Seleção, com fama de treinador cheio de novidades. Mas, logo foi enquadrado pelos craques mais veteranos, como Didi, Nilton Santos, Gilmar e cia. bela, e deixou-se ficar no banco torcendo pra que tudo terminasse bem. Terminou.
Em 70, o jovem Zagallo assumiu o posto do criativo e destemperado João Saldanha, com uma ideia fixa: o ponta-esquerda recuado. como ele fora quando jogador. Paulo César Caju era seu preferido. Mas, depois do jogo de despedida do Brasil contra a Áustria, teve de sucumbir à pressão nacional para escalar o meia Rivellino por ali.
Catorze anos depois, nos EUA, foi a vez do ex-preparador-físico da Seleção, Parreira, secretariado por Zagallo, levantar o caneco com um time mais cauteloso na defesa comandada pelo volante Dunga, já que Raí, o craque, havia falhado nesse aspecto.
Parreira, bem-falante, com ares de científicos conhecimentos, levou o time à taça pelo caminho do lugar-comum.
E, Felipão, em 2002? Gauchão, amante de uma sólida retranca, por pouco não levou o Brasil à única desclassificação da Copa na história. Mas, levou, com retranca e tudo, e venceu, graças aos meias e atacantes como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Rivaldo.
O fato é que, seja qual for o perfil do treinador, seus conceitos, crenças ou teimosias, quem joga é o jogador, como diria o saudoso Chico Anísio. E, no fim das contas, é o talento dele que acaba enquadrando o técnico mais relutante.
O Chico Anísio (que o Senhor o tenha lá contando piadas e alegrando os céus) você relembrou bem. Quem joga é o jogador. O problema porém foi sempre o acerto na escalação. Me lembro da Copa de 1966 (onde o Brasil tomou porradas, inclusive de Portugal) em que por não saberem quem convocar, acabaram levando um avião com uma comitiva de (me corrija se não foi) de 45 pré-convocados e mais 150 cartolas inúteis que só abriam a boca para interferir em tudo.
Pois bem, aqueles dias me parecem terem acabado, mas a convocação continua difícil. O Tite não vai conseguir chamar o time ideal porque a pressão das fornecedoras de material e dos financiadores da orgia, continua a mesma de antigamente. A CBF vai continuar pressionando a comissão técnica para isto ou para aquilo, e no final fica ralo o mingau.
Este é o drama da humanidade tupiniquim.
Abraços, MEMIL
“O técnico não é o único responsável pelas vitórias do time, mas com certeza é o principal responsável pelas derrotas!!
Felipe Mello