Torcer ou distorcer, eis a questão

Pela própria natureza, o torcedor, sobretudo o do futebol, torce e distorce os fatos movido pela paixão. A razão dá-se a quem tem, como dizia o verso do velho samba. Mas, neste caso, não há racionalidade alguma, apenas emoção expressa nas vaias ou aplausos.

Peguemos como exemplo o comportamento das torcidas pelo Brasil no jogo contra o Uruguai e as do São Paulo, no confronto com o Ceará, na noite desta quinta-feira.

Em Manaus, os jogadores brasileiros foram recebidos com flores, abraços e caloroso incentivo da galera no estádio.

Resultado: goleada brasileira sobre o antigo rival, fruto de uma performance refinada da nossa Seleção, algo raro nos últimos tempos em que se obtinha o resultado de forma cinzenta, apagada.

E quem mais revelou os efeitos desse acolhimento foi Neymar, que vinha se arrastando – tanto na Seleção como no PSG – sob o peso das tantas pedras recebidas feito uma Geni da vida.

Justamente Neymar, que na sua última entrevista havia exarado um tom deprimido sobre seu futuro na Seleção.

De repente, o craque criou asas, deu um show de técnica e dedicação, quando menos dele se esperava na véspera.

Claro que esse renascimento se deu, sobretudo, pela companhia de Raphinha, jogador de sua estirpe, driblador, incisivo, destemido e dono de um jogo que busca a simbiose do espetáculo com a eficácia.

Sem falar na, finalmente, decisão de Tite em desatar as amarras defensivas do time.

Porém, a grande mudança de comportamento de Neymar, sem dúvida, foi incentivada pelo comportameto amigável da torcida.

Foto: Rubens Chiri/SPFC

Agora, mudemos o foco da Seleção para o São Paulo que, na reestreia de Rogério Ceni, seu maior ídolo, como jogador, nos últimos trinta anos, na condição de treinador.

A torcida organizada Independente, já na véspera, havia emitida uma nota contra a troca de Crespo por Rogério. E, durante o jogo com o Ceará, passou o tempo todo gritando o nome de Crespo.

Tudo bem, se o Tricolor, sob o comando de Crespo, viiesse esmerilhando em campo, e o time de Rogério fosse um lixo técnico diante do Ceará.

Deu-se, porém, o oposto. Só acumulava dissabores com Crespo no Brasileirão, e, de repente, transformou-se, de um dia para o outro, da água pro vinho, com Rogério, apesar do placar decepcionante.

Aí, pois, estão expostos dois exemplos conflitantes. Resta ao torcedor em geral escolher o que lhe é mais conveniente: animar sua equipe com aplausos e carinho, ou simplesmente boicotá-lo com vaias injustificáveis.

 

Um comentário

  1. HÁ UM SAPO ENTERRADO NO MORUMBI ?
    Como deve recordar o caro Helena, uma das lendas que rolou na decada de setenta para explicar o fato do Corinthians ficar tanto tempo sem títulos, e que poucos devem conhecer, foi a de um sapo enterrado no Parque São Jorge.Na época, para procura-lo, foi trazido do Recife, em 1973, até um pai-de-santo, o pai-Jaú. Ao sair do estádio, como não encontrou nada, comentou: “Esse local está cheio de maus espíritos”.
    Agora, no São Paulo, também há que se encontrar o motivo de tanta “urucubaca” envolvendo o clube!
    Quando tinha o Aguirre como técnico, o tricolor ganhava tudo e foi campeão do primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2018. Depois o time não conseguia ganhar mais nenhum jogo. Com o Diniz, ficou a 7 pontos na frente no Campeonato Brasileiro de 2020. Depois o time não conseguia ganhar mais jogo nenhum. Já com o Crespo fazia os gols, ganhava os jogos, foi campeão Paulista, maior sensação. Hoje não está conseguindo ganhar mais nenhum jogo. Quem é o Culpado? O Diretor? O Presidente? O Técnico? Os jogadores? Antes a culpa era do Leco, do Raí, do Pássaro, do Diniz. E hoje, a culpa é do Júlio Casares, do Muricy , do Crespo, ou da nova “vítima”, o Ceni? Ou talvez haja um sapo enterrado no Cícero Pompeu de Toledo? Vai saber…VADE RETRO SATANÁS ! kkkkk

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