No placar, somos os maiorais

Foto: Claudio Reyes/AFP

Líder absoluto, cem por cento de aproveitamento, melhor ataque, defesa menos vazada, sétima vitória consecutiva em disputas das Eliminatórias, um recorde histórico, que dizer, então, desse Brasil de Tite?

E olhe que, em meio à pandemia, sem poder contar com jogadores que atuam na Inglaterra (cerca de nove dos comumente chamados por Tite), nossa Seleção foi a Santiago e venceu o Chile por 1 a 0, gol de Everton Ribeiro colhendo rebote do goleiro Bravo em disparo de Neymar, cara a cara, aos 19 minutos do segundo tempo.

Bem, pode-se dizer que, apesar do louvor das estatísticas ao técnico brasileiro e seus bravos combatentes, faz um bom tempo que os resultados não refletem o desempenho da equipe.

Nesta noite de quinta, por exemplo, fomos dominados a maior parte do tempo pelos chilenos, que só não chegaram ao seu gol por conta da eficiente retranca brasileira e da fragilidade de seu ataque.

Ao longo de toda a partida, o Brasil não conseguiu coordenar uma ação ofensiva sequer nascida da posse de bola, do passe bem executado, do drible desconcertante, do petardo disparado de fora da área, essas coisas, enfim, que constituem, em conjunto, um bom desempenho.

Claro, há que se descontar a falta de entrosamento provocado pelas tantas alterações forçadas da equipe, além das atuações pífias de craques fundamentais, como Neymar, claramente fora de forma física e até psicológica.

Há, porém, que se ressaltar a superioridade evidente do futebol brasileiro em relação aos demais sul-americanos, com exceção clara da Argentina, que retirou a Copa América de nossa mesa posta ainda outro dia. Prova adicional disso, a presença de três brasileiros nas semifinais da Libertadores contra apenas um de fora.

Mas, enfim, pra imensa maioria, vale o que está escrito no placar e nos números nestes tempos de robotização geral.

 

 

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