Tite, na mesma toada

Foto: Lucas Figueiredo-CBF/Divulgação

Quem esperava que Tite pudesse mudar o braço da viola pode ir tirando o cavalinho da chuva negra que, dizem, se aproxima para deixar a boiada passar, como deseja o ministro desambientado no chamado mundo civilizado.

Saiu a convocação do Brasil para as disputas das Eliminatórias da Copa do Mundo e meu querido Tite segue na mesma toada: quatro volantes e apenas dois meias para organizar um time que, pelo jeito, mais uma vez, vai depender dos humores de Neymar lá na frente, onde não estarão nem Gabigol, artilheiro dos dois últimos Brasileirão, atacante versátil e lépido, e Bruno Henrique, um aríete na espetacular campanha do Flamengo da temporada passada.

Mas, como já ficou claro na última Copa e nos mais recentes amistosos, o fulcro da questão está na formação do meio de campo, o centro nervoso da equipe, aquele que dá ritmo ao jogo e desbrava as defesas inimigas com passes exatos quando não inesperados.

Pois, se o mundo se deslumbrou com o Bayern ainda outro dia, jogando com apenas um volante, no Brasil, foi escancarada a dependência da jornada vitoriosa de Jorge Jesus no Fla de Gérson, um raríssimo meia-armador de fato e de direito, por vocação e estilo, com apenas Arão como volante.

Pois, no lugar de Gérson, na Seleção, teremos um desses tantos volantes mascarados de meias por nossos técnicos e comentaristas , sob o argumento de que sabe sair pro jogo. O tal segundo volante. Saber sair pro jogo é o mínimo que se exige de qualquer jogador, inclusive os beques. Armar o jogo é que são elas. E Gerson, apesar da pouca idade, já demonstrou ser um mestre nessa arte rara no nosso futebol.

Então, o amigo espeta os olhos nos escassos dois meias de ofício chamados por Tite: Coutinho e Everton Ribeiro. E seus olhos esbugalham.

Ora, ora, Coutinho já provou que não é, nem nunca foi meia-armador de fato. É um meia-atacante, que ocupa o lado esquerdo do ataque e fecha pra disparar tiros certeiros de direita.

Everton Ribeiro, sim, é um meia articulador de jogadas que também se aproxima da área adversária. Mas, é do tipo fluido, que gosta de carregar a bola com habilidade e tal e cousa e lousa e maripousa. Um complemento perfeito para Gérson no Fla de JJ.

O que nos dá confiança na classificação para a Copa é, antes de tudo, a tradição de que nunca ficamos de fora em toda a história dos Mundiais. Sucede que, nos últimos anos, o futebol ganhou corpo em países que não passavam de sacos de pancadas dos grandes da América do Sul, como Venezuela, Equador, Colômbia e Bolívia, por exemplo. Assim, o jogo endurece.

Afinal, a tradição não se restringe aos números. Mas, sobretudo, aos fatos gerados pela competência na maior parte de sua existência. É o passado apontando para o futuro, se bem traduzida. Caso contrário…

 

 

Um comentário

  1. Helena, falando de campeonato nacional, fiquei sabendo agora à pouco que a prefeitura do Rio de Janeiro liberará, a partir do mês que vem no maracanã, um terço do público, por volta de vinte mil espectadores. Na minha opinião não deveria ocorrer, primeiro porque a pandemia está aí e não tem vacina, e segundo, falando da parte esportiva, é desleal. E os outros Estados e cidades que não podem ter público? Como é que fica? Isso é desigual. A CBF não deveria permitir por questão de igualdade para todos. Pra mim é absurdo, tanto para a saúde quanto para a parte de igualdade esportiva.

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