Um dia de Fúria

Foto: JOSE JORDAN/AFP

Fosse um daqueles amistosos que costumavam preencher as datas Fifa na Europa e a goleada da Espanha, de campanha tão pífia na Copa do Mundo, por 6 a 0, sobre a Croácia, vice-campeã mundial, poderia ser encarada como algo inusitado mas desimportante. Porém, era jogo valendo taça, meu!, a taça da Liga das Nações, em boa hora criada pela Uefa pra dar tempero a este interregno entre a Eurocopa e o Mundial.

O fato é que, agora sob nova direção, a de Luís Enrique, La Fúria simplesmente massacrou no placar e na bola a Croácia de Modric, eleito o melhor jogador do mundo na temporada.

Bem que os croatas começaram criando duas boas chances pra abrir a contagem, mas logo tomaram de enfiada três gols, dois, magníficos, do garoto Asensio, o dono do jogo, e simplesmente arriaram em campo. Não sei se sob os eflúvios das festas sucessivas pela bela campanha na Copa ou se apenas abatidos emocionalmente pelo jogo bem tramado do adversário.

E que jogo é esse? Ora, ora, o que há de mais moderno, atual, contemporâneo, presente, escolha o amigo o termo que quiser para contrapor àquilo que se vê por aqui, batizado pelos nossos bravos técnicos e comentaristas de espelho da modernidade.

Com apenas um volante de ofício, Busquets, duro na marcação mas de refinada técnica no passe, dois meias habilidosos (Ceballos e Saul) e três atacantes (Asensio, Rodrigo e Isco) móveis e talentosos, a Espanha poderia ter feito muito mais do que esses 6 a 0 finais.

Placar que me remete, por sinal, à goleada idêntica da Suíça  sobre a Islândia, sábado.

Claro, a Islândia, apesar de proezas recentes, nem de longe pode ser comparada à Croácia, herdeira da Escola Danúbio da antiga Iugoslávia, quando seus jogadores eram chamados de os brasileiros da Europa, graças à extrema habilidade no trato com a bola.

Mas, o que conta aqui é outra história, a dos suíços que passaram a vida atados ao enferrujado Ferrolho de Rapan e cia., longo período durante o qual se vencesse essa mesma Islândia por 1 a 0 celebraria por todos os Cantões como uma goleada.

Liberta dos grilhões do passado (nosso presente, diga-se), partiu pra cima do adversário, construindo a goleada na base da troca de bola ciente e dos dribles e passes de Shaquiri, sua maior estrela. Isso é que importa, embora não seja o suficiente pra fazer da Suíça uma força mundial, longe disso. Mas, já é um avanço em direção à tal modernidade.

Resta, então, a pergunta: e nós, até quando ficaremos atados a esse ramerrão desgastado pelo tempo e pela impaciência dos amantes do verdadeiros amantes do futebol?

 

 

 

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