França, a melhor

Foto: Christophe Simon/AFP

Era jogo pra ter sido a final da Copa do Mundo da Rússia. Pois, França e Bélgica foram os times que praticaram o futebol mais interessante de todo o torneio.

Passou a França, com aquele gol de cabeça de Umtiti, ao 5 minutos do segundo tempo, em cobrança de corner. Com justiça, a França que dispõe do melhor e mais seleto elenco do mundo atual. Basta ver a lista do banco francês nesse jogo e imaginar que nem lá estão o volante Rabiot e o atacante Lacazette, que poderia fazer o pendant, como me ensina meu professor particular de francês, M. Courtadon, com Giroud, uma perfeita inutilidade neste jogo.

Mas, Deschamps, o Dunga deles lá, preferiu mesmo entupir seu meio de campo com volantes quando a Bélgica, nos minutos finais encetou aquela blitz que obrigou Lloris a fazer duas defesas difíceis. Contudo, a chance mais clara nesse período foi criada por Mbappé servindo de bandeja a Pavard para grande defesa do goleiro.

Sucede que a Bélgica, no início da partida, dominou a bola e os espaços, sob o comando de De Bruyne. Hazard esteve a pique de abrir o placar por duas vezes e  o beque Alderweird, num giro dentro da área, obrigou Lloris a praticar uma defesa providencial.

No segundo tempo, porém, a marcação cerrada de Kanté sobre De Bruyne cortou as linhas de comunicação entre meio-campo e ataque, o que permitiu aos bleus controlar o jogo e criar situações embaraçosas para o adversário, como aquele lance em que Mbappé, de calcanhar, deixou Giroud na cara do gol, em vão.

E assim foi até que o técnico Roberto Martinez, adepto de alterações inusitadas, resolveu sacar Dembélé que havia entrado sem nenhuma razão no time, e recolocar em campo Mertens, que deu três cruzamentos seguidos. No terceiro, Fellaini quase empata de cabeça.

E, só no finalzinho da partida, a França poderia ter ampliado com Griezmann e, em seguida, Tolisso, em duas intervenções prodigiosas de Courtois que sai da Copa com o troféu de melhor goleiro da competição, imagino.

Assim, essa França que, apesar de não executar um futebol na plenitude de suas possibilidades técnicas, dificilmente deixará escapar o título diante de Croácia ou Inglaterra, que se pegam nesta quarta-feira.

NA LINHA DO GO

Era pedra cantada essa ida de Cristiano Ronaldo para a Juve, que se prepara para eternizar-se na liderança do futebol italiano. E o momento era exatamente esse, em que Ronaldo enxugou seu futebol de tal forma que se transformou num autêntico artilheiro a la italiana. Não o seria quando jogava pelo Manchester United, quando ganhou seu primeiro troféu de melhor do mundo, graças à suas investidas velozes e cheias de dribles pela direita. Hoje, CR7 é sinônimo de gol, de cabeça, de esquerda, de direita, de falta, com a bola rolando, de qualquer jeito. É o que os italianos veneram. Já o Real, cuja máxima – no hay que ganar, hay que desfrutar – busca um substituto que o faça desfrutar de algo mais do que gols: Neymar ou Hazard, dois dribladores eméritos, como o era o jovem Cristiano Ronaldo. 

 

4 comentários

  1. E espia o velhote , ainda ficou de fora bons nomes Ribery, Benzema, Martial e Coman. Os bleus realmente tem um plantel luxuoso digno de admiração, especialmente o moleque Mbappe, a nova pérola da França.

    PS: falta um “l” no gol.

  2. Caro Alberto, você esqueceu de mencionar que foi um gol com jogada ensaiada de bola parada. O Tite não sabe o que é isso, não sabe montar uma única jogada ensaiada com um time com alguns jogadores que poderiam aprender com facilidade, o Felipão sempre teve as suas jogadas ensaiadas que funcionavam quando necessário.
    Não podemos esquecer o espião na barreira do Rivelino e outras jogadas que outras seleções produziram não estamos esperando que alguém faça alguma coisa que não saiba. Acredito que o nosso grande sucesso no futebol do passado veio do preconceito, os jogadores negros não podiam encostar nos jogadores branco que o arbitro marcava falta, usando a criatividade inventaram os dribles do passado soma-se a isso a capoeira, o samba e dai saiu o ginga, o jogo de corpo, as mais magistrais jogadas do passado. Hoje ninguém vai aprender a driblar dançando as musicas atuais, isso não é saudosismo, mas sim história de nosso futebol.

  3. Alberto Helena Jr.

    Foi “transmimento de pensação” Alberto você tirou as palavras da minha boca, está foi a final antecipada da Copa do Mundo, França e Bélgica apresentaram o futebol mais consistente e consciente durante o torneio e fizeram uma semi final de encher os olhos, táticamente os franceses se sairam melhor em jogo decidido por uma bola parada com o mais improvável dos goleadores ou seja o becão Umtiti, que subiu uns três metros e meteu a cabeça na bola com vontade estufando as redes do atônito goleiro belga. França campeã, Croacia ou Inglaterra não tem time para enfrentá-los mais como futebol é uma caixinha de surpresas, como falava já o meu tataravô, vamos aguardar até o final né. Saudações palmeirenses.

  4. Vou torcer para uma final França x Inglaterra. Paris e Londres ficarão em chamas. Um jogo épico que trará de volta à memória as grandes disputas entre aquelas duas grandes nações separados pelo canal da mancha. Já imaginaram durante os hinos dos dois países? A Marselhesa de um lado e God Save the Queen do outro? Imperdível. Só espero mesmo que Modric não ponha tudo a perder.

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