Permita-me o amigo dar um pulinho naquela praia cheia de sons que frequentei por muitos anos antes de adentrar os gramados do futebol. Na verdade, de início subia os morros cariocas, então idílicos, se comparados aos de hoje, antes de baixar à praia de Copacabana onde o eco do violão sincopado de João Gilberto, com sua voz mansa, inundasse o mundo nos versos do Poetinha e na melodia de Tom Jobim – Chega de Saudade, marco inicial da Bossa Nova, que hoje está celebrando seus 60 anos de vida.
Aquilo foi uma revolução na música brasileira da época, dominada então pelo que Ary Barroso chamava de sambolero ou sambalada, um vale de lágrimas e de mau gosto, com as exceções de praxe.
E surgiu no embalo de um surto de conquistas do Brasil em várias áreas da atividade humana: Brasília de Niemeyer; a poesia concreta dos irmãos Campos e meu querido e saudoso amigo Décio Pignattari; Di Cavalcanti nas artes visuais; Ademar Ferreira da Silva, no salto triplo; o basquete de Amaurí e Vlamir; Maria Ester Bueno, no tênis; Eder Jofre; e, finalmente, o Brasil de Didi, Garrincha e Pelé, como exaltava o frevo na voz de Jackson do Pandeiro, comemorando a primeira conquista mundial do nosso futebol na Suécia.
Tudo se interligava em busca da excelência. O resultado era apenas consequência natural dessa procura.
É justamente o oposto o que nos revela o Brasil de hoje: o resultado é tudo que interessa. e, para alcançá-lo, dane-se a excelência. O negócio é achar o atalho certo pra se chegar ao trono do resultado, a qualquer custo.
O país que criou e desenvolveu a maior variedade de gêneros musicais da história da humanidade, resume-se a ouvir e tocar rock, hip-hop, ritmos importados do Império, e, no máximo, um sertanejo falsificado ali, um axé ali, ou um samba em tom de balada que a turma chama de pagode.
Nosso artista plástico é um fazedor de retratos de ricaças; nosso escritor mais afamado é um andante nos caminhos superficiais do esoterismo, sem falar na enxurrada de livros sobre autoajuda, única leitura do brasileiro médio.
E o nosso futebol, que abdicou de vez da excelência técnica, do gosto pelo espetáculo, da arte de jogar bola, bossa nossa, muito nossa, parodiando o gênio Noel, segue no estéril caminho do atalho atrás do resultado que não vem.
E nada no horizonte nos faz supor que mudará de rumo.
Chega de saudade, embora o caminho pra redenção seja exatamente o que nos levaria a retomar nossas origens, as mesmas que se expressam lá nos principais centros europeus, numa troca sinistra, em que eles levaram o que nós tínhamos de mais precioso, e nós importamos o lixo deles.

É o que Flamengo esta fazendo, por exemplo, trazendo esse tal de Babel, em vez de repatriar o Giulano!!!
Todo time que quer ser campeão precisa mesclar experiência e juventude Zé Mané.
Se o seu time está falido e não consegue contratar,pare de dar pitaco.
Fiz um curso para técnico de futebol na FPF, não me lembro quando, neste curso uma Senhora acredito eu ser psicologa disse o seguinte: Até a adolescência não devemos ensinar táticas, pois inibe a criatividade do jovem.
O que mais vi nas escolinhas de futebol aqui e nos EUA foi exatamente o contrario, criança não jogam pra ganhar como os adultos. Crianças jogam pra se socializar e divertir-se o placar do jogo pouco importa a eles, é nesta idade que a criatividade é inibida com tácticas absurdas e treinadores desesperados para ganhar e subir de categoria, eles fazem de tudo menos ensinar alguma coisa a essas crianças. Sobem de categoria já robotizados com as tácticas e seguem cometendo os mesmos erros a vida inteira. Qualquer coisa que for uma habilidade pode ser aprimorado, ninguém nasce sabendo. Quando eu era garoto de cem vc tirava um craque, hoje vc precisa de mil pra tirar um meia boca. pois não aprendem nada com seus técnicos além de táctica. Criou-se a lenda que futebol não se ensina para ensinar é necessário vc saber fazer, ter ideia de como funciona a mecânica de cada movimento, entender que existe o efeito Magnus, que quando a bola é chutada com violência produz um buraco temporário na bola e ela vai girar excentricamente promovendo um traçado muito diferente que quando ela gira egocentricamente. Nem os jogadores que sabiam fazer estás coisas sabem ensinar, pois a arte de ensinar requer estudos, conhecimento de física, e outros. Na vida quando vc se propõe a fazer alguma coisa ninguém pode te deter. A mecânica da folha seca é extremamente difícil de executar, primeiro é necessário que o vento esteja contra o batedor, segundo o batedor tem de fazer a bola rolar no sentido anti-horário, quando ela para cai como uma folha seca. Posso descrever como se executa qualquer tipo de jogada e ensinar como se faz. Naturalmente se o jogador não tiver habilidade não vai aprender e para que eu possa saber se ele tem habilidade para cada fundamento tudo que eu preciso é de cinco minutos e não adianta ficar tentando não funciona. Simples assim. Táctica não ganha jogo desenvolver os jogadores tecnicamente isso sim ganha, mas creio que estou anos luz na frente.
Dorival, perfeito o seu comentário, assim como o do digníssimo Alberto Helena Jr.
Muito obrigado Waldir Oliveira, Em todo o mundo tem-se a ideia que se vc jogou algum esporte profissional vc pode ser um treinador. Um treinador de habilidade tem de ser responsável de aprimorar as habilidades, seja elas qual forem, usando ciência e tecnologia para tal. Escrevi e propus ao Man United que a introdução de um treinador de habilidades mais o uso da tecnologia atual daria resultados fantásticos. Um tal de Mr Iam teve a pachorra de responder que via e sabia das possibilidades destas propostas (1996) até o presente momento não consegui resposta positiva a essa nova abordagem para o futebol e tampouco vi os clubes ingleses explorarem está nova abordagem. Tenho certeza que levarei meus conhecimentos para o tumulo comigo ou deixarei um livro escrito para que meus netos possam ver quanto tempo levará para essas ideias novas florecerem.
Tenho saudades de tudo que foi dito pelo Helena, incluo nesse rol uma saudade danada dos tempos em que a polícia cumpria as ordens judiciais sem pestanejar, mormente um habeas corpus, fosse lá qual o juiz o concedesse. Também sinto saudades do tempo em que juizes de primeira estância, jamais se insubordinariam contra uma decisão de um desembargador de um tribunal federal e ainda por cima estando de férias. Como diria Marco Aurélio Melo: tempos estranhos esses.
Também tenho saudades de tudo dito pelo Helena, inclusive do tempo em que desembargadores eram de carreira e não indicados politicamente. Também sinto saudades da decência da classe jurídica que jamais de aproveitaria de um plantão para um ato inescrupuloso e totalmente político.
Talvez a maior saudades de todas para mim é a saudade de sonhar com um pais melhor, ou ate mesmo sonhar que o Brasil é o país do futuro. Sonho esse que morreu nas mãos dos últimos 3 presidentes que personificaram o que mais de ruim tem na classe política brasileira…
Alberto Helena Jr.
Foi-se o tempo meu amigo do futebol brasileiro na sua essência, do improviso em drible diferente, de jogadores menos brutamontes e muito mais técnicos, de um Ademir da Ghia, de um Gerson, de um Pelé, de um Garrincha, mais recentemente de um Kaka, de um Rai, de um Socrates, temos hoje atletas jogadores e não jogadores atletas, futebol feio, burocrático, esquemas táticos que privilegiam defesa, retranca e não ataque e volupia por gols, 1 x 0 tá bom né….só que não…..saudades daquele futebol que nos dá saudades. Saudações palmeirenses.
Ademir da Guia O Divino O fino da bola. Assisti muito suas inesquecíveis apresentações jamais vi jogador com a elegância e o toque de classe iguais a ele. Hoje aplaudimos Casemiro e Fernandinho.
Prezado A. Helena. Poucas vezes li algo tão interessante e que retratasse de forma sucinta e fiel a pobreza cultural, esportiva e porque não dizer social, na qual infelizmente o nosso país está mergulhado. Parabéns pelo texto. Aliás, quando leio os seus textos lembro-me do mestre Armando Nogueira. Um abraço.
Minha opinião.
A essência do futebol arte, e o amor amarelinha os jovens hoje só pensam em Europa, cadê o amor aos grandes daqui crescem ai já era a motivação de vestir o manto.
Vai chegar o tempo que o estrangeiro vai ter mas prazer e vontade de vestir essa camisa. …
Nobre, Helena Jr., que maravilha de texto ! Obrigado. Se fosse comparado a um lance de futebol, certamente seria o gol de Messi, nesta Copa do Mundo , uma perfeição, do início a conclusão da jogada, no seu caso, da primeira a última palavra . Parabéns !
Cara Alberto Helena, parabéns por seus posts em relação à seleção brasileira e por ter tido a coragem defender Neymar, não seguindo a trilha fácil e escancarada feita pelos medíocres. Fico de queixo caído e com extremo sentimento de angústia quando vejo aquele jogador; talvez o melhor do mundo, na atualidade, ser injustamente perseguido, de forma vil e desumana.
Sou torcedor do Santos e tenho todo motivo para odiar Neymar e seu pai, pelo que fizeram ao meu amado clube, cuspindo no seio do clube que deu a eles tudo. No entanto, eu me consideraria um ser vil se aderisse a essa campanha de ódio a esse extraordinário jogador, por mera vingança.
Eu tento encontrar um motivo para tanto ódio contra ele, e não vejo. Talvez essa campanha terrível que fazem contra Neymar seja fruto da inveja, da dor-de-cotovelo e das frustrações pessoais.
Quanto a nossa seleção,desde o início eu sempre dizia que nosso maior adversário era o Tite. Afinal, levar jogadores que afundaram o Brasil em 2014, foi um erro imperdoável. Os globais diziam que Paulinho, Willian, Renato Augusto, Fernandinho e mais alguns haviam feito uma ótima eliminatória. Ora, na Copa a gente não iria enfrentar Bolívia, Peru; provavelmente, Uruguai, Argentina, Venezuela, Equador, Chile etc, os times seriam de padrão mais alto.
Eu sempre fiz uma analogia à situação de um time que ganha o acesso à primeira divisão e mantém o mesmo elenco. É o caso das eliminatórias.
Mas, e daí, não é? O mídia criou o Neymar como vilão e o povão seguiu com ela; que coisa triste.
Quanto ao Tite, é incapaz de pensar fora do quadrado.
fora tite, fora silvinho, fora edu gaspar, fora CBF, fora romario , fora bebeto , fora ronaldo gordo, fora dunga…..quer mais começe AGORA EDUCACAO ESCOLA. . PARA TODOS OS BRASILEIROS. ESQUECI FORA PELE , FORA GAVISAO BUENO.
A maior mentira da copa (mais uma): Neymar. O Neypufpuf
Maior verdade da copa: Tite. Morreu abraçado com seus dois volantes pernas de pau e seu futebolzinho de resultados. Foi advertido por milhões de torcedores incluindo quem vos fala.. Tite leva meia não levou acreditou no papo da mídia que Casemiro Paulinho, Willian e Fernandinho eram os melhores do mundo. Foi defenestrado da copa justamente logo por dois meias de uma vez. De Bruyne e Hazard. Como não é bobo quer continuar no cargo ganhado só 800 paus por mes. Esperrrrto garoto.
João, se Neymar é a maior mentira da Copa, como ficam Messi e C. Ronaldo? Você deve ser baba-ovo deles e um maria-vai-com-as-outras, sem ideias próprias, sem capacidade cognitiva, sem capacidade analítica e, pior, uma pessoa desonesta. Neymar não tinha a obrigação de carregar as tranqueiras que Titica levou.
Neymar é gênio, mas não faz milagre. Messi tem um monte de jogador melhor que Neymar tem, a seu lado, e não jogou nada.
Se Neymar não fosse extraordinário, não seria o sonho de consumo de todo grande time.
É senhoras e senhores!!, saudosismo a parte, também houve uma época em que os senhores de TOGA do STF assim como Generais ,eram mais comedidos para apoiar golpes contra a democracia e a constituição desta nação, embora mesmo assim o fizessem e fizeram. As consequências de horripilante memória, ainda estão insepultas até hoje, e os autores continuam com a sua obra nefasta, hipócrita e criminosa, e nós continuamos a ser patriotas em tempos de COPA DO MUNDO DE FUTEBOL.
O texto é quase perfeito em se tratando de futebol, apenas um adendo se me permite.
como pretenso arquiteto que sou, me doi ler “Brasilia de Niemeyer”.
Sem desmerecer nosso grande Oscar, Brasilia é de LÚCIO COSTA.
Fiquei muito feliz em ler e ler novamente essa incrivel aula de um Brasil fantastico. Eu curti o finalzinho desse pais maravilhoso que so nos trazia orgulho. O meu Brasil ainda esta cheio de saudades de um passado recente em que os brios do nosso esporte despertava interesse geral da nacao. O Brasil e a Copa do Mundo. A Copa do Mundo e o Brasil. A empogacao massisa dessa nacao enche os olhos de saudades. A cada Copa do Mundo o Brasil desperta para um otimismo que deveria ser constante em nossas vidas. Mais uma vez parabens Alberto em deixarnos cientes que somos brasileiros cheio de amor para dar.
Parabenizo-o pelo belo texto, meu caro Helena.
Tenho lido e ouvido, aqui e acolá, milhares de opiniões acerca da nossa seleção e seu desempenho em 2018 e delas tirando conclusões próprias sobre a sua participação na Copa da Rússia.
Chegou como campeã absoluta do hemisfério sul e favorita a erguer a taça pela sexta vez. Confesso que não estava tão otimista e, quando os comandados de Tite p´rá rolar, ficou bem claro que sonhar com o título como tantos outros brasileiros era um exagero por não ver em campo nada mais do que um punhado de jogadores tomados por empréstimo dos clubes europeus onde atuam, com seus cabelos e chuteiras coloridas, correndo desordenadamente atrás de uma bola de couro sintético bem mais leve que a convencional dos antigamente, sem um líder nato que se fizesse interlocutor das instruções de vestiários e do banco de reservas, extremamente dependente de Neymar, tido e havido como craque, cuja habilidade se perde diante de marcação cerrada de um adversário nem tanto habilidoso, apenas mais vigoroso físicamente.
Mimado demais pela família e seus comparsas das noites de orgia extracampo, o “queridinho” do nosso “treineiro” caiu, esperneou, fez caretas e tudo mais que achou-se no direito de fazer, mas, jogar bola como gente grande não jogou e me trouxe de volta à fase embrionária da bossa nova, a um samba do compositor paulistano Billy Blanco, eternizado pela voz de Dóris Monteiro, cuja primeira estrofe diz “mocinho bonito/perfeito malandro do falso granfino/no corpo é atleta, no cranio, menino/que além do abc nada mais aprendeu” e em outra “na pinta de conde se esconde um coitado/um pobre farsante que a sorte esqueceu” como se lembrasse da infância pobre desse que é hoje é considerado o melhor jogador brasileiro da atualidade, nas ruas de Mogi das Cruzes, magrelo e mal nutrido, dependente da ajuda de gente de bom coração, alguns deles jogadores e funcionários do União F.C., companheiros de Neymar pai, segundo conta um ex-massagista dessa equipe com quem tenho laço de família.
Hoje, famoso e rico, mas, devendo milhões ao IR, sequer se lembra do quanto precisou da ajuda alheia para sobreviver e do rastro de maldades que deixou na Vila Belmiro, antes de trocar o Santos pelo Barcelona, exigindo a dispensa do treinador Dorival Junior e a extinção das equipes de futebol de salão que davam despesas que impediam o clube de lhe remunerar melhor, como também do conceito do técnico Renê Simões que o chamou de “monstro” na sua passagem pela seleção brasileira sub-20.
A ultima seleção digna que o Brasil teve depois de 1982 foi a de 2006 , acabaram os nossos grandes jogadores agora e só empresarios fazendo video de mlks que não jogam nada e colocam eles nos principais clubes esqueçam o futebol brasileiro , quem viu viu quem não viu não vai ver mais levantando uma copa do mundo