Os caminhões de Carille e a imprensa

(Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians)

Posso entender a frustração que deve ter se apossado do nosso querido Carille quando viu passar diante de sua casa o comboio de caminhões cheios de petrodólares para descarrega-los na varanda do murruga ali da esquina – ó, raios!

Mas, daí a descarregá-la sobre a imprensa que noticiou a probabilidade de ele ser o destinatário desse presente vai uma distância igual à percorrida de Riad, na Arábia Saudita, à Zona Leste de São Paulo até chegar em Lisboa.

Chego a essa conclusão, sobretudo, depois de ver o pai de Carille na televisão declarando que o filho havia lhe dito que a proposta árabe era simplesmente irrecusável. Quer dizer, então, que havia, sim, uma proposta. E que Carille estava ciente dela a ponto de comentá-la com ninguém menos que seu próprio pai. Portanto…

A imprensa brasileira comete barbaridades, é verdade. Não só na manipulação das informações como no trato verbal que se lhes dá. Neste campo, então, comete atrocidades a cada instante, assemelhando-se às que se repetem sem fim nas escolas americanas, onde não só trucidam o idioma e o conhecimento em geral como também vidas inocentes.

A bem da verdade, ainda neste domingo, lendo a coluna do incomparável Jânio de Freitas, na Folha, que dava um toque a respeito, confirmava comigo mesmo que o jornalismo praticado hoje em dia pouco tem a ver com aquele que aprendi nas redações do meu tempo – e lá já se vão mais de sessenta anos de ininterrupta atividade nesse ofício (comecei muito garoto, com 15 anos, diga-se).

O mundo deu voltas, a tv tomou conta da cena jornalística promovendo o showrnalismo e abrindo espaços pra qualquer celebridade, seja ou não um profissional do ramo. Em seguida, veio a Internet e suas redes sociais, espaço mágico em que qualquer um pode opinar a respeito do que quiser sem a necessária formação técnica e ética pra tanto – o que, se de um lado abre espaço para a opinião pública se manifestar diretamente, sem freios, de outro pode também conduzir a equívocos irrevogáveis.

A tal da última flor do Lácio inculta e bela do poeta reduziu-se a meras cinquenta palavras e um farto dicionário do idioma do Império, que, dentro de duas gerações, no máximo, será língua oficial deste país, belo e inculto até a raiz.

Mas, não me parece seja o caso presente. Aqui, a imprensa noticiou um fato que era evidente para todas as partes envolvidas. Fato que se alterou nas últimas horas, provocando a ressentida declaração de Carille, que, a estas alturas já deve estar arrependido do que disse depois do empate do Corinthians com o Sport, em Recife, por 1 a 1.

Como se diz por aí, faz parte, meu.

 

 

 

 

 

6 comentários

  1. Uma pergunta deve-se fazer: Porque o futebol brasileiro não tem o mesmo calendário da Europa?
    Porque continuar com este modelo ultrapassado?
    Para que campeonatos regionais?
    Devia-se apostar num bom campeonato brasileiro,, com 1ª divisão, 2ª divisão e outras divisões, se necessário,
    Transferências de jogadores e de agentes desportivos (técnicos e outros) só dentro das janelas de transferências acordadas.
    Então está-se a disputar o campeonato brasileiro e um técnico é transferido, mas isso faz sentido?
    Um técnico e uma administração programa e adquire jogadores com aval de um técnico que passado 5, 6 jornadas vai para outra equipa?
    Que raio de organização existe?
    É por esta e outras situações que o Brasil está como está tanto a nível de futebol (o maior dos menores problemas da vida) e também a nível social e político.
    Falta organização e planeamento pensado antecipadamente, mas para isso é necessário ter-se governantes a pensar no país e não no seu bolso….em todas as áreas!

  2. A verdade é que a imprensa sofre de ejaculação precoce e agora estão todos irritados com a permanência do carille no Corinthians. Sinto muito.

  3. o Sr. Helena fez uma leve insinuação de que o Carile estaria frustrado pela possibilidade de 1 ou 2 caminhões de dinheiro não serem despejados em sua cc, salvo alguma desinformação da minha parte, desde o início dessa DANÇA DE RATO vai não vai o Carile deixou bem claro que somente com a confirmação da possibilidade da proposta por parte de seus empresários e do Corinthians, ele passaria a tratar deste assunto prá valer. Enquanto isso a mídia esportiva publicou zilhões de notícias dando como certo de que o técnico estaria se despedindo do clube e da torcida no jogo de domingo pp, entre tantas outras que passaram a circular desde de 5ª feira passada. Como é possível o ” jornalismo esportivo” publicar tantas certezas, quando o próprio interessado não tem certeza de nada. Lamento sr. Helena pelos profissionais de respeito que certamente existem no jornalismo brasileiro!!, mas, a palavra ” imprensa ” inclusive a esportiva, já faz muito tempo que não merece a confiança e o respeito da sociedade brasileira, pois esta se tornou sinônimo de velhacaria, total falta de transparência induz e conduz a opinião pública para os seu melhores interesses , acusa as pessoas desmoralizando-as detonando as suas vidas e não provam nada, e a justiça falida e corrupta deste pais que joga no time dos VAMPIROS ” deixa por isso mesmo”. Parabéns Carile, te aplaudo de pé!, a nossa ” grande imprensa” aquela que manda neste país! é simplesmente um ANTRO.

  4. Mestre nos comentários. Parabéns pelo SEU méa culpa, Jânio de Freitas, Observatório da Imprensa, Alberto Dines, etc. Parabéns pelo méa culpa (exageros da imprensa). No caso Carille, talvez valha à pena pesquisar se houve (da imprensa) de que Rodriguinho (à convite de Carille) ou ainda, se Carille iria pois, enfrenta desavenças com A.Sanchez (aliás, quem não tem) … então, caro Mestre, não entre no barco na maioria que se apega à negociação em sí com a Arábia (esta era fato envolvendo, erroneamente, até o sr. Carille pai) … ocorre que, durante o processo, existiram “outras divulgações” que mexeram com o brio do íntegro Carille … de qualquer modo, generalizar (aí sim) é um Erro. Parabéns pelo SEU méa culpa, Jânio de Freitas, Observatório da Imprensa, Alberto Dines, etc

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