
A Seleção acaba de se apresentar em Teresópolis para iniciar sua preparação final em direção à Copa da Rússia. E a reação da maioria dos torcedores brasileiros assemelha-se à do frio que baixou sobre o Grão Ducado de Ibiúna, nesta madrugada glacial.
Pudera! Enquanto a moçada se exercita lá no alto, entre as lufadas de névoa que se sucedem sobre a concentração, quando não se enxerga um palmo adiante da nariz (e não precisa ter a dimensão exagerada do meu – nasal, oh, meu nasal!, como suspirava o Juca Chaves), os campeonatos nacionais e continentais seguem seu curso aqui embaixo, em meio à estupidez dos cartolas brasileiros e vizinhos.
Dizer que a Seleção nos une num só coração, como na marchinha do meu saudoso amigo e grande compositor de jingles e alguns sambas notáveis, Miguel Gustavo, é e não é um fato. Une em meio à desagregação, posto que o brasileiro é antes de tudo um apaixonado pelo seu clube. Isso, sem falar no regionalismo.
No passado mais distante, quando o Brasil parava a cada convocação da time nacional, beirava-se a guerra civil entre paulistas e cariocas, que, desde a chegada de Charles Miller trazendo as tais bolas pioneiras, disputavam a hegemonia política e técnica do futebol tupiniquim.
Mais tarde, abrandada essa disputa, o clubismo assumiu a cena. E a briga era entre os torcedores dos grandes clubes pátrios, que clamavam por este jogador no lugar daquele etc.
Mas, o fato é, no centro das desavenças, sempre havia aquele sentimento de respeito e esperança na camisa amarelinha. Era o Brasil em campo, esse Brasil sempre atrasado em relação ao futuro prescrito por Stefan Zweig, (o escritor austríaco que, fugindo do nazismo, acabou se matando em Petrópolis), e que tinha no futebol sua maior expressão de força e avanço.
E não é que concretizamos por cinco vezes essa esperança? Sobreveio, porém, um desânimo e um descaso profundos a partir daí, fruto exatamente da conjunção de dois fatores: a perda de identidade do nosso futebol em campos brasileiros e a desastrosa política de marketing dos nossos cartolas.
O marketing a que me refiro não é entulhar a tv, os jornais, a Internet, de comerciais exaltando o produto, nada disso. É a capacidade de analisar o mercado, com sintonia fina, e oferecer à praça o melhor produto, na dose exata da necessidade e expectativa do consumidor. Empanturrá-lo com porcarias em excesso não o satisfaz, só provoca indigestão.
É isso o que acontece com a nossa Seleção de uns tempos pra cá. Tornou-se um produto indigesto.
Ora, diante disso, o clubismo atingiu o paroxismo na mente do torcedor brasileiro, que passou a ver apenas o resultado como imperador dos campos. Por sua vez, os clubes, pressionados por um calendário estúpido e pelo resultado, não conseguem apresentar um futebol (produto) de acordo com nossa antiga identidade, o que gera receitas baixas, obrigando-os a negociar com os mercados mais ricos seus melhores jogadores – na maioria, meninos ainda – o que resulta numa queda crescente de qualidade do espetáculo (produto).
Forma-se então o círculo vicioso que, como um buraco negro, engole a Seleção, pois ela concentra a expectativa geral.
Observe o amigo a seguinte situação: o torcedor brasileiro, que era, antes de tudo, um sujeito alegre transformou-se num mal-humorado renitente. Basta percorrer as mídias sociais pra ver.
Sim, sei bem que isso não se resume ao brasileiro torcedor de futebol que, como sempre repito, é um espelho da sociedade.
Mas, sempre foi no futebol que o brasileiro descarregou suas atribulações, transformando-as em 90 minutos de plena paixão e alegria. Os campos eram o espaço destinado à catarse e à sublimação, como gostam de dizer os entendidos. Porque, ali, a galera se via realizando uma obra de fino artesanato, divertida, cheia de dribles criativos, passes exatos sempre em direção ao arco adversário, manobras coletivas inteligentes e harmônicas, inventivas. O Brasil, com a bola nos pés, finalmente avançava, pelo menos nesse campo da atividade humana. E avançava com sua própria cara, seu próprio engenho, algo por nós mesmos inventado e desenvolvido a níveis inconcebíveis pelo resto do mundo.
O Brasil, então, a partir do final do século passado recuou, acinzentou-se e cedeu a alegria ao mau humor que percorre as tais redes sociais, a ponto de afastar o torcedor do seu símbolo maior e agregador – a camisa amarelinha.
É fato que Tite conseguiu amenizar essa situação, com aquela arrancada prodigiosa nas Eliminatórias que caminhavam, antes dele, para um desfecho trágico. E o fez acrescentando uma pitada de talento e agressividade ao time.
Claro que nossa Seleção pode chegar lá. É uma das tantas favoritas ao título, num torneio de tiro curto em que o acaso tem força extra. Assim, tudo depende do momento.
Mas, não basta o hexa, como não bastaram as conquistas de 94 e 2002, para reincutir na alma nacional a velha paixão. É fundamental que nossa Seleção complete a conquista oferecendo um espetáculo digno de nossas tradições perdidas.
E, cá entre nós, desconfio que esse time pode, sim, fazê-lo. Pode. Não quer dizer que vai.
Muita coisa dita por você caro Alberto Helena é verdade, porém na minha opinião muita coisa dita também é produto e não causa. Eu resumiria o comentário assim: o povo perdeu a paciência com a maracutaia. Acabou meu. No fundo só 28% dos brasileiros acreditam na seleção(segundo pesquisa recente), ninguém dá mais a mínima. O povo sabe que essa seleção não é convocada pelos critérios de mérito técnico. O futebol brasileiro virou um produto na mão da Globo/CBF e o que menos importa é o torcedor, o futebol, e muito mais as negociatas e o lucro fácil nas mãos de poucos. Para culminar, o outrora símbolo do nosso futebol campeão que era a camisa amarela, virou vergonha nacional depois que foi usada vergonhosamente como manto para encobrir aqueles que manipulados ajudaram a destruir o país..
Legal
Legal mesmo
Alberto Helena Jr.
Não se deve misturar política com futebol e o ideal é que não se misturasse mais no Brasil impera a velha máxima do pão e circo para enebriar a turba torcedora e não será diferente na Russia em 2018, com uma seleção ditada e convocada pela maior patrocinadora da CBF que é a Nike aonde os interesses financeiros escusos imperam a ponto desta empresa dar uma libertadores para um certo time de itaquera e alavancar já o esquema para que esse mesmo time “ganhasse” um estádio superfaturado e feito com dinheiro público com a desculpa que seria erguido o entulhão para a Copa de 2014…é de enojar os caminhos por quais trilha o futebol brasileiro misturado com sujeira e com beneplácito de boa parte da mídia esportiva. Saudações palmeirenses.
voce ainda e um oasis na nossa midia parcial e sem conteudo!continue salvando a midia esortiva do brasil!abc do seu eterno fa vicente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!