Erros divididos

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Dorival Jr. já está há algum tempo na alça de mira da torcida, de boa parte da cartolagem tricolor e, obviamente, da mídia sempre sedenta de notícias bombásticas, embora queda de treinador no futebol brasileiro seja fato corriqueiro, banal, automático: bastou perder um, dois jogos, e rua!

Veja só o caso de Roger Machado. O Palmeiras vinha de vento em popa, cem por cento de aproveitamento no Paulistinha até empatar dois jogos em seguida Perdeu o clássico para o Corinthians, e, pronto! Lá vem o diretor de futebol Alexandre Matos a público pra exaltar as qualidades do treinador, um anteparo, claro, para os primeiros traços do cenário habitual que se desenha no horizonte verde.

E não adianta virmos aqui pra repudiar esse mau hábito do nosso futebol. É intrínseco, um carimbo na alma brasileira com o dístico indelével do Aqui, Agora. O passado se apaga da memória brasileiro no dia seguinte, e o futuro é sempre imprevisível, uma zona obscura, um buraco negro que engole o embrião de quaisquer projetos, planos ou previsões.

Isso vale pra todas as esferas da nossa sociedade, bem representadas nesse pobre espetáculo do jogo da bola, outrora tão rico e criativo.

Mas, isso não exime os treinadores de suas próprias decisões – as certas e as erradas, de acordo com este ou aquele ponto de vista do crítico.

Por exemplo: Dorival Jr. vem insistindo com Diego Souza como centroavante, embora tente mascarar isso dizendo que ele tem liberdade para sair da área e tal e cousa e lousa e maripousa. Aí você olha o jogo, e lá está o craque enfiado entre os beques. Vez por outra descamba para um dos lados ou recua um pouquinho. E só.

Pode ser que, por força da insistência, um dia dê liga. Mas, tempo é o que não se dá ao técnico pra desenvolver até o fim seus planos. Logo, urge resolver essa questão. Mesmo porque se há tempo disponível que este seja gasto com o menino Brenner, por exemplo, que já deu mostras de seu potencial. Afinal, é prata da casa, custa menos e tem vida mais longa, com possibilidades de, lá na frente, vir a significar um bom retorno financeiro.

Outro detalhe: Dorival, depois do jogo, exaltou a participação da dupla de volantes Hudson-Petros. Pois, trata-se, a meu ver, de um grande equívoco. Ambos trabalharam bem na proteção à zaga, é verdade. Mas proteção contra quem ou o quê, já que a Ferroviária simplesmente tratou de defender-se o tempo todo lá atrás?

Ora, diante desse quadro, cabe aos homens de meio de campo penetrarem, em rápidas tabelas ou jogadas de habilidade, para romper a retranca inimiga. Ou, até mesmo, disparar tiros certeiros de média e longa distância. Justamente as qualidades que faltam aos dois volantes tricolores.

Bem, saltemos o muro dos CTs da Barra Funda, onde encontraremos o estimado Roger Machado coçando a cabeça, como quem se pergunta: onde foi que errei?

Sem dúvida, acertou a maior parte do tempo ao escolher uma formação e mantê-la o tempo necessário pra driblar a falta de pré-temporada adequada e conferir um mínimo de senso coletivo à equipe, o que, entre outras coisas, colocou Borja em jogo e deu a Felipe Melo a dimensão que ele merece.

Errou, porém, quando não teve a percepção de que já estava na hora de atacar alguns pontos específicos. Por exemplo: a entrada de Keno no lugar de William. Keno é mais veloz, agudo e habilidoso do que William, um atacante fluido, útil e dedicado, é verdade, mas exatamente por tudo isso um tanto indefinido.

Ainda mais que Keno, antes mesmo da chegada de Roger, vinha nas asas da empolgação, pois, quando entrava no time, resolvia.

Além disso, há uma questão que gira em torno de Lucas Lima, a maior e mais necessária contratação do Palmeiras no ano. Necessária porque faltava ao Verdão aquele meia armador hábil, de passe exato e antevisão das jogadas, atributos próprios do ex-santista.

Pois, são exatamente essas qualidades que se diluem no posicionamento do craque em campo: mais enfiado, próximo dos atacantes, no momento em que seu time sai da defesa ao ataque, é mais fácil de ser marcado, e deixa um vão justamente onde ele deveria estar – ali no círculo central, mais próximo do seu volante, de onde vislumbraria a melhor jogada de ataque inicial.

Esse é um ponto. O outro ponto é a eventual e tão esperada parceria de Lucas Lima com Scarpa, que certamente não veio pra ficar no banco indefinidamente.

Roger tem evitado essa parceria até agora. Ou um, ou outro. Desconfio que ouvindo lá no fundo aquela voz sonora do avozinho gaúcho recomendando cautela, chê! Ou melhor: Tchê-Tchê, o operário de meio de campo, que vai e vem e volta e cousa lousa e maripousa.

Roger, que é cara antenado, bem que poderia tentar aprender catalão e receber um recado mais atual: Lucas Lima e Scarpa, meu, juntos, trabalhando essa bola – como gostam de dizer os técnicos – desde o meio de campo. Quem sabe, clones de De Bruyne e David Silva, guardadas as devidas proporções.

Afinal, o Verdão não investiu tanto pra simplesmente cumprir tabela, evitando crises e pilhar um título ou outro ao longo da temporada. Tampouco foi pra isso que apostou em Roger Machado, um jovem treinador que passa a imagem salutar de cara inteligente e pra frente, como se dizia.

Pra frente, pois, meu caro Roger, esse é o verdadeiro objetivo do atual Verdão, um time capaz não apenas de atingir uma série significativa de resultados positivos, mas oferecer também belo espetáculo à sua plateia.

Sei bem que não é da noite pro dia que se alcança esse objetivo, sobretudo num calendário cretino como o nosso.

Mas, é aos pouquinhos que se chega lá: um Keno aqui, um Scarpa ali, um Moisés mais adiante…

 

 

 

5 comentários

  1. É COMPLICADO FALAR MAS NOVAMENTE A ARBITRAGEM TEM QUE FICAR ESPERTO, JÁ CONHECEMOS A LAMBANÇA QUE ESSE CIDADÃO FEZ NO URUGUAI, ENTÃO QUE A DIRETORIA DE SUPORTE E FAÇA QUE OS JOGADORES SÓ PREOCUPE EM JOGAR BOLA, É MUITO IMPORTANTE O PALMEIRAS INICIAR A FASE DE GRUPOS NO MÍNIMO COM UM EMPATE, ESSE GRUPO É O MAIS COMPLICADO ENTÃO UMA DERROTA SERIA PÉSSIMO PARA O PALMEIRAS

  2. PORQUE O TRIBUNAL NÃO CONVOCOU TAMBÉM UM CERTO JOGADOR DO VERDE PARA DAR EXPLICAÇÕES? PORQUE ELE É REINCIDENTE? PORQUE ELE JÁ FOI JULGADO E CONDENADO POR UM FATO OCORRIDO CONTRA O MESMO ARBITRO E CONSEGUIRAM AMENIZAR A PENA QUANDO DEVERIA CUMPRIR MAIS DE 01 ANO DE SUSPENSÃO? CARA, ELE QUIS TIRAR O TIME DE CAMPO ANTES DO FINAL E DEPOIS FICOU PROFERINDO ACUSAÇÕES SEM PROVAS PARA QUEM TIVESSE MICROFONE LIGADO. QUEM TEM TELHADO DE VIDRO NÃO DEVERIA JOGAR PEDRA NO TELHADO DOS OUTROS. DEVE SER ÓTIMO PARA UM TÉCNICO E SEUS COMANDADOS QUE TREINARAM A SEMANA TODA PARA ENFRENTAR UMA EQUIPE COM PODER FINANCEIRO ENORME OUVIR QUE QUEM GANHOU O JOGO FOI A ARBITRAGEM.

  3. Pai. Sabe o que acho? Aquele cretino do Sardinha pode ter razão. Acho bom tirarmos o time de campo enquanto é tempo. Esse time não vai longe na copa, vai dar vexame .Esse meio campo é ridículo. Eu fui pai. Fuuuuuui! Mistérios da meia noite…….

  4. Pois essa é grande diferença entre o catalão e os seus congêneres, meu bom bacana. Guardiola tem o sange azul, o espirito indomável, caracterizado na figura de um técnico das antigas, o que é valioso pro
    caboclo são os jogadores mais refinados e não os mais aplicados, não fica com aquele papo tedioso do tal do tatiquês aqui, ali e culá.
    Quanto aos outros vão ter aprender e muito pra saber o que é o jogo bem jogado.

  5. Novamente bem comentado o seu texto, Alberto.
    Concordo com você em tudo o que escreveu apenas com uma observação.
    O corinthians passou por isso com mestre Tite há tempos atrás.
    A torcida passou dos limites com ele e pediu a “cabeça”, muito embora a imprensa também já havia feito o mesmo na época.
    Aí um tal de Andrés resolveu peitar o “mundo” e bancar o treinador, diante de tudo e todos.
    O resultado, hoje, todos sabemos, não é mesmo?
    É verdade que nem sempre isso vai dar certo, mas a insistência deve acontecer para o bem do futebol.
    Só deve afastar um técnico em último caso, como último recurso, enfim!
    Grande abraço e saudações.

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