Depois da infeliz declaração do meu considerado Casão de que se estava criando um monstro (frase proferida tempos atrás pelo técnico Simões, que mais tarde pediria perdão por isso), o tema voltou à tona nas supérfluas análises em torno da carreira de Neymar, um dos três maiores jogadores do mundo na atualidade.
Na verdade, fico cá pensando se não é Neymar quem está construindo verdadeiros monstros à sua volta. Monstros sedentos por sugar o sangue do rapaz, espicaçando detalhes irrelevantes de sua vida como se isso fosse essencial.
E o que faz Neymar de tão reprovável? Goza a vida, jogando uma bola redonda, inventiva, altamente eficiente, e, fora do campo, namora, frequenta danceterias e dá festas em sua casa para os amigos. Como ganha fortunas, produzidas por seu próprio trabalho, exposto à vista de todos duas vezes por semana, desperta inevitáveis invejas por todo lado. Isso, sem falar no velado ranço racista da Casa Grande, que se resume na velha frase – cumé que um neguinho analfabeto desses ganha tanto dinheiro e desfila nas redes sociais com belas e sedutoras mulheres?
E isso tem servido de pretexto para os monstrinhos que o perseguem em campo aos pontapés e pescoções, a ponto de o PSG ter pedido à Federação Francesa que advertisse seus juízes para o fato que extrapola a simples disputa de bola e as faltas habituais num jogo de contato, como gostam de dizer os monstrinhos de microfone em punho.
Nesta terça, por exemplo, passei quase duas horas assistindo ao Bate-Bola da Espn centrado na lesão sofrida por Neymar que pode tirá-lo dos gramados por dois ou três meses.
Pois, bem. O que disse o ortopedista convocado pela produção do programa? Repetiu várias vezes que a contusão no dedo do pé do jogador foi fruto de torção do tornozelo e de.. estresse. O que é o estresse? Seguidas pancadas e torções provocadas por acaso e, sobretudo, por entradas desleais dos adversários.
Mas, nenhum dos participantes do programa, em momento algum, saiu em defesa do jogador, do ser humano, do craque afamado que salva lá fora a imagem tão apagada do futebol brasileiro por aqui.
Nada disso: a preocupação geral era com o PSG que não teria sido consultado sobre a tal cirurgia a que o jogador seria submetido. E, quando o pai de Neymar entrou em cena pelo telefone, explicando que a decisão ainda não fora tomada e só o será depois de uma reunião entre os médicos particulares que examinaram o jogador, os doutores do PSG e o médico Lasmar da Seleção, a crítica se transformou em intriga – então, quer dizer que Neymar pai está desmentindo a Globo, que havia dado a notícia em primeira mão?
Simplesmente, patético, se não monstruoso.
Bem, mas o que interessa mesmo é saber se Neymar voltará a tempo de recuperar seu futebol mágico antes de a bola rolar na Copa do mundo. E, em caso contrário, quem deveria assumir seu lugar?
Tite, por certo, terá várias alternativas, se resolver manter o esquema atual da Seleção, do meio de campo pra frente: Casemiro, Renato Augusto e Paulinho; William, Jesus e Coutinho.
Mas, se quiser arriscar com um jovem com características mais ou menos semelhantes às de Neymar, então, optaria por David Neres, que está fazendo o maior sucesso no Ajax da Holanda.
Quanto ao PSG, para o jogo decisivo com o Real, na semana que vem, Di Maria, que vinha jogando muito antes de voltar à reserva.
E logo, logo, tanto a Seleção quanto o PSG poderão contar com Neymar, esse monstro que se renova a cada instante, pouco importa se diante da crítica ou de seus truculentos adversários.
Tenho uma opinião parecida com a do Arnaldo Ribeiro. O que ele demostra de personalidade e atitude não é algo que a maioria dos brasileiros gosta em geral. Só pensar que a maioria dos nossos ídolos foram pessoas alegres, de atitudes mais espontâneas e sem tanto glamour. C. Ronaldo teve um problema parecido até mostrar um outro lado que as pessoas se identificam mais. Dentro de campo, parece esnobe, debocha dos outros e irrita os outros e parece não perceber que talvez o povo francês não goste de tais atitudes.
Hoje em dia é muito mais difícil dissociar a pessoa do jogador.
Pra não ocupar muito espaço no Blog resumo nas seguintes palavras o que penso sobre o assunto: O que Neymar faz fora de campo é problema dele. Mais tem um preço. Ponto. O problema é que Neymar foi e está sendo vítima da exacerbada ambição do seu pai em ganhar dinheiro. E agora as faturas começa a chegar. Nas suas centenas de contratos multimilionários certamente não constam espaços para entorses, cirurgias, contusões. Os patrocinadores querem mais e mais a presença do jogador, fazendo com que cada jogo dele seja um espetáculo extra classe. Não basta um golzinho qualquer, há que ser de placa pois nós enquanto consumidores exigimos isso. E isso tudo amigos, causa um estresse físico e emocional gigantescos e o final dessa história não costuma ser muito boa.
Finalmente um comentário sensato, prezado João.
Faço de suas palavras as minhas, na verdade o que existe são monstros aproveitando-se do menino e, logicamente, fazendo a cabeça do rapaz.
Infelizmente é isso o que ocorre quando tratamos do assunto “capitalismo”.
Parabéns por esta visão e saudações.
A inveja e estupidez humana são infinitas, meu amigo.
quem nao gosta do neimar e bairrista!unico craque brasileiro no momento!!!!!!!!!!!!!
Caro ALBERTO HELENA JÚNIOR, parabéns pelo seu belo texto. Quando o Casagrande vomitou aquela diarreia bocal, em logo pensei em você, de como uma mensa sensata faz falta nos programas do Sportv. No dia seguinte, diante do partidarismo e sindicalismo de André Rizek e demais, pensei em você dando alguma declaração sensata, contra a insanidade daqueles abutres. O pior de tudo foi a ousadia de Rizek e demais pessoas daquela emissora, se acharem os donos incontestáveis da verdade, ao dizerem que a resposta de Neymar pai foi fora de contexto, que foi uma prova que Neymar não aceita crítica etc. Patético.
Quando Messi pegou quatro jogos de suspensão por ter xingado a arbitragem brasileira, nas eliminatórias e C. Ronaldo pegou quatro por ter dado um empurrão no árbitro, nenhuma palavra, mas se Neymar solta um pum, pronto, isso vira motivo para um programa especial sobre ele.
Essa mídia covarde não teve peito para xingar o Romário quando este deu um murro em um companheiro de clube, em pleno Pacaembu, pois o baixinho não aguentava nada. Agora, como Neymar é um cordeiro, e jamais responde, eles fazem a festa.
Por favor, continue assim.