Goleada de conceitos

Foto: Divulgação/Copa Flórida

O futebol mudou muito nestes últimos anos. Diria que virou de ponta-cabeça.

O amigo pegue como exemplo essa derrota do Corinthians por 4 a 2, de virada, para o Rangers, da Escócia.

Os escoceses passaram a vida toda na retranca, enquanto os brasileiros refinaram o jogo da bola, destacando-se por um futebol ofensivo, muitas vezes, irresponsavelmente ofensivo.

Pois o que acabamos de ver neste sábado, na disputa da Copa Flórida?

Vimos um time escocês jogando no campo do brasileiro o tempo todo, de cabo a rabo, enquanto o brasileiro ficava ali atrás, explorando os contragolpes, como se fosse um escocês do passado.

Ah, mas, no primeiro tempo, quando estava com sua equipe titular, o Timão meteu 2 a 0, com gols de Rodriguinho e Kazim, creia! E só tomou a virada quando estava com seus reservas em campo no segundo tempo. Assim como o Rangers também jogava com seus reservas.

É verdade. Mas o que isso quer dizer?

Quer dizer que os reservas do Rangers, terceiro colocado no campeonato da Escócia, país de segunda classe no universo do futebol, são tão melhores do que os reservas do campeão da nação pentacampeã do mundo?

Êi, se liga, galera!

A  questão está longe disso. A questão está no conceito de jogo de cada um.

O Brasil, conceitualmente, andou pra trás nas duas últimas décadas, apesar deste ou daquele título obtido, enquanto a Escócia deu um grande passo à frente, sobretudo ao tingir seus clubes dos mais variados tons de negro, em consonância com a tal globalização, o que lhes conferiu plasticidade e gosto por jogar bola.

Já, por aqui, preferimos botar uma peruca ruiva nos nossos caboclos, pintalgar seus rostos de sardas e cair na mais deslavada retranca escocesa, exaltando a força do nosso coração indômito no lugar da arte de nossos antepassados moleques e inventivos.

PS: Pelos comentários dos amigos neste blog, creio que, ao omitir o nome do candidato à Presidência, alvo de entrevista da UOL, na sexta-feira passada, provoquei certa confusão. Só para esclarecer: o referido é ninguém menos do que Bolsonaro, tá?

9 comentários

  1. Essa copa poderia muito bem ser nossa, porém acho que o Brasil não se classifica na primeira fase. O time é desorganizado taticamente, não tem um esquema alternativo ofensivo o chamado plano B, depende fortemente da individualidade do Neymar. Essas são basicamente as razões do fracasso. Não bastasse isso, a enorme previsibilidade e pouquíssima capacidade criativa do seu meio de campo completam minha certeza. Tite sabe disso, porém, sua minguada capacidade de assumir riscos aliada a um incomum medo de mudanças o impede de fazer qualquer movimento em sentido contrário. Ainda haveria uma tênue esperança que dificilmente se concretizará, porém, esperar que Tite saque Fernandinho ou Casemiro, Willian e Renato Augusto do time é quase um milagre. Ai o amigo perguntaria quem colocar no lugar? Eu colocaria Paulinho, Coutinho e Luan. Mais Diego Souza Neymar e Gabriel Jesus. Esse time teria um potencial técnico mil vezes maior, ganharia muio mais opções de jogo , maior posse de bola, maior probabilidade de fazer gols e consequentemente ganhar jogos. Agora pra fazer isso tem que ter coragem o que não é bem a do Tite. É muito provável até que nem Luan ou Diego ele leve. Minha curiosidade é quais desculpas que ele dará quando voltar voltar para casa mais cedo. Aposto em algumas das seguintes: Pouco tempo de trabalho. No futebol não tem mais bobos. O Brasil está nivelado por baixo. Dependemos demais de Neymar que muito marcado não produziu o suficiente.

    1. Nâo falar bobagem, meu sinhô!
      Só sabe dá pitaco (leia-se o significado).
      O sujeito que escolhe um tal Paulinho como seu volante-armador, será que entende alguma pontinha de futebol?
      Aposto que o amigo sabe de cor e salteado que o volante-armador caracteriza-se na excêlencia do passe exato e no posicionamento tanto pra armar e tanto pra se defender e se você observar bem verá que essa cartola jamais caberá na cabeça do brasileiro.

      Abços

      1. Volante volante como Tite e Dunga entre outros retranqueiros pensam, só funciona mesmo contra times formados por jogadores sem potencial técnico sem Zidanes, Rivaldos da vida, ai eles deitam e rolam. Um volante à la Casemiro por exemplo se limita a marcar jogador burro que joga fixo num espaço limitado de campo sem habilidade técnica e visão de jogo. Um exemplo que não me esqueço é o da seleção de 90 quando Lazzaroni colocou 2 brucutus Dunga e Alemão para marcar forte o time da Argentina. Eles fizeram tudo certinho como mandou o treinador, só que se esqueceram que do outro lado tinha um cara chamado Maradona que numa jogada repentina deixou os dois com a bunda no chão, tocando para Caniggia mandar o Brasil de volta da copa. E para provar que o que defendo é a mais pura verdade, 4 anos antes na Espanha jogando com a mesma Argentina contra um Maradona ainda mais jovem e perigoso a seleção com um meio de campo cujos volantes eram na prática dois meias(Falcão e Cerezzo) pois não se limitavam a marcar, muito pelo contrário, despachamos a Argentina por 3 x 1. Ou seja, o que faz uma defesa forte é um time composto por jogadores técnicos e inteligentes que preencham todos os espaços.

  2. Você têm razão em sua análise, Alberto.
    Mas, veja você que, não somente a Escócia, mas o resto o mundo também.
    Vejo que o Brasil não parou, mas atingiu um patamar “máximo” em sua organização, apesar dos tropeços.
    O futebol é cativamente elucidante por este motivo, nada é certo e tudo pode acontecer (talvez o único esporte a realizar tal proeza).
    Na verdade, o resto do mundo evoluiu ao ponto de rivalizar com nosso esporte favorito, mas acredito que eles também não ultrapassem limites tão maiores quanto ao dos brasileiros.
    O Brasil foi o primeiro (ou um dos) a evoluir em tudo neste esporte chamado futebol.
    Lógico, segue-se estudos e táticas sempre a serem seguidos ou inventados, mas sempre será pequena a diferença entre um e outro (contando com os países ricos).
    Embora não sejamos um deles, nosso esporte bretão vêm de vento a poupa por muito tempo, assim como o basquete americano, do lado deles.
    Mudando um pouco, gostei do jogo novamente, pensando o que se pode fazer com o time principal, há muitas variações táticas.
    E, por fim, foi isso que Carille realmente testou, não objetivando o título.
    Grande abraço e saudações.

  3. Injustiçados pela cegueira do Tite e que nos farão muita falta:

    Rodriguinho do Corinthians
    Thiago Neves do Cruzeiro
    Lucas Lima do Palmeiras
    Davi Neres ex- São Paulo.
    Luan melhor jogador da América.
    Scarpa do Fluminense
    Paquetá do Flamengo
    Davi Neres
    Qual o treinador no mundo que deixaria de fora ou pelo menos não testaria à exaustão jogadores do nível técnico desses acima? O pior é que a mídia esportiva ou parte dela fala que não temos craques mais no futebol brasileiro. As desculpas do técnico para não levá-los são ridículas e mostram que o principal que é a capacidade técnica é deixada de lado.

    1. Quanto a escalação da seleção não acho errado , pois cada técnico tem suas convicções e seus preferidos ,mas há muito tempo estamos jogando com 7 ou 8 jogadores atras e só nos contra ataques que chegamos na area adversaria,com um futebol medroso e com isto sem qualidade. O fato é que no Brasil já é cultura no meio futebol,jogarmos atras e por uma bola , se acaso aconteça o gol logo nos primeiros minutos o resto do jogo o time se desfaz da bola com chutões e cera , ,muita cera e ,simulações tornando o jogo um desespero e irritante..Esta filosofia de jogo é que temos jogar no lixo europeu e voltar com futebol total ,com meias habilidosos e atacantes ofensivos.

      1. A resposta para achar na base jogadores com qualidade é pura e smples , a formação de base dos clubes tem que haver um trabalho mais profissional e acabar com interferéncia dos empresarios de jogadores ,pois eles estão dificultando na formação ..Se olhar com profundidade veremos que tem garoto que ao chegar aos 18, 19 anos já é um cigano do futebol tendo passado por varios clubes na categoria de base, isto não É FORMAÇÃO , apesar da experiencia vivida com certeza atrapalha no desenvolvimento ´técnico do atleta e muitos ficam pelo caminho .

        1. Não vejo isso como problema na formação dos jogadores mas sim na formação dos técnicos. É impossível eles se desenvolveram com esse calendário maligno e nossos dirigentes. De cabeça, só consigo pensar em Dorival Júnior como um técnico acima dos 50 anos que sempre tentou praticar um futebol mais ofensivo. E por isso não temos um tecnico que jogue para frente já que os técnicos que jogam mais defensivamente foram os mais vitoriosos (nada de errado jogar assim, errado é todos jogarem assim, como seria errado se todos jogassem ofensivamente).

          E esse jogo que temos hoje foi o que sempre praticamos, mesmo nos melhores momentos. Segura lá trás e o craque resolve na frente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *