Modernizando nossa saída de bola

Foto: DENIS CHARLET/AFP

O jogo em si foi um tanto irrelevante, um amistoso em Lille contra o Japão, uma equipe de segunda, embora não seja uma baba de boi, concluído com o placar clássico de 3 a 1, ainda que pudesse ter atingido o nível de goleada se Neymar não desperdiçasse aquele pênalti ainda no primeiro tempo.

O que, na verdade, chamou a atenção foi o conceito acertado (moderno por ser eterno) de Tite em implantar na Seleção uma saída de bola a la Guardiola: trocas de passe desde lá de trás, essas coisas. Bola no chão, trabalhada desde o início, essa é uma regrinha básica do bem jogar futebol, ontem, hoje, amanhã, aqui e na Cochinchina que já nem existe mais.

Jeito arriscado de sair jogando? Claro, mas viver é muito perigoso, como dizia Guimarães Rosa, quanto mais no futebol, esse joguinho tão traiçoeiro. Tanto que, em dois ou três momentos no primeiro tempo, os olhinhos puxados tomaram a bola na zona de perigo brasileira, e, se fosse um time mais gabaritado, sei não. Mais arriscado ainda porque o Japão foi aplicado na tal marcação alta,o que ainda mais dificulta esse método.

Obviamente, as dificuldades de execução foram fruto de falta de treinamento suficiente, pois esse estratagema exige muita sincronização de movimento dos jogadores. Mas, a maioria dessa turma de certa forma está habituada a isso, pois atua em clubes que se utilizam habitualmente desse recurso.

A outra observação gira em torno dos testes com novos titulares.

E aqui começamos pelo goleiro. Nesse sistema, o goleiro tem de saber jogar com os pés, pois será chamado à ação com muita frequência. Dentre tantas virtudes de Cássio, que entrou no lugar de Alisson no segundo tempo, essa não é uma delas. como demonstrou numa das raras oportunidades de sair jogando pelo chão. Outra deficiência é a saída da meta para interceptar cruzamentos na área, apesar de sua estatura elevada. O gol que tomou de Makido exigia uma saída de goleirão, imagino.

Nesse quesito, o da participação com os pés, Ederson dá de goleada nos demais candidatos ao posto.

Quanto a Jemerson, provou que é um substituto à altura de Marquinhos ou Miranda. A bola que não alcançou no gol de Makido foi consequência do puxão de camisa que lhe deu o japonês e nem o juiz de vídeo assinalou.

Danilo não foi nem bem, nem mal, embora tenha feito o cruzamento para Gabriel Jesus marcar seu gol, numa trama bem elaborada por todo o ataque brasileiro.

Acho, porém, que está mais habilitado do que Fagner para a reserva de Daniel Alves. Entre outras coisas, porque joga no City de Guardiola, o que certamente lhe dá vantagem na saída de bola lá de trás.

Fernandinho e William já estão certos, mesmo porque vira e mexe são titulares. e Sandro, na lateral-esquerda, deu conta do recado.

Quem se deu melhor nessa questão, sem dúvida, foi Giuliano, que provoca rugas na testa do torcedores desabituados a vê-lo em campo: marcou, armou e atacou com o dinamismo que vem faltando a Renato Augusto.

Já Diego Souza no lugar do menino Jesus ficou devendo. Nem tanto porque não entrou na área com a mesma frequência do titular, já que essa não é a dele. Mas, porque não compensou nas manobras de armação, essa, sim, sua praia. Insisto: para o lugar de Gabriel Jesus, estilo por estilo, Tardelli é o mais indicado neste momento. Mas, quando chamado, nem testado foi e acabou fora desta lista. Logo…

Quanto a Douglas Costa e Taison, o tempo encurtou e nenhum deles acrescentou nada de relevante.

De qualquer forma, foi um treino de luxo para uma plateia reduzida com vistas ao próximo amistoso contra a Inglaterra, uma seleção bem mais encorpada do que a do Japão.

 

 

 

 

 

 

4 comentários

  1. Ótima análise, Alberto.
    Não assisti ao primeiro tempo e apenas os 15 minutos finais.
    Acredito que o Tite está correto em seu conceito, sempre atuou desta forma no corinthians, planejando e treinando bola nos pés.
    Aceito suas críticas construtivas frente ao goleirão Cássio, de fato, possui duas falhas imperdoáveis, saída de bola na pequena área e jogada com os pés.
    Infelizmente nem tudo é perfeito, mas, dar-se um jeito para arrumar isso e acredito que mestre Tite têm este as na manga.
    Não gostei do final que assisti, pois trocaram passes demais sem muito objetivo, principalmente no campo de defesa (segurando resultado), coisa que não pode acontecer.
    Enfim, como disse, é jogo para acertos e refinamento para cada posição.
    Vamos ver contra a Inglaterra, aí sim, um teste do poderio de um campeão do mundo.
    Grande abraço e saudações.

  2. eM DEFESA DO cASSIO(LOGO EU SEU CRÍTICO CONTUMAZ!), diga-se que esse mal(não saber, não querer, não poder ou não ser autorizado a sair do gol) afeta a grande maioria dos goleiros no (paupérrimo hoje) futebol brasileiro. O incensado goleiro do Santos não sai do gol. Nos velhos tempos, eles saíam e muita da vez evitavam gols. Parece que os “prefeçores” de goleiros adotam a tática de deixar a responsabilidade sobre os zagueiros e até sobre os atacantes que ajudam na marcação. Já não se fazem mais Heitores, e Oberdans como antigamente!

  3. O Brasil demonstrou as fragilidades do costume…..não sabem defender!
    Quando apanharem selecções europeias que primam pela organização defensiva e ofensiva, ou seja primam pelo colectivo vai ser complicado.
    Deixem de ver o individual (Cássio) e foquem-se no colectivo.
    Andem o filme atrás e revejam a última copa do mundo.

  4. Pagaremos caro pela covardia tática e estripolias de Tite. Some-se a isso a baixa qualidade técnica dos jogadores do meio de campo. Tite não arma seu time para ganhar, ele arma para não perder, é só ver a escalação dos dois genios da bola contra o timaço do Japão: Casemiro e Fernandinho, JUNTOS. O vexame se aproxima, me perdoem os manipulados pela Globo que acham que Tite vai fazer grande campanha. Grandes emoções vos aguardam. Depois não digam que não foram alertados. Nessa altura do campeonato Tite está mais perdido que cego em tiroteio. Simplesmente tirando os treis gênios Casemiro, Fernandinho e Willian não sabe ainda nem quem é o goleiro.

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