Casemiro, Marlos e o rebanho

(Foto: ODD ANDERSEN/AFP)

Ao contrário, por exemplo, da Libertadores, uma fastidiosa disputa de faltas e passes errados, a Liga dos Campeões da Europa é uma verdadeira festa do futebol: com raríssimas exceções, todos jogam pra ganhar, em gramados impecáveis e estádios lotados, e, assim, os gols se multiplicam nos vários campos.

O clássico da rodada desta terça, sem dúvida, foi travado entre o líder alemão, o Dortmund, versus o atual campeão espanhol e da Liga, Real Madrid.

Embora o Real esteja vacilante no seu campeonato doméstico, meteu 3 a 1 no adversário com todos os méritos, embora o Dortmund, num determinado momento do segundo tempo, quando fez seu gol, ameaçasse mudar a escrita do jogo.

Mas,ó, pá, o Real tem O Gajo, que pouco pegou na bola, mas o suficiente para fazer dois dos três gols merengues, alcançando a vertiginosa marca de cento e nove gols, recorde até agora da história da competição.

Quem deu o tom espanhol foi o brasileiro Casemiro, com seu afinado senso de colocação, passes exatos, curtos ou longos como aquele que deixou Carvajal na cara do gol no primeiro tempo, e um poder de destruição impecável.

Aliás, como de hábito, alguém dá um balido lá na frente, e o rebanho vai atrás. O balido em direção a Casemiro é o que aponta para o processo de amadurecimento do jogador, escoraçado do São Paulo e do Brasil sob a miopia do técnicos e as vaias da torcida e da mídia.

Claro que o rapaz evoluiu lá fora, como é natural. Assim como teria evoluído aqui também, pois sempre vi no seu futebol, desde que era jogador da base do São Paulo, um potencial singular. Aliás, gosto de lembrar a extraordinária participação dele naquele Mundial Sub-20 vencido pelo Brasil de Ney Franco, em que Casemiro jogou até de zagueiro, líbero, distribuindo bolas com extrema categoria.

É que no Tricolor dos últimos dez anos, a norma é esculhambar o bom jogador e abraçar os cabeçudos, aqueles que dão carrinho pra lateral e saem comemorando o feito como se fosse um gol de placa.

Foi assim, entre outros, com Marlos, ainda celebrado recentemente como o melhor jogador da Ucrânia. Canhoto, driblador, ativo, nesta terça mesmo deu mostras de seu talento diante do City de Guardiola, que venceu o Shaktar com dificuldades em seu próprio campo, diga-se. Aqui, o rapaz era execrado.

O fato é que, se continuarmos repudiando quem sabe jogar bola em favor dos botinudos que garantam um jogo defensivo, opaco e tedioso, não passará uma geração pra que os novos torcedores brasileiros se liguem mais nos clubes europeus do que nos brasileiros.

É isso que esses idiotas da objetividade, como diria Nelson Rodrigues, cartolas, técnicos de futebol e mídia esportiva  não enxergam. E seguem cavando a própria cova.

 

 

5 comentários

  1. Concordo ipsis literis Mestre, e nessa linha lamento que o provável campeão brasileiro, do ano, jogue um jogo de mais retranca do que de “tática”, pois Romero é um bom rapaz, mas não pode ser titular do possível futuro campeão. A ressaltar a aparente mudança de postura do Cassio no tocante a sair do gol em cruzamentos. Antes ele ficava naquela atitude que eu chamo de ” deixa eu ver quem vai fazer o gol”. Mas ironia do destino, nesse jogo mequetrefe, contra o S.Paulo , houve o lance com o Pratto, que mesmo vendo diversas vezes fica a dúvida: Pratto o desloca ou ele é que erra a saída e tromba com o avante? Ou um pouco das duas coisas.? Importante é que ele , Cassio, parece ter acordado para essa doença crônica dos goleiros atuais de se eximirem da responsabilidade de sair do gol nos cruzamentos. Eles precisam estudar um pouco de física(trajetória de corpos no espaço) para se habituarem a vislumbrar a trajetória e o ponto exato em que poderão interceptar a bola. Abs Mestre

  2. Boa! Que comentário sábio e Pontual! Me desculpe mas é exatamente assim ,nossa imprensa miope e as vezes cega e torcedora ,não consegue enxergar futebol e capacidade técnica de jogadores ,principalmente jovens promessas. Muitas vezes ainda interferem nas tomadas de decisões de arbitragens com comentários ridículos

  3. Mas ainda falta ao bom Casemiro aquela elegancia e classe de um volante armador – como Falcao, Socrates e Zidane .

    Ahh, Zizou o mais classico meio campista de todos o tempos, desfilava nos gramados de fraque e cartola.

    Um espetaculo,meu!

  4. Hoje é final da Copa do Brasil, duas grandes equipes, uma é dono da maior torcida do Brasil e do Mundo, que é o Mengão e você vem com essas estorinhas de futebol europeu.Mas entendo, a dor de cotovelo de vocês jornalistas paulistas em ver o melhor elenco do Brasil , o Mengão na final enquanto a mediocridade dos times paulistas foram todos eliminados.Enfim viva o Mengão tetracampeão da Copa do Brasil!

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