
Para uma torcida cujo time partiu lá de trás nas expectativas gerais antes de a bola rolar nos gramados oficiais, a Fiel mais tirou sarro do eterno rival Palmeiras, tido como favorito, do que celebrou nas ruas a conquista do Paulistão.
Desfastio pelas glórias recentes de maior magnitude?
Desconfio que seja pela crescente desimportância do título conquistado. O que é mais uma taça estadual para o campeão das taças estaduais, que ainda ostenta na memória o título mundial? Ainda mais quando esta se insere em meio a tantas outras disputas mais credenciadas, que, entre outras coisas, podem levar o Timão de volta à Libertadores, como as Copas do Brasil e Sul-americana.
Não é de hoje que advirto para a inevitável extinção do campeonato estadual (ou sua redução a uma competição curta, tipo Copa). Já dizia isso há mais de quarfenta anos ao então presidente da FPF, Zé Ermírio de Moraes, desde quando foi criado o então Campeonato Nacional, o atual Brasileirão.
Pelo menos, nos grandes centros futebolísticos do país, os estaduais agonizam nas mãos dos cartolas das federações regionais, outro anacronismo que só tem lugar no Brasil.
Só prestam para atrapalhar a pré-temporada dos clubes que almejam disputas maiores atuando mais como um alçapão para os técnicos que não conseguem levantar a taça do que para fazer as massas urrarem de satisfação.
Ah, mas, pelo menos, servem para manter vivas as tradições, as rivalidades regionais e a sobrevivência dos times pequenos, celeiros de craques e tal e cousa e lousa e maripousa. Êta discursinho caquético e equivocado…
Mais de quatrocentos clubes pequenos, findos os estaduais, fecham suas portas pelo resto do ano. Isso não é vida. É a agonia que leva à morte, como já ocorreu com dezenas de clubes tradicionais de São Paulo ao longo destes anos todos.
Para manter esses clubes vivos é preciso que eles estejam em atividade o ano todo, cada macaco no seu galho, com chances de pularem para o galho superior, sucessivamente, até serem integrados à elite do nosso futebol, se tiverem talento pra isso.
Para tanto, em vez da esmola dos estaduais, que beneficiam apenas uma parcela ínfima dos pequenos espalhados por esse mundão afora, seria preciso a CBF ampliar o espectro do Brasileirão, criando tantas séries quantas fossem necessárias para abrigar todos os clubes devidamente registrados e aptos a participar de jogos oficiais.
Só assim haverá de se preservar esse imenso celeiro de craques, ao mesmo tempo estimulando as torcidas das cidades do clube participante a torcer de fato por seus escudos paroquiais.
E isso seria possível incrementando as rivalidades entre cidades próximas, como ocorria em priscas eras, aquele tempo perdido em que os pequenos eram realmente verdadeiras usinas de craques que, em seguida, se transferiam para os grandes, reoxigenando nosso futebol, hoje tão dependente dos repatriados já na linha descendente de suas carreiras, ou gringos de qualidade inferior.
Assim, salvam-se todos – os grandes e os pequenos -, pois, do jeito que está, não passa de lenta agonia para ambos.
Só também,acabou o ano para eles.A volta de Cuca tem dado mais ibope que esse títulozinho.
Sr. Helena de que regiões o sr. fala? Norte, Sul, Leste, Oeste, Nordeste ou Centro-Oeste? Eu ignorava que houvesse federações regionais, para mim esse descalabro esportivo só existia nos estados e portanto assim o são: descalabros estaduais, bem com os defuntos campeonatos. O único campeonato Regional é a Copa do Nordeste, ou não?
Refiro-me sempre aos grandes centros. Nos demais, cada um faz o que melhor lhe convier. Mas, vale dizer que times de outras regiões não poderão se beneficiar dessa nova ordem sugerida.
Abraços
Sem desmerecer os campeões estaduais de todo o Brasil, eu vejo que estes torneios perderam o valor faz tempo ! Pra quem é mais velho, basta lembrar como era nas décadas de 70,80 e início da década de 90 e como é agora ! Pra quem é mais novo, basta comparar o desempenho de muitos campeões do estado em torneios nacionais nos últimos anos ! Perdeu,não só o valor, mas o charme e o encanto !
Lamento informar mas para torcedores é importante sim , O problema que não comportanta mais do que 10 times. Mas aí entra a parte financeira que torna ainda mais importante já que poucos ganham muito e muito ganham quase nada mas precisam disto.
Não se pode ver só a parte técnica , há um contexto maior ainda.
Os campeonatos estaduais sempre foram os que mantiveram a tradição do futebol nos estados e celeiro de grandes craques. Acabar com eles é a forma mais simples encontrada pelo mercado para assegurar o lucro das redes de televisão. O mesmo que acontece com o desmonte do país. vendam tudo que o mercado sempre tem a melhor solução. Foi assim que paulatinamente Juventus, Portuguesa, Guarani, Ferroviária de Araraquara e muitos outros times que fizeram do campeonato paulista grande, desapareceram do mapa. A teoria neoliberal daqueles que só enxergam o dinheiro infelizmente não está acabando só com nossa economia, mais acabando também na mesma intensidade com o esporte de uma forma geral. A persistir esse raciocínio míope logo logo vamos chegar à conclusão absurda que no mundo só há espaço para meia dúzia de times pois os outros são um fracasso financeiro.
Concordo com a parte relativa à rede de televisão (e não ÀS redes, pois só há uma que abarca todo o futebol brasileiro).
Quando você entra no aspecto financeiro, discordo totalmente. O dinheiro move o mundo, desde sempre. Não confundir capitalismo com capitalismo selvagem (esse sim, é execrável). Veja que o futebol na Europa (e, em breve, nos EEUU e China) é movido por ganhos financeiros. E assim deveria ser no Brasil.
É verdade o que o amigo João escreveu.
Se acabarmos com os regionais, acabamos de vez com o valôr do futebol em seu total contexto.
O Brasil é um país continental, diferente dos países europeus que cabem em estados.
Devemos pensar em um meio melhor elaborando e criando campeonatos paralelos para os pequenos clubes, somente desta forma evitaremos a “extinção” deles.
Grande abraço.
Só não entendi por que o sr. não apareceu na festa do paulistão,sendo que o sr, , sr. Gilberto foi artilheiro do campeonato ! E que homenagem se refere ?…Qual homenagem ? Homenagem ?
Boa análise, Gilberto.
Acho que as coisas deveriam ser mais simples: estadual no 1.o semestre, classificatório para um Brasileirão no 2.o semestre (este com menos jogos que os desnecessários 38 de hoje em dia; não há necessidade de 2 turnos); os desclassificados disputariam o Paulistinha no 2.o semestre. Em paralelo, o ano inteiro, um Paulistinha classificatório para o Paulistão do ano seguinte, que receberia, no 2.o semestre, os não classificados para o Brasileirão daquele ano.
Na realidade, a lenta agonia dos Estaduais é fruto da (ou só existe na) cabeça dos cronistas esportivos paulistanos que não se ligam com o Interior. Todas as “soluções” apresentadas por eles (graças a Deus, não são todos, mas uma boa parcela deles) não levam em conta os clubes do Interior. Precisamos entender que o futebol – para a FIFA, pelo menos – vai desde a Copa do Mundo até jogos de várzea. Nesse todo, há os estaduais, o Brasileirão, A Copa do Brasil, a Libertadores, os estaduais de acesso, etc, etc.