
A primeira rodada oficial da temporada não quer dizer nada. Mas, sempre diz alguma coisa nas entrelinhas.
É óbvio que os times ainda estão se arrumando, com este ou aquele novo integrante, longe do melhor preparo físico e com o devido ritmo de jogo.
Além do mais, esses campeonatos estaduais (pelo menos, nos principais centros do país) não passam de eco do passado, presente apenas na memória dos saudosistas e nos interesses eleitorais (quando não, outros) dos cartolas.
Mas, de qualquer jeito, aí está o Paulistão respirando por aparelhos, transformado em campo de provas para os grandes e de vitrine para os pequenos e seus investidores. O resto é conversa fiada, como essa história de que o Paulistão é o único manancial em que os pequenos do Interior, celeiro de craques, têm para saciar sua sede de sobrevida, pois são dez, doze destes eleitos, enquanto oitocentos outros ficam nus, com a mão no bolso, em pleno deserto. E, mesmo esses ungidos da sorte, depois do Paulistão, voltarão a sentir sede ao longo de todo o ano.
Mas, deixe pra lá, que isto é o meu Brasil, foi Deus quem criou, como diz o velho samba-exaltação.
E vamos às tais entrelinhas escritas ao longo da primeira rodada.
O que elas dizem? Dizem, de cara, o óbvio: o time de excelente participação na temporada passada, pois foi o atual campeão paulista e vice brasileiro, que não se desmontou, manteve o mesmo técnico, e disparou no placar e no desempenho, em relação aos demais concorrentes habituais ao título. Claro que falo do Santos e de sua goleada por 6 a 2 sobre o Linense.
Ah, mas o Linense é fraco, dirá o torcedor dos outros times. Tão fraco quanto os seus demais congêneres, com exceção, claro da Ponte e do Audax, que, por sua vez, goleou o Tricolor, este, sim, num estágio abaixo do esperado, embora não se esperasse muito do Clube da Fé.
Não basta a fé no ídolo Rogério Ceni, que só agora começa sua caminhada como treinador de futebol. É preciso ter jogadores de técnica mais apurada em todos os setores – defesa, meio-campo e ataque.
Mesmo porque Rogério, que chega com uma proposta interessante de jogo, com seu time atuando mais à frente e tal e cousa e lousa e maripousa, se quiser romper com o estabelecido, terá de romper com o dogma dos dois volantes, o que, nesse São Paulo, não é tão complicado, pois lá está Cícero, jogador exato pra atuar ao lado do volante, que pode ser Thiago mas não deve ser Rodrigo Caio, excelente zagueiro, fraco meio-campista.
Mas, mesmo com todas as deficiências e a goleada no lombo, dá pra perceber algo ainda possível nesse time do Rogério, algo que só o tempo dirá, claro.
Quanto ao Corinthians, onde o técnico Carille deseja seguir os passos de Tite montando um sistema defensivo mais sólido, os primeiros e pálidos sinais são positivos nesse sentido. Falta o resto – armação e ataque.
Na armação, a presença de Felipe Bastos ao lado de Gabriel é redundante – ambos marcam, nenhum deles cria. Ao contrário, por exemplo de Camacho ou Rodriguinho, que cumprem essas duas tarefas sem sobressaltos.
É verdade que o setor de criação ganhará alguns pontos a mais com a chegada de Jadson, um meia que se dá melhor lá na frente, mais próximo dos atacantes. E aqui, enquanto Pottker não vem, Jô parece disposto a dar conta do recado.
Mas, Pottker só chega depois do campeonato, e Jadson levará ainda um tempinho pra recuperar sua melhor forma física, segundo informa a turma de Itaquera.
Logo, sugiro que Carille passe Marlone para a direita, onde ele melhor se houve um tempo atrás, e providencie a volta na esquerda de Marquinhos Gabriel, que só precisa de um pouco de apoio do técnico e da Fiel para voltar a jogar sua melhor bola.
Por fim, o campeão brasileiro, dono do mais ilustre e abrangente elenco do país, deve mesmo aproveitar esse torneio pra ir testando as inúmeras formulações à disposição do técnico Eduardo Baptista, mesmo que isso custe algum tropeço neste momento, pois o que vale pro Verdão está mais à frente: a Libertadores e o bi brasileiro. E que a torcida verde compreenda isso, apesar de todo o seu entusiasmo, recolhido por tanto tempo.
E o Palmeiras ? Será que é isso tudo mesmo ? ,,,Parece que isso tudo é o Santos, viu !
A desgraça do volante chegou ao Náutico no Recife. O time é vítima seguida ano após ano deles e nada, ninguém põe fim a essa praga. Se os ditos diretores de futebol não enxergam o drama a mídia esportiva que deveria fazer uma análise mais isenta e esclarecedora nada faz pois no fundo padece dessa verdadeira síndrome que se apossou do futebol brasileiro. Para encurtar a história o time perdeu o acesso à série A ano passado por culpa de um esquema cujo pilares se apoiava sobre dois volantes cujas características são aquelas que já conhecemos dos nossos volantes: lentidão, passe ridículo e uma capacidade inigualável de fazerem faltas desnecessárias. resultado é que o time perdeu 5 partidas decisivas sendo que se ganhasse duas estaria classificado.
Começo de ano, vida nova. O time contrata Dado Cavalcanti as esperanças da torcida do Náutico se renovam afinal Dado era um técnico bem recomendado principalmente pela sua postura ofensiva pelos times que passou. Começa o campeonato e o que faz Dado? Resgata justamente os dois responsáveis remanescentes pela derrocada na série B. Ananias e Rodrigo Souza não se sabe bem porque cargas d’água continuam “prestigiados” e principalmente enterrando o time nos jogos até agora. Dado? Nem pisca em tirar eles do time, inventa um monte de desculpas bobas e mantém os dois que o levarão a perder o emprego em breve como aconteceu com Dal Pozzo, Gallo e Givanildo.
A torcida do Nautico gosta é do Lisca ! Volta Lisca !
É verdade. Lisca Doido foi muito bem recebido é pena que começou bem e sucumbiu à tentação dos famigerados brucutus.
Dado Cavalcanti me ouviu. Não é que ele tirou os dois brucutus do time titular para o jogo de hoje contra o Carcará na Arena! Isso prova que o Blog do Alberto Helena é globalizado e lido em todo país. O que é de espantar é que a mídia de lá trata as mudanças corretas do Dado como “desfalques para o jogo de hoje”. Ou seja, os repórteres esportivos do JC escrevem maravilhosamente bem sobre um erro clamoroso. O meio de campo agora está muito mais criativo, o time vai jogar bem mesmo enfrentando o forte Salgueiro, o Carcará do Sertão.
Helena, quanto ao São Paulo, clube no qual eu torço, acho que esse presidente Leco é muito devagar, quase parando. Não dá para deixar de reforçar o time, Técnico, por melhor que seja, não faz milagres. É preciso urgente de mais atacantes e, principalmente, de laterais de qualidade. Esses que estão aí são fracos. Se bem que Bruno ainda pode melhorar, já jogou mais. Esse Buffarini, sei não. E por fim, Pimenta já se candidatou, tomara que ganhe. E Leco, vê se com esses 50 milhões da venda de Neres gaste um pouquinho em contratações.
Alberto:
O Paulistão é o mais antigo campeonato do País, rendendo R$ 17 milhões a cada grande, só para participar das 12 primeiras rodadas (mais que a Libertadores, com um terço das despesas desta), fora o que ganha no mata-mata e pelo título (mais uns R$ 3 milhões?).
Uma boa experiência seria disputar os estaduais no 1º semestre, valendo vagas para um Brasileirão no 2º semestre (igual é na Libertadores). Aí o bicho ia pegar, pois só disputaria o Brasileiro aquele que se desse bem no Estadual.
Nossa, Olavo! Que cheiro de anos 80!
Bçs
Caro Cleber
Naquele tempo, o Brasil ganhava títulos e dava show em campo. Daí, começamos a vender tudo para a TV, verdadeira “organizadora” disso que está aí (parece que você prefere como está – os 7 x 1 que o digam!!!).
Disputar um Brasileirão em 38 rodadas, num País enorme, com climas muito variados e grandes distâncias, jogos nos meios e fins de semana… dá nisso que está aí, com custo x benefício muito fraco para os clubes.
Na Europa, as distâncias são mínimas, com pequenas viagens, a maioria de ônibus, bate-e-volta, sem hotéis, clima igual para todo mundo.
No Brasil, bastava um turno, com 19 jogos, encaixados nos fins de semana do 2º semestre. Estaduais ao longo do 1º semestre, com 45 dias de pausa para a Seleção em Junho/Julho.
Vide o futebol americano, disputado de Setembro ao fim de Janeiro/início de Fevereiro, em 5 meses, sobrando dinheiro para o ano inteiro.
Forte abraço