
Na estreia no Paulistão, o Palmeiras de Eduardo Baptista, se não chegou a encantar, pelo menos cumpriu o dever de casa, no Allianz Parque. Com um tiro certeiro de canhota, rasante, de Tchê-Tchê, o Verdão venceu o Botafogo de Ribeirão sem muitos sustos. Só alguns, no finzinho do primeiro tempo.
Vale, porém, exaltar o trabalho do jovem Roger Guedes em meio a tantos famosos do Verdão: ajudou sempre na marcação pelo seu lado, driblou, cruzou e puxou com velocidade os contragolpes de sua equipe quando isso se fazia necessário.
Em contrapartida, o celebrado Felipe Melo foi discretíssimo ali na função de cabeça-de-área, assim como Michel Bastos, que entrou no segundo tempo, e William, que saiu no intervalo.
Quanto à tão decantada mudança no sistema de marcação – de homem-a-homem pra zona – não percebi nada de relevante. Mesmo porque o sistema utilizado por Cuca, ao contrário do que se propaga por aí, nem na China era a homem-a-homem, a não ser em circunstâncias especiais em que este ou aquele pegava um adversário de Cristo.
De qualquer forma, foi apenas o primeiro passo, sempre cauteloso, de uma temporada que se prenuncia braba, em todos os sentidos. E o Paulistão é pra isso mesmo: o técnico fazer as devidas experiências até encontrar o jeito certo de jogar e o time ideal.
Nesse aspecto, a tarefa de Rogério Ceni, que estreava no comando do São Paulo em jogos oficiais, era muito mais árdua.
Sem dispor do elenco milionário do Verdão, foi a Barueri pegar nenhum outro senão o vice-campeão paulista, o Audax de Fernando Diniz. Resultado: 4 a 2 para os vermelhinhos de Osasco.
Mas, atenção! Apesar da goleada sofrida, não se pode dizer, isentamente, que o time foi simplesmente um desastre total.
Não foi. Teve até um momento animador, quando saiu dos 2 a 0 contra para empatar a partida ainda no primeiro tempo, graças, sobretudo, à entrada de Cícero no lugar de Wellington Nem, que saiu machucado, aos 27 da etapa inicial.
Cícero, claro, deu mais consistência ao meio de campo tricolor, principalmente porque Cueva, exceção feita àquele passe preciso para Chavez fazer um dos seus dois gols e aquela cobrança de falta na trave, esteve mal ao longo de toda a partida. Como Rodrigo Caio e Thiago Mendes não sabem armar, o time sofria demais nesse setor.
Acima de tudo, porque o Tricolor não tem um lateral sequer capaz de permitir a abertura de jogo, forçando as ações pelo meio o tempo todo. Bruno, que, no Flu, era um lateral-direito ofensivo, tem sido cada vez mais retraído nessa sua fase no São Paulo. E Buffarini, se é um lateral-direito discreto, destro como é, na esquerda, então, é de uma inutilidade absoluta: recebe a bola na esquerda e toca de direita para o companheiro mais próximo no meio.
Além do mais, esteve no centro de dois gols adversários: no primeiro dividiu uma lambança com Maicon; no segundo, cometeu pênalti primário.
Enfim, do ponto de vista individual, de fato, só o menino Luís Araújo merece destaque: circulou pelo ataque sem cessar, driblou, cruzou, deu passes essenciais e foi o que mais tentou o gol adversário com seus chutes longos.
Confesso que não queria estar na pele de Rogério, embora dê pra ajeitar as coisas até o fim do Paulistão, que não passa, afinal, de um campo de provas para os grandes da província.
NA LINHA DO GOL
E esse capetinha abençoado desde o batismo? Salvou o City de Guardiola de um vexame, com dois gols de puro instinto e oportunismo, e saiu de campo com o troféu de melhor jogador da partida, aos cânticos de louvor da torcida azul. O quê? Se isso vai subir à cabeça do menino Jesus? Por tudo que sabe do garoto, acho pouco provável. A mãe nã0 deixa, segundo suas próprias palavras. Então, bola pra frente, moleque, que a estrada é longa e bem iluminada.
Alberto Helena Jr.
Excelente e cirúrgico texto, acho que o melhor texto do jornalismo esportivo do Brasil, de forma correta e imparcial deu méritos a quem teve e críticas a quem merecia, diferentemente de outros pseudo jornalistas como o Chico Lang que como gambá recalcado destila seu veneno principalmente com relação ao Verdão. Saudações palmeirenses.
Sempre respeito muito seus comentários. No entanto. não vejo muito futuro para o SPFC. O elenco atual é muito pior que o elenco do início do ano passado. O Rogério não é técnico. Ele não consegue avaliar as limitações do time e acha que este deve se impor. O SPFC tem um dos piores elencos do Paulistão, embora seus jogadores ganhem 10 vezes mais que a maioria dos elencos dos demais clubes.
Já fazem 15 anos que o glorioso SPFC vem, ano a ano e progressivamente, se apequenando. E, ninguém faz nada!
Volta Patón !