O jogo dos treinamentos

Rubens Minelli. (Foto: Acervo/Gazeta Press)

Meu querido amigo Mestre Rubens Minelli, que, ao inverter o triângulo do meio de campo para a entrada de Caçapava (depois, Batista) ao lado de Falcão instilou o vírus maldito dos dois volantes no nosso futebol, gabava-se de ter mais de sessenta jogadas ensaiadas naquele Inter bicampeão brasileiro de 75/76.

Não só de bola parada, mas, sobretudo, com a bola rolando.

Minelli era adepto do chamado treino alemão, muito em voga na época lá pelos estranjas. Era o treino com bola, em campo reduzido, golzinho pequeno, em que se estimulava a troca de bola rápida – no máximo, dois toques.

Mas, quando, anos mais tarde, cobrei de Telê a ausência das tais jogadas ensaiadas na Seleção, levei uma traulitada pelo telefone:

– Esqueça isso, Helena! Futebol é conjunto, e conjunto só se obtém com treinos coletivos.

E era assim que Telê levava seus times a campo na hora de treinar: titulares contra reservas ou juvenis, parando o treino cada vez que precisava ajeitar um setor da equipe. De resto, eram cobranças de escanteios, de falta, cruzamentos e chutes a gol.

Aliás, era assim também que agia Luxemburgo em seus instantes de glória.

Estou lembrando isso a propósito do momento atual do futebol brasileiro, em que surgem novos treinadores e se dissemina o conceito de que carecemos de novos métodos de treinamento, de preferência, importados dos grandes centros europeus.

Antes de mais nada, quero dizer que não sou contrário ao novo, na mesma proporção em que abomino o saudosismo impresso naquele clichê antigo que se repete a cada geração, desde sempre: ah, os bons tempos…

Que bons tempos, meu? O que foi bom pra você foi um horror pro seu vizinho e assim vai.

Assim como os bons tempos podem ter sido, de fato, maus, o novo nem sempre é novo e bom.

Estou falando essas coisas porque tem sido recorrente a gente ouvir de jogadores e treinadores que o time ainda não adquiriu entrosamento e tal e cousa e lousa e maripousa.

Claro, todo início de temporada é marcado por essas imprecisões.

Mas, será que esse entrosamento não se apressaria caso os treinadores optassem mais pelos coletivos do que pelos tais exercícios da moda?

O que se dizia nos tempos em que o coletivo era o rei dos treinos? Que os times jogavam por osmose, os jogadores sabiam onde seus companheiros estavam e passavam a bola sem olhar.

Nem de longe estou aqui propondo que se rasgue tudo o que foi escrito e experimentado nos últimos tempos. Certamente, há muita coisa de positiva nos novos treinamentos, embora o costumeiro fechamento à imprensa dos exercícios praticados em geral pelos times impeça melhor avaliação.

Muito menos prego a volta aos exaustivos treinamentos físicos seguidos de coletivos de outros tempos.

Mas, que tal, um balanço, hein?

Afinal, tudo isso só tem um objetivo: fazer o time jogar em conjunto com fluência e eficácia.

Infelizmente, não é o que se vê com frequência em nossos campos, com raras exceções.

11 comentários

  1. Há algumas razões para a extinção dos treinos coletivos, erradas na minha opinião, mais há. Primeiro é que nenhum treinador hoje quer se expor a perder por exemplo 3 coletivos seguidos para o time reserva e ser defenestrado pela mídia e pela torcida correndo o risco de ser demitido sob a acusação de “nem treino coletivo o time ganha”. Segundo, nesses treinos é normal o destaque de jogadores que não figuram na lista de “escolhidos” e isso adiciona mais pressão sobre o técnico. Então, eles preferem o treino tático com menor pressão ambiente também propício para aqueles jogadores enganadores que tem o seu ciclo no time perpetuados. Ou você acha que cabeça de bagre gosta de treinar coletivamente principalmente com a presença da imprensa e da torcida por perto? Óbvio que os técnicos alegam a falta de tempo, o medo de contusões e desgaste como desculpas

    1. J. Sardinha voce acertou o porque de não mais treinar coletivo ,pois já acompanhei futebol é isto mesmo que acontece.Certa vez estava acompanhando o treino de titulares X reserva e já no fim do treino os reservas estavam vencendo por 3X0 então faltando alguns minutos me retirei e a noite a surpresa , escutando comentarios de radio e o locutor falou que o treino foi movimentado e com 6 gols o treinador que estava apitando arrumou faltas e penaltes para “aperfeiçoar as cobranças” e empatou o treino.

  2. Helena , me desculpe mas aquele Inter de 75/76 era um super time e os tres jogadores citados Batista Caçapava e Falcão todos com passagens na seleção eram otimos jogadores e cada qual fazia sua função com categoria.

  3. Acho que o conjunto, através exclusivamente do coletiivo, no futebol. .é importante,,. mas não é o mais importante,,.. em um time de futebol,,.acho que o mais importante é o detalhe,..na formação individual de cada atleta,,.que pode ser, através, de treinamento técnico e físico em conjunto de cada jogador individual,,.aí sim,,. depois disso,,.. pode vir,,. todos os quesitos,,.. dois toques,,.conjunto, coletivo,,. etc .Se não vejamos,,…porque que atualmente os europeus,,.ganham bem mais da gente? é porque êles sabem mais que nós? não é….;é porque êles compram os jogadores com melhores fundamentos. Só isso ou apenas isso.

  4. Meu técnico inesquecível: rases de Gentil Cardoso, técnico de futebol dos anos 50 e 60.
    07. Gilberto Maluf, Blog História do Futebol Add comments
    fev
    16
    2008

    Técnico de futebol, Gentil Alves Cardoso nasceu a 05 de julho de 1906 no Recife, fez de tudo na vida: foi engraxate, garçom, motorneiro, padeiro e militar (marinheiro).
    Gentil Cardoso nunca foi jogador, exerceu apenas as funções de técnico. E ficou famoso não tanto pelas conquistas nos times que dirigiu, mas muito mais pelas frases de efeito que cunhou e que ainda hoje são bastante repetidas no mundo do nosso futebol.

    Gentil Cardoso morreu no Rio de Janeiro, a 08 de setembro de 1970.

    FRASES

    “Daqui pra frente, quero todo mundo indo pra cima e chutando a bola pra dentro da área de qualquer ângulo. Sabe como é: contra time pequeno, bola na bunda é pênalti.”

    “A bola é de couro, o couro vem da vaca, a vaca gosta de grama, então joga rasteiro, meu filho”.

    “Quem se desloca recebe, quem pede tem preferência.”

    “O craque trata a bola de você, não de excelência.”

    “Só me chamam pra enterro, ninguém me convida pra comer bolo de noiva.” (Porque sempre era chamado pra treinar times em crise)

    Gentil Cardoso foi o criador de expressões como:

    Cobra – Para definir um grande jogador; um craque que, como a cobra, é perigoso.

    Zebra; deu zebra – Quando, por azar, um time favorito perde o jogo para um bem mais fraco (Gentil teria se inspirado no jogo do bicho do qual não consta o animal zebra e, portanto, seria um resultado praticamente impossível)

    “Eu estou com as massas, e as massas derrubam até governos.”
    (Com a proximidade do final do Campeonato Carioca de 1952, cresciam os boatos de que Gentil Cardoso seria demitido assim que a competição terminasse. Só que o Vasco foi campeão e, na festa do título, carregado em triunfo nos braços da torcida, Gentil proferiu essa famosa frase. Acabaria demitido no dia seguinte.)

    Curiosidades
    Também tem uma contada pelo jornalista Cipião Martins, quando Gentil era técnico do Bangu que excursionava pela América do Sul e ia fazer um jogo na Costa Rica.
    – “Gentil me apresentou como técnico e disse que ele era o Kid Gavilan Cardoso, o maior árbitro do futebol brasileiro. E foi convidado para apitar a partida. Gentil apitou e o Bangu venceu. Dentro do campo, ele dava orientação a seus jogadores”.

    GENTIL EM PERNAMBUCO

    Suas vindas a Pernambuco também repercutiram por conta das posturas polêmicas que adotava.

    Em 1960, por exemplo, quando treinou o Náutico, Gentil não queria decidir o título com o Sport numa melhor-de-três (coisa que aconteceria se os alvirrubros derrotassem o Santa Cruz no último jogo do segundo turno) e, então, para aquele jogo ele escalou um time reserva.

    O resultado? Não deu outra: o Náutico perdeu para o Santa por 3×1 e, o que é pior: com dois gols contra dos zagueiros alvirrubros. Os jornais recifenses condenaram o “fato tão escandaloso”, ao que Gentil respondeu que viera pra ser campeão, não para agradar a imprensa.

    E, realmente, ele acabou alcançando seu objetivo: o Náutico disputou a melhor-de-três com a Santa e conquistou o título. Aliás, naquele 1960, Gentil obteve outra vitória: pôs fim ao racismo no Náutico que, desde sua fundação, jamais havia contratado um técnico ou jogador negro.

  5. O primeiro time a jogar com 2 volantes no Brasil e no 4-4-2, foi o Cruzeiro de 69 com a retirada do centroavante e a entrada do Zé Carlos para fechar o meio q os ultra-ofensivos Tostão e Dirceu deixavam aberto a contra-ataques, equilibrando o time q antes parecia mais um 4-1-5. Os 2 volantes foram necessários a partir do momento em q os laterais faziam quase o papel de ponta e os antigos pontas ficavam pelo meio como no Fla de 80. Antes só havia um volante de contenção pq ou 1 ou os 2 laterais eram bem mais defensivos q ofensivos, como Everaldo em 70. Apesar dos Laterias “Santos” em 68 e 72 serem os primeiros a chegar no campo de ataque, sua preocupação era a defesa e depois o apoio, oq foi mudando entre 70/80 com Carlos Alberto, Marinho Chagas e Nelinho e depois com Junior/Leandro. O uso de 1 volante nos principais times de hj se deve mais a compactação e apoio dos meias na marcação (oq quase ñ havia em 80/90, por eles terem vindo das pontas), e mesmo assim vários desses times tem um lateral mais defensivo e outro mais ofensivo como o Barça do Pep

    1. Perdão, amigo, mas o Zé Carlos do Cruzeiro era um meia hábil, de refinadíssima técnica e muita movimentação, não volante, posto ocupado por Piazza naquele time. Zé Carlos só virou volante no Guarani, já veterano, em 78, naquele time mágico em que o meio de campo era formado por ele, o meia-armador típico Zenon e o meia ponta de lança Renato Pé Murcho.
      Quanto aos laterais mais ou menos defensivos, isso é recorrente ao longo da história. Zezé Procópio, já na década de 30, era um médio-direito que na formação clássica 2-3-5, da época, seria o lateral de hoje, e, no entanto, atacava. Tanto, que, quando da adoção do WM, na década seguinte, virou médio apoiador, o volante atual.
      Um abraço e obrigado pela colaboração.

      1. Eu que agradeço a atenção, apesar de discordar do Sr.. Zé Carlos foi o primeiro segundo volante da história e, qnd Piazza se lesionava, ocupava a 1ª volancia como no 5×4 contra o Inter no Mineirão em 76. Tenho grande apreço pelo que escreve e acredito que deveria escrever um livro sobre suas memorias da história do futebol brasileiro, pois vivenciou nossa época de ouro (58-82)(ao meu ver) seria de enorme utilidade para as futuras gerações respeitarem essa época maravilhosa.

      2. Ola novamente Alberto, estou aqui pq achei a fonte q prova q o esquema 4222 e o 1º 2º volante a frente da linha d 4 foi Ze carlos e o Cruzeiro: o proprio Zé carlos confirma e outras fontes: http://ftt-futeboldetodosostempos.blogspot.com.br/2011/01/o-craque-disse-e-eu-anotei-ze-carlos.html
        http://ftt-futeboldetodosostempos.blogspot.com.br/2010/05/craque-da-semana-ze-carlos.html
        https://tardesdepacaembu.wordpress.com/tag/ze-carlos-meio-campo-do-cruzeiro/
        olha oq acha

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