É isso aí: 6 a 0!

Foto: AFP PHOTO / Odd Andersen
Foto: AFP PHOTO / Odd Andersen

Há quanto tempo o amigo não tinha o prazer de ver uma Seleção Brasileira – titular ou sub qualquer coisa – meter 6 a 0 num adversário, fosse ele quase fosse?

Pois é.

Mais importante, porém, do que a goleada em si sobre Honduras, foi a arquitetura do nosso jogo, verdadeiro resgate dos tempos em que isso era praxe entre nossas equipes e seleções: time bem distribuído em campo, com cada um nas funções próprias de suas características, numa articulação progressiva da defesa ao ataque, velocidade e liberdade para a criação individual visando o coletivo.

E, de quebra, um craque excepcional rompendo com o lugar-comum e destruindo o equilíbrio técnico e emocional do adversário: Neymar, claro, autor do gol de abertura, aos catorze segundos de bola rolando, recorde olímpico de presteza.

Gol, aliás, que deu o tom do nosso time, já que, na primeira indecisão do zagueiro Palácios, Neymar estava lá atacando o inimigo, roubando-lhe a bola e dividindo com o goleiro.

Essa marcação dos nossos avantes já na saída de bola de Honduras, com todo o time compacto – os zagueiros e o meio-campo avançados – foi uma tônica ao longo de toda a partida, alternando-se, claro, com o devido recuo quando a bola ultrapassava essa linha de ataque-defesa.

De resto, era Wallace cumprindo as funções de âncora no meio de campo, enquanto Renato Augusto distribuía as jogadas como autêntico meia-armador, função que desprezamos durante anos e anos, e Luan,um pouco mais à frente, juntando-se ao ataque móvel e veloz, na qualidade de verdadeiro meia ponta de lança,

E, lá na frente, três jovens hábeis e rápidos na decisão e nos movimentos, sem posição fixa, o que embaralha a cabeça de qualquer defensor: Gabigol, o menino Jesus e Neymar.

Assim, o Brasil chegou aos 3 a 0 no primeiro tempo, com mais dois gols de Gabriel Jesus, em jogadas tramadas entre Gabigol, Neymar e Luan. Entre o quarto, de Marquinhos, em cobrança de corner, e o sexto, de Neymar, de pênalti, dois lances de bola parada, mais um urdido com vertiginosa troca de passes entre Gabigol e Felipe Anderson, que entrara no lugar de Jesus, finalizada por Luan sob a trave.

E olhe que jogando dessa forma, altamente ofensiva, contrariando todos os cânones adotados nos últimos anos por nossos treinadores, esse time de Micale não levou um único gol. Mais do que isso: raramente o goleiro foi molestado, ao longo de todas as partidas, o que nos leva  à velha e tão desprezada máxima de que a melhor defesa é o ataque.

Basta ter aquilo roxo e uma mente aberta.

Não sei se vamos conquistar o ouro olímpico no futebol pela primeira vez na história. Só sei que vou torcer para isso. Não por pachequismo e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, na esperança de que esse feito avalize o avanço, que no fundo é um retorno à nossa escola de jogar bola, e contamine o time principal a ser montado por Tite. De preferência tendo essa mesma equipe como base, pois com raras exceções, sobretudo nas laterais, não vejo nenhum outro muito superior aos que aqui estão.

Mesmo porque esse time foi se entrosando ao longo da competição, e, se pregar a medalha de ouro no peito, estará mais em ponto de bala para disputar o próximo jogo das Eliminatórias do que qualquer outro que eventualmente Tite venha a montar sem o devido tempo de treinamento, como de hábito.

5 comentários

    1. Neymala é um gênio da bola e um craque da mesquinharia. O cara não deixa nem um companheiro bater tiro de meta. Ele é mais aparecido que cinturão de soldado. Neymala se pudesse bateria escanteio e faria o gol de cabeça de tão egoísta que é. Neymala a seleção não é só você,são mais 10 aprenda a dividir com seus companheiros.,

  1. Uma final com a Alemanha ,pode estar a oportunidade de devolver o 7×1 ,pois o time alemão esta sem sua força que é o entrosamento e o jogo coletivo e técnicamente é fraco.Enquanto o time de Micale esta em franco crescimento dentro da competição e jogando coletivamente o que é raridade na seleção .

    1. Melhor focar na simples vitória, nos 90 minutos. Uma eventual resposta dos 7×1 é quase impossível e esse desejo tira o foco na medalha de ouro, esta sim, INÉDITA.

      1. Verdade Olavo! mas o time de Micale pode aparecer com esta surpresa pois tem jogado simples e objetivo ,nas ultimas partidas soube fazer o jogo fluir e construir o placar mostrando autoridade e soberania

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