Por que tantos gringos?

Foto: AFP
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É bom nossos técnicos e repórteres aprenderem rapidamente o espanhol, de preferência o portenho com tintas de lunfardo, pra se comunicar com essa legião de gringos que assomaram nossos campos de futebol.

Espie só o São Paulo, que acaba de trazer Andrés Chavez, do Boca, e segue mirando o lateral Buffarini. Com este, teria mais de meio time de gringos em campo: Buffarini, Lugano, Mena, Centurión (arre!), Chavez e Cueva, sem falar em Wilder, que nunca joga. Mas, neste caso, o técnico já sabe de cor e salteado a própria língua.

O amigo poderá dizer que o São Paulo, desde o mítico Don António Sastre, que desembarcou no Tricolor no início dos anos 40, vários argentinos e uruguaios desfilaram com sua gloriosa camisa por nossos campos: Renganeschi, Poy, Albella, El Atómico, assim batizado pelo inesquecível Geraldo José de Almeida, Forlan, Dario Pereyra, Pedro Rocha e alguns mais.

(É bem verdade, que, em contrapartida, trouxe  no passado uma série de bagulhos tipo Prospit, Martino etc.).

Mas, o fato é que, embora o futebol brasileiro tenha importado jogadores de porte da Argentina, do Uruguai, do Paraguai, o que ocorre hoje é uma banalização generalizada. Gringos espalhados por nossos campos, da Série A à B, passaram a ser uma prática comum a quase todos os nossos clubes.

Dizem que é o poder da grana. Fica mais barato trazer um deles do que adquirir os serviços de um brasileiro por aqui mesmo. Business is business, dizem por aí.

Sucede que tenho cá minhas dúvidas que esse batalhão de estrangeiros possa melhorar o nível técnico dos nossos times, pois, na sua imensa maioria são a raspa do tacho de um futebol, como o nosso, em baixa. Prova disso, a recente conquista do Chile na Copa América, e a atual disputa entre equatorianos e colombianos pela Libertadores. Isso, resumindo-se à América do Sul, pois,  no cotejo com os grandes europeus…

É fato que há exceções, como Cazares, no Galo, e Cueva, no próprio Tricolor, que, por sinal, não são do chamado Cone Sul.

O problema é que, pela extensão deste imenso Brasil, sua população muito maior que a dos nossos ilustres vizinhos, e por ser a mais produtiva usina de jogadores de futebol – o atalho imediato para essa massa de miseráveis escapar da miséria endêmica -, não dá pra fazer essa conta: como pode ser mais barato importar artigo estrangeiro, se há sobra de talentos por aqui que nascem e morrem no anonimato?

Já sei. Vão dizer que é por culpa dos empresários que chegam antes aos talentos nascentes e elevam seu valor acima dos demais. É mesmo? Quer dizer que esses estrangeiros todos não têm empresários cúpidos como os nossos? São todos modestos negociadores que só desejam o bem de seus pupilos e dos clubes brasileiros?

Ou será porque essas negociações todas são feitas em dólar, que, nesse vaivém de fronteiras, ganham descaminhos inconfessáveis?

Sei lá. Só sei que não é por xenofobia que falo essas coisas, não. É simplesmente porque, na minha imensa ignorância, não entendo bem esse negócio chamado futebol brasileiro.

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3 comentários

  1. Alberto, acho que é um pouco de tudo! Investir na base é um negócio de risco, já que, de dezenas ou centenas de jovens jogadores, na média, só um ou dois dão frutos. Além disso, em negociações, há os famosos intermediários que abocanham o seu quinhão. Outro ponto é que os dirigentes precisam contratar reforços para satisfazer as torcidas. Como matéria prima com qualidade é cara (e rara!), recorre-se à América do Sul, pois os salários de lá são inferiores e seduzem os profissionais. O que vc acha que levou o atacante Copete largar um semifinalista da Libertadores para vir jogar no Santos? Amor ao novo clube? Perspectivas? O cara veio p ser reserva! Logo…
    Pior seria se nossos salários fossem inferiores!

    Abraços

  2. Acredito que temos um acordo chamado Mercosul e logo estamos fazendo cumprir tal acordo onde milhares de sul americanos transitam pela américa do sul. No futebol é o mesmo e com um detalhe….no caso dos argentinos, eles dão um toque de alma que anda faltando aos times brasileiros.

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