Que tal essa ideia?

Foto: Lucas Figueiredo/Mowa Press
Foto: Lucas Figueiredo/Mowa Press

Um dos maiores problemas que o técnico da Seleção Brasileira enfrenta – qualquer que seja ele – é a falta de tempo para treinar e entrosar um time com jogadores vindos de todos os cantos da diáspora tupiniquim.

A turma se reúne na segunda-feira, tira o avião do corpo na terça e entra em campo no dia seguinte.

Quando, em situações especiais, tipo Eliminatórias e Copa América, vá lá: o cara tem uma semaninha pra ajeitar o time mais ou menos com a obrigação de apresentar um futebol de primeira, de acordo com o imaginário do torcedor, onde ainda se preservam imagens encantadoras de um passado cada vez mais distante.

E como fazem os outros, aqueles campeões recentes, que exibem um futebol conectado coletivamente e aprazível de se ver, além de eficiente?

A Espanha bicampeã europeia e do mundo, tinha o Barça como base. A Alemanha, atual campeã mundial, o Bayern, e assim vai.

O diabo é que não temos por aqui um, dois ou três timaços que serviriam de suporte para a Seleção, como, por exemplo, em 70, quando Santos, Cruzeiro e Botafogo serviram de base para a maior campanha de um time nos Mundiais de todos os tempos.

A solução, nesse sentido, seria, então, montar nossa equipe nacional com setores entrosados nos times já formados, daqui ou de fora.

Por exemplo: se o técnico optar por um conceito de jogo mais ofensivo, ao gosto do torcedor brasileiro e de acordo com as nossas mais caras tradições, já pode colher os frutos do trabalho de Dorival Jr. no Santos, o time que pratica o jogo mais agradável do Brasil na atualidade, segundo a maioria dos opinadores, inclusive meu querido Muricy, que domingo esteve lá no Mesa Redonda do Flavinho.

Já teria de cara um meio de campo hábil, jovem, mesclado de um veterano ainda em plena forma, e de viés claramente ofensivo: Thiago Maia, Renato e Lucas Lima. Os três abastecendo um ataque lépido e fagueiro, com Douglas Costa ou Gabigol, Gabriel Jesus e Neymar, ataque, aliás, que deverá ser testado nas Olimpíadas.

A zaga já viria pronta do PSG: Thiago Silva e David Luís. Só teria que improvisar nas laterais, posições que têm uma função mecânica, sem muitas variações, portanto mais fáceis de se adaptarem a qualquer formação de meio. Nesse caso, digamos, Fagner, pela direita, e Marcelo, pela esquerda. No gol, aquele que estiver em seu melhor momento, dentre tantos à disposição.

Dessa forma, o sistema adotado seria o 4-3-3, tão moderno como antigo, aplicado pelos principais times do mundo com pleno êxito.

Além do mais, não há, afora os citados, outros de técnica e habilidade muito superiores às deles que poderiam ser aproveitados no banco e participar de um rodízio inevitável, seja por questões físicas, seja por estratégias de jogo.

É apenas uma ideia semeada numa terra em que se plantando tudo dá, menos ideias.

NA LINHA DO GOL

Caraglio, não!, gritou na hora a diretoria tricolor, num rasgo de bom senso. Trazer um jogador argentino com esse sobrenome de pronúncia tão comprometedora seria abastecer os torcedores inimigos de farto material de gozação sobre o time que já é chamado por eles de Bambi. Nem sei se o jogador é bom ou não, só sei que o marketing no mundo atual é uma poderosa alavanca, tanto para o sucesso quanto para o fracasso. E o preconceito, sobretudo no futebol, talvez seja ainda mais poderoso.

Diego, o amigo de Robinho, está sendo repatriado pelo Flamengo. Meia de extrema habilidade, pilar da conquista caiçara em 2002, chega pra dar um toque de classe ao meio de campo do Mengão, que, aliás, está precisando disso como a maioria dos nossos times. Só não sei como anda jogando o moço.

Por falar em Robinho, quando desembarcou no terreiro do Galo, boa parte da mídia espiou o lance de esguelha. Afinal, se não serviu pro futebol chinês… Robinho já era, foi o carimbo final. Pois, aí está o nosso rei das pedaladas esmerilhando no Atlético. Não só jogou muita bola ontem, como, com os dois gols marcados, passou a ser o artilheiro do time de Fred e Pratto, goleadores natos.

 

6 comentários

  1. Alberto gosto muito de seus comentarios mas dizer que Robinho esta esmirilhando , brincadeira .
    Jogou bem mas para o que recebe os Atleticanos queria que ele fosse o grande nome da Libertadores .
    Espero que pelo menos ele ajude ao Atletico ganhar o Brasileirao que faz seculos que nao ganha
    Ate agora o Robinho so fez sucesso no Brasil mesmo , o que deixa duvida pois a muito tempo o futebol no Brasil, é uma porcaria , terra de cego em futebol, entao quem tem um olho vira rei da cocada preta , mas quando vai la fora , a coisa fica feia.

  2. Eu acho que essa idéia é boa porém defendo com mais ênfase que se convoque o craque acima de qualquer outra solução. Um time formado por craques tem muito mais chances de dar certo. O craque se arruma em campo, supre deficiências de conjunto. No caso de você importar setores oriundos de times devemos lembrar que muitas vezes você se obrigaria a escalar jogadores que às vezes não tem um nível técnico apurado e isso pode fazer a diferença quando você enfrenta um time recheado de craques e também entrosado, dessa forma já entraríamos em desvantagem. Por exemplo no caso do Santos citado. O meio de campo é bom suporta adequadamente o ataque, porém, jogando no nível do brasileirão. A pergunta que fica é: Esse meio de campo com um Renato já em fim de carreira encararia uma seleção da Espanha? Essa é a grande questão. Já no caso de mesmo convocando jogadores de times diferentes porém priorizando o craque, acho que teríamos muito mais chances. O problema maior é que os técnicos brasileiros hoje não escolhem nem uma nem outra dessas soluções. O que ele fazem é escolher jogadores que se adaptem a seus esquemas imaginários quer o cara seja craque ou não, e muito menos escolhendo determinados setores formados por dois ou mais jogadores que façam sucesso nos seus times. Portanto, eu diria para resumir, que o técnico tenha bom senso e convoque os melhores em cada posição e tenha a suficiente imaginação e criatividade para improvisar na posição que não tiver uma opção de qualidade.
    Eu sempre afirmo que um treinador inovador, de coragem tem grandes opções por exemplo no meio de campo, mais de novo ele precisa de coragem e quebrar paradigmas. Não dá mais para perder tempo com Elias, Fernandinho, Luiz Gustavo, etc. Tite se tiver um pingo de coragem(tenho seríssimas dúvidas) convoca um meio de campo técnico por excelencia há jogadores para isso, inclusive novos. temos Marquinhos Gabriel, Lucas Lima, Ganso, Oscar, Rafinha Alcantara, Willian Aarão e não descartaria o Robinho. Na frente Neymar, Gabigol, Gabriel Jesus, Douglas Costa, Luan, Lucas Moura. É por ai, chega de inventar jogadorzinho e jogar na retranca.

  3. Sr. Helena, eu tinha mandado essa pergunta no domingo passado para o Muricy. Se não era hora de fazermos como em 82 e 86, montarmos uma seleção com jogadores que estão jogando aqui. Esqueçam desses mercenários que estão lá fora, inclusive o Neymídia. Meu Deus, será que não conseguimos montar uma Seleção? Lógico que dá. Mas falta vontade e a ganância por dinheiro não deixa.

    Obs: Inclusive dá um toque no pessoal da Gazeta, inclusive a Srª Michelli, que recebe as perguntas por meio do Zap, pelo menos verem as perguntas. Todo domingo envio perguntas e vocês nem veem. Ou então tirem essa opção de envio de perguntas do ar pô!

  4. Estou completamente de acordo com você, Alberto. Na verdade, estou propondo esta ideia à amigos já faz um tempo. O futebol é um jogo coletivo. Quando dizemos que a seleção deve premiar o melhor momento, não deveríamos só falar dos momentos de jogadores individuais, mas também do melhor momentos de unidades em equipes. Se o melhor meio do campo é do Santos, deveríamos leva-lo todo. Se a melhor defesa é a do PSG, deveríamos leva-la toda. Não importa se o Renato não é o melhor volante do momento. O que importa é que ele joga no melhor meio campo coletivo. Eu não sou fã do David Luiz, mas queiramos ou não, ele faz parte da melhor zaga que o Brasil tem. O saudoso João Saldanha, quem começou a magnifica arrancada da Copa de 1970, teve que lidar com criticas da imprensa de que a seleção não tinha um time-base. Ele resolveu o problema convocando um time formado em sua maioria por jogadores do Santos e Botafogo, os melhores times da época. O time ganhou todos os jogos da eliminatória, com show e goleadas. Mais tarde, a principal troca do Zagalo foi colocar o Rivelino no lugar do Edu, reforçando o meio do campo. Mas a seleção base era a do Saldanha, formada exatamente no principio que você está propondo. Parabéns pela ideia.

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