Deu branco no Brasil moreno

Atlético Nacional eliminou o São Paulo (Foto: Luis Acosta / AFP)
Atlético Nacional eliminou o São Paulo (Foto: Luis Acosta / AFP)

Essa quem me  contou foi o mestre Rúbens Minelli, um dos mais competentes e vitoriosos técnicos brasileiros, à época ponta-esquerda do Nacional da Capital.

Personagens: Caetano De Domenico, imigrante italiano, técnico de futebol, inventor da Cerrada e da Cerradinha, duas espécies de retrancas parecidas com o que hoje se vê por aí em nossos campos modernos, e o negro Charuto, meia-direita que passou a vida jogando pelo Nacional. Época: começo dos anos 50.

Foi quando, sabe-se lá por que, o técnico resolveu escalar seu time só com jogadores brancos. E, a cada derrota acachapante, à descida para os vestiários, Charuto sussurrava aos ouvidos de de Domenico: “Precisa pintar esse time, seu Caetano”. E assim foi até que o treinador perdeu a paciência:

-Pintar o quê?

-Pintar de preto, seu Caetano. Precisa botar crioulo nesse time, se quiser sair dessa.

Lembrei dessa história ao pensar na decisão histórica da Libertadores deste ano. Histórica porque lá não estará nenhum time da Argentina, do Brasil ou do Uruguai, como de hábito. E, sim, representantes da Colômbia e do Equador, dois países que até outro dia eram sacos de pancadas e que agora ocupam posição de destaque tanto nas Eliminatórias da Copa do Mundo, lideradas pelos equatorianos, quanto no ranking da Fifa, onde a Colômbia está acima do Brasil pentacampeão do mundo e outros babados.

Aí o amigo espia os times do Nacional de Medellin e do Independiente del Valle, e o que vê? Dois bandos de alegres, criativos e velozes crioulos, praticando um futebol que espelha suas próprias identidades, algo muito próximo daquele Brasil moreno dos tempos de Charuto que desaguou no maior ataque da história do futebol mundial e que até quem não viu recita de cor até hoje: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Edu.

O fato é que deu branco no futebol brasileiro dos últimos tempos. Tá na hora de pintar de negro novamente, pois.

O Independiente derrubou o Boca Juniors (Foto: Eitan Abramovich/AFP)
O Independiente derrubou o Boca Juniors (Foto: Eitan Abramovich/AFP)

 

 

Um comentário

  1. Helena me desculpe ,mas o problema de nossos times ,nãp passa por este problema racial que voce coloca e sim a má formação em nossa escola de base e este furioso mercado da bola que assedia todas nossas breve promessas.Ontem estava assistindo o jogo doSantos x Ponte um diretor do Barça para olhar o Lucas lima .Há semanas atras foi tambem do Barça um outro diretor ver e encher os olhos e elogios para Gabriel Jesus e Roger Guedes do Palmeiras e assim nossos times não consegue manter um esquema e uma base solida em que jogadores se entendem dentro de campo..E enquanto times de mercado da Colombia .e Equador consegue montar grupo e como não saem todos os dias para europa e mercado asiatico seus times jogam coletivamente e isto é o que falta ao futebol brasileiro COLETIVIDADE.

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