
Se é que ainda haja resquícios da velha rivalidade entre Rio e São Paulo, caberá ao Majestoso deste domingo bater, em emoção e dinâmica, o clássico disputado na Ilha do Governador, neste sábado, por Botafogo e Flamengo.
Êta joguinho bom de se ver, sô!, como diria o mineiro, que não tem nada com isso.
O Botafogo, no primeiro tempo, botou o Mengão na roda, meteu bola na trave e praticou um futebol envolvente, lépido, incisivo, e…tomou o gol de abertura, com Everton, em contragolpe rápido e falha da zaga.
Mas, voltou pra cima, empatou com um tirombaço do excelente lateral-esquerdo Diogo Barbosa, mas voltou murcho para o segundo tempo, que o Mengo empalmou e disparou 3 a 1 com Jorge e Guerrero.
Eis, porém, que o jovem técnico Zé Ricardo cai na velha armadilha de arrecuar os arfos, como manda o figurino atual do nosso futebol, preencheu seu meio de campo de volantes e pagou preço alto por isso: 3 a 3, com gols de Neílton, aquele que seria o sucessor de Neymar no Santos sem ter sido, e do gringo Salgueiro, que girou sobre quatro adversários e meteu um balaço rasteiro no canto.
Diante disso, o que nos reservam Corinthians e São Paulo neste domingo? No mínimo, algo parecido, não?
Pode ser, pode ser. Mas, o favoritismo do Timão é tal que não dá pra prever um equilíbrio como o do clássico carioca.
Resta apenas torcer para que assim seja, em prol do futebol.
NA LINHA DO GOL
Ganso bateu asas e voou em direção ao Sevilha, onde encontrará, imagino, um ninho adequado ao seu talento. Avis rara no atual futebol brasileiro – um meia armador cerebral, de passe exato e surpreendente – desde aquele início espetacular no Santos, há seis anos, jamais foi acolhido pela mídia e torcida sem muitas restrições. Todas aquelas sequelas da síndrome do atraso que nos ata a um círculo de giz encantado: a mística deformada da Camisa 10, que de articulador passou a ser atacante, e a obsessão pela demonstração de raça, ainda que apenas uma demonstração, não um fato de fato.