Os ingleses inventaram o jogo e o vexame.

(Foto: Paul Ellis/AFP)
(Foto: Paul Ellis/AFP)

Os ingleses inventaram o futebol e o vexame. O primeiro foi lá nos anos 50, quando levou uma biaba histórica da Hungria de Puskas, em pleno templo do futebol, o centenário Wembley. Mas, o maior deles foi perpetrado nesta segunda-feira, na Eurocopa da França, quando perdeu por 2 a 1 para a Islândia, um iceberg vagando no Atlântico Norte e ocupado por uma população inferior a um décimo da de Londres, se meus cálculos não falham – e eles sempre falham.

Não sou do tipo que derrama compaixão pelos mais fracos, tampouco daqueles que invejam os poderosos, mas esse time da Islândia comove desde as Eliminatórias da Eurocopa, quando despachou, entre outras, a Seleção da Holanda, terceira colocada no Mundial do Brasil.

Comove pela organização de jogo desse time, onde o amigo não achará nem com lupa, entre esses tantos Sigs e Sons, um único jogador da categoria por exemplo de Wayne Rooney, autor do gol de abertura, de pênalti, logo no início do jogo para sumir de vez em seguida.

Os homens de gelo, porém, logo empataram para virar o jogo e estabelecer o placar final em falha do goleirão Hart, depois de bela trama no ataque.

Em seguida, plantaram-se com segurança lá atrás, enquanto os ingleses, contrariando sua vocação histórica, caíam numa absoluta abulia, até que, finalmente, entrasse em campo o menino Rashford, já nos últimos movimentos da partida. Insuficientes, porém, para que, ao menos, a Inglaterra levasse essa decisão para o tempo extra.

Bem, se a Inglaterra decepcionou, não se pode dizer o mesmo da Espanha, a bicampeã europeia, na derrota por 2 a 0 para a Itália, pouco antes.

Depois do jogo, o eufórico técnico da Itália, Conte, disse que seu time foi uma exata combinação de Barça e Atlético de Madri, abdicando do tradicional catenaccio (retranca) italiano.

Mais ou menos, acrescentaria. Ou melhor: mais Smeone do que Guardiola, embora realmente a Itália atual busque trocar mais a bola e envolver seus adversário. Assim foi durante o primeiro tempo. Mas, no segundo, sobretudo a partir dos 20 minutos, apelou para o velho estilo e resistiu à pressão incrível da Espanha, que carece de jogadores de ataque no mesmo nível da turma de armação.

Tanto, que as duas melhores chances da Espanha foram criadas pelo beque Piqué, que obrigou Buffon – sempre ele! – a fazer duas defesas providenciais.

Já do outro lado, De Gea falhou ao rebater pro meio da área cobrança de falta que permitiu ao beque Chielini abrir a contagem, logo no começo da partida. E, no final, quando mais os espanhóis pressionavam, em rápido contragolpe, Pellè aproveitou cruzamento da direita e selou o placar.

Dessa maneira, aí estão definidas as próximas rodadas das quartas de final.

Portugal, de Cristiano Ronaldo, enfrenta a Polônia de Lewandowiski com boas chances de seguir adiante, justamente pela presença do CR7, um desses caras que resolvem, embora cumpra discreta participação nesta Eurocopa.

A Bélgica, de futebol tão encantador, enfrenta o último representante britânico remanescente – o País de Gales, de Bale, na ponta dos cascos, e Ramsey. Opto pelos belgas, mas Bale…

Quanto ao outro jogo, ainda ontem não teria dúvidas em cravar França, apesar de suas atuações hesitantes nesta competição, diante da Islândia. Contudo, depois do que vimos hoje, tudo é possível.

Por fim, outro clássico europeu: Alemanha versus Itália. A Alemanha, tecnicamente, é muito melhor. Porém, a Itália é aquela eterna carne de pescoço, como provou diante da Espanha.

Enfim, meu amigo, trata-se de mata-mata, um tipo de disputa onde o acaso e a disposição anímica assumem ares de senhores do jogo.

 

 

 

8 comentários

  1. Ainda bem que parou de chover,pois um olfato de declarações futebolísticas tardiamente faz o correto formato alérgico dos caramujos,pois as vezes a preocupação dos pontos.

  2. Vexame inventou o Brasil no futebol. por conta de “profissionais” como vc e muitos outros, Qualquer cabeça de bagre vira craque no país e protagoniza o que estamos vendo de alguns anos para cá: a maior vergonha que já aconteceu na história do esporte mundial com a derrota para Alemanha por 7 a 1. Sem contar a vitória do Uruguai na final da copa no Maracanã. Recentemente a eliminação na primeira fase da copa America nos Estados Unidos, sem contar a eliminação ano passado para o Paraguai. Aí vc vem falar que Inglaterra inventou o vexame. Antes de ficar criticando os outros olhe bem para o futebol brasileiro sem parcialidade e protecionismo para não cair no ridículo com um comenta´rio desses.

  3. Tenho um palpite particular, talvez me engane, mais acho que esse time da Islândia é fogo de palha. quero ver agora como protagonista e jogando contra a França se eles vão continuar com essa performance. O que move a Islândia nessa espiral de vitórias são sem dúvidas a sua determinação, a sua preparação física mais sobretudo a surpresa desse até então desconhecido time.

  4. Caro Helena Jr.,com a seleção que temos, nossos vexames é que estão insuperáveis ultimamente.Em se tratando da seleção mais vencedora,é pior ainda ! 7×1 foi humilhantemente insuperável !

  5. O Brasil inventou a tragédia, perdendo em 50 para o Uruguai.
    Vexame, tragédia e a caixinha de surpresas fazem parte do futebol.
    Isso torna o jogo muito mais emocionante, pois mesmo as melhores seleções de todos os tempos perdiam de vez em quando…

  6. Eu acho que, na verdade, superestimam a seleção inglesa. Seu histórico em copas e eurocopas não é superior a seleções como Holanda, Dinamarca e França, por exemplo. Confunde-se a sua relevância com os milionários elencos dos principais clubes ingleses, recheados de estrangeiros, que formam a base de suas seleções nacionais. No mais, a seleção inglesa não passa de uma coadjuvante do futebol mundial. Sendo assim, concordo com as opiniões anteriores, quando destacam que, em matéria de vexames, a seleção brasileira vem se superando, a ponto de termos que reavaliar as nossas pretensões em quaisquer competições que participemos. Isso sim é vexame!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *