
Há tempos venho observando o comportamento de Fred em campo e fora dele. Goleador emérito desde aquele gol relâmpago no América Mineiro que entrou para a história, até o súbito e inesperado rompimento com o técnico Levir Culpi e o Flujminense, onde ele reinava acima de todos e de todas as coisas.
E se havia algo que Fred cada vez mais gostava de exibir em campo era seu cetro real, diamantado pelos tantos gols marcados nos últimos anos com a camisa tricolor, muitos deles decisivos. Quando entrava em campo, entre tantas lesões e problemas particulares, Fred postava-se lá na frente, e só aparecia para empurrar a bola às redes, gesto fundamental, claro, mas insuficiente no tal futebol moderno que exige muita participação de todos. Aliás, contribuição que ele poderia oferecer mais do que a maioria dos nossos centroavantes, pois possuidor de técnica e habilidade para tanto.
De resto, era um festival de gestos aos companheiros e à galera enfatizando sua liderança, algo que me incomodava muito, por excessivos e desnecessários na maioria das vezes. Sobretudo, quando o Flu, ao perder a parceria milionária com a Unimed, teve de recorrer aos meninos de Xerém, que carecem mais de apoio e orientação do que de bronca, embora esta também tenha sua hora.
Segundo o dono da Unimed, Fred derrubava técnicos ao seu bel prazer, até trombar com Levir, um sujeito de alma leve, divertido, bem informado, vitorioso em sua longa carreira, e que, em pouco tempo, deu consistência a esse Flu até então ao Deus-dará.
Levir é boa-praça, mas não é mole, não, meu camarada.
Resultado: até mesmo a torcida que idolatra seu ídolo, Fred, no último jogo, cantou seu apoio a Levir, o que retirou o pedestal dos pés do ídolo. Num primeiro movimento, Fred pensou em voltar atrás, retirar o xeque-mate dado ao clube – ou eu, ou ele! -, para em seguida postar nas redes sociais uma nota dizendo que se aprontava para desembarcar num clube de São Paulo.
Qual? Ainda não se sabe, se é que exista algum. Fala-se em Palmeiras, rápido ao sacar o cheque, e Corinthians, que não vê em André a solução para os seus gols.
Se é que isso venha a ocorrer, o interessado deve saber que estará contratando um jogador trintão, que frequenta com assiduidade maior a enfermaria do que o campo, acostumado a salários altíssimos para a realidade brasileira e com ares de dono do pedaço. Em compensação, um artilheiro como poucos.
Basta pesar na balança as inconveniências e as vantagens imediatas de tal empreitada, e escolher com a cabeça, não com o coração.