
Três brasileiros entraram em campo na Libertadores nesta noite de quarta-feira. Ninguém ganhou, mas um perdeu. Foi o Galo, que caiu por 3 a 2 diante do Independiente del Valle, lá no Equador. Derrota ainda mais lamentável porque, dos times brasileiros em ação no torneio continental, o Atlético, me parece, ao lado do Grêmio, um daqueles que praticam o futebol mais agradável de se ver.
Mas, nesta noite, o futebol do Galo foi dos mais desagradáveis e ineficientes diante de um time que, cá entre nós, nem agrada, nem desagrada.
Todavia, o Galo está tão bem colocado nesta fase da Libertadores, que essa derrota não chega a ser um drama, embora mereça reflexões.
Esse também é o caso do Corinthians, que, nas alturas de Bogotá, empatou por 1 a 1 com o Santa Fé, mas permanece líder de seu grupo.
Durante todo o primeiro tempo, quem ficasse de olho na tv estaria se perguntando se aquele time de branco e preto era mesmo o Timão de Tite. Pois, só deu Santa Fé, que encurralou o Corinthians em seu campo e acabou fazendo apenas um gol, em rebote da trave, por Otero.
Já no segundo, o Corinthians levantou a crista e baixou a bola no chão, recuperando parte do estilo que tem dado certo nesta temporada crucial de tantas mudanças na equipe. Mas, ainda carece de um armador mais ativo do que Guilherme, um Guilherme como aquele que enfiou a bola na medida para Elias, vindo de trás, na sequência de bela trama, empatar o jogo. E olhe que quase venceu se o tirombaço de Lucca não batesse na trave, goleiro vencido.
No final, foi aquele sufoco, mas isso faz parte.
Já o empate por 3 a 3 do Palmeiras com o Rosário, na Argentina, roçou o épico, pelas tantas alternâncias do jogo.
Abriu a contagem, num vacilo da defesa gringa, com menino Jesus, que faria o segundo, meteria uma bola na trave, no comecinho do segundo tempo e acabaria sendo expulso, o que ainda mais complicou a vida verde em Rosario.
Mas, por Deus!, não me crucifiquem o menino Jesus, pois o Palmeiras, apesar do resultado, que seria uma celebração em outro contexto, cometeu tantos erros técnicos que deixou escapar pelos dedos uma vitória redentora.
O problema é que esse resultado, embora mantenha o Verdão respirando por aparelhos na Libertadores, a situação aqui continua sendo extremamente crítica.
Olhando, porém, mais à frente, nesse processo da construção de um novo time sob o comando de Cuca, até que esse empate foi muito animador.
Sr. Alberto Helena,
Sempre quando ha possibilidade, acompanho teus textos. Em tempos de imaggens e telas na palma das mãos, poder ler análises como as tuas é poder ver o futebol com outras lentes. Tuas crônicas são máquinas de escrever e são drones: portais que se abrem para um tempo onde a crônica espprtiva era a calçada com vitrines e portais que se abrem para um espaço-angulo onde é possível afastar-se da superfície.
O resultado do palestra – para nós da ZL o porco – roçou o épico de fato. Seria brioso o 3 a 3 com os argentinos que não são portenos não fosse isto outro jeito de roçar o trágico: um menino chorão afoito de um lado, um técnico chorão com dentes de porcelana de milhares de reais do outro…
Enquanto isso, o futebol dos outros sulamericanos parece fazer mais sentido do que nosso futebol do país-camarote dos trópicos: cada vez mais produto para telas (a da palma das mãos, a dos milhões do plim-plim) do que ânimo à vida pulsando nas calçadas e vitrines.
Caprichou, meu!
Caixinha, obrigado.