
O sujeito chega em casa, atira a pasta numa cadeira, o paletó no sofá, afrouxa gravata e pergunta se o jantar já está pronto.
A mulher, toda enfeitada, surpresa, responde:
-Ué, mas a gente não ia jantar fora?
-Ia, minha filha, ia. Mas é que amanhã tenho de chegar no escritório cedo, antes do expediente, porque vai ter uma auditoria braba lá. Que você quer que eu faça? Tenho de matar um leão todo dia pra satisfazer seus desejos…
-Meus desejos? Tenho que cuidar das crianças, fazer o almoço, o jantar, cuidar da casa…
E aí se desenrola o drama de todo dia.
Só por que o cara tem de matar um leão por dia.
Ué, mas já não faz alguns milênios que o homem abandonou as cavernas e deixou de ter de matar um leão, um urso, um leopardo, um cervo ou uma avestruz pra sobreviver?
Não, meu amigo, apenas o cenário mudou: a caverna é de alvenaria, a floresta essa selva de concreto cortada sem parar por manadas de bichos metálicos e o leão é o símbolo que ruge na alma de cada um que tenta sobreviver como dá.
E aí você entra na livraria e se depara com bancas e bancas de livros evangélicos ou de autoajuda. É uma miríade de subtítulos de um só: Como Vencer na Vida.
A vida, pois, é colocada à sua frente como uma arena onde terá de matar leões ou seus semelhantes todos os dias. Ou, então, uma imensa pista de corridas, em que você disputa com milhões de outros a glória de alcançar à frente a fita de chegada, que nada mais é do que a passagem para o além.
Bem, quando o tipo não morre ou é muilado na arena, vive a amarga experiência de correr entre os últimos da fila.
Isso é um pé, convenhamos. Frustra. E da frustração vem a raiva, aquela raiva indefinida. Apenas raiva, que sufoca e precisa sair pelos poros, pela boca, pelos punhos e pontapés.
Então, o cara se junta a outros tantos nas mesmas condições, forma um grupo e saem por aí invadindo campos de treinamento de seus clubes de fé, exigindo raça, talento e competência daqueles poucos indivíduos que têm o dom de viver do jogo da bola.
Na verdade, eles não estão ali movidos pelo desejo de ver seu time do coração jogar mais e melhor. Porque isso seria um contrassenso. Afinal, não é encurralando, ameaçando, metendo medo nos outros que você lhes tira o que há de melhor neles. O máximo que consegue é inibi-los ainda mais.
Não, não é esse o desígnio desses torcedores. Eles só estão lá, apoiados uns nos outros, pra experimentar esse poder que o dia a dia lhes nega, da partida à fita de chegada, de bradar em alto e bom tom: É nóis, mano!
Caro Helena, creio que vc comete um erro de análise no seu comentário, pois, esses que invadem centros de treinamento dos times, não são trabalhadores que tem de matar um leão por dia, mas sim vagabundos que não tem o que fazer, pois, em horário comercia, estão peitando seguranças e intimidando profissionais em seus locais de trabalho.
Grande abraço.
Perfeita colocação, Paulo.
Maiores jogadores do Santos : Pelé, Coutinho, Pepe, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, Zito, Giovanni, Robinho, Neymar.. Maiores jogadores do Small club: Neto, Marcelinho, Biro-Biro, Lulinha, Dentinho, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Gilmar dos Santos Neves, Rivelino, Zé Maria, Domingos da Guia, Luizinho, Tevez, Sócrates, Wladimir, Zenon, Gamarra, Baltazar, Neco entre outros, cada clube tem uma ótima seleção de todos os tempos, se achasse a sua a melhor torceria para o seu time, cada um tem um gosto. Mas só para comparação o Rivelino está em TODAS as seleções feitas pelo mundo com os melhores jogadores de TODOS os tempos entende?
Esse belo texto merece uma grande reflexão de cada um de nós. Quo Vadis?