
Neste meio de semana, o papo é Libertadores. Afinal, todos os brasileiros classificados para a disputa entrarão em campo, em diferentes situações.
Nesta quarta, o Corinthians pega o Cerro Porteño, sempre aguerrido, embora de técnica reduzida, em Assunção.
Nem preciso dizer que o Timão é uma equipe em profunda reformulação, mas que está, bem ou mal, resistindo ao processo crítico com galhardia, apesar da derrota diante do Santos, pelo Paulistinha.
Graças, sobretudo, à organização defensiva do time, atributo essencial em todas as equipes comandadas pelo técnico Tite, que busca muito mais do que isso, claro, mas ainda não teve tempo suficiente para tanto.
De qualquer forma, os novos contratados – Giovanni Augusto, André e Guilherme já estão se integrando ao conjunto, o que sugere uma melhora nos setores de armação e ataque do Timão.
Contudo, um empatezinho maneiro, lá, bem que viria a calhar nesta quadra da vida alvinegra.
Já do Palmeiras, que recebe em casa o Nacional do Uruguai, espera-se um pouco mais. Não só porque enfrenta um adversário de tradição infinita mas de bola curta nos últimos tempos, como o faz no Allianz Parque diante de sua imensa torcida.
E, também porque vem de vitória expressiva (pelo menos, no placar) no Paulistinha, o que certamente conferiu um ânimo maior aos seus jogadores.
O Verdão, porém, tem oscilado tanto que não dá pra cravar nada ainda.
Quanto ao Grêmio, diante do San Lorenzo do Papa, em Porto Alegre, é preciso medir o impacto que causou nos jogadores a grave lesão sofrida pelo recém-chegado Bolaños, no último Gre-Nal. O equatoriano, que tanta expectativa vinha causando, sobretudo depois de sua estreia, ficará coisa de quarenta e cinco dias de resguardo, deixando Roger Machado caminhando pela sala, com a mão na testa, indo e voltando do veloz Everton ao artilheiro Henrique Almeida.
Gosto do jeito de jogar do Grêmio implantado por Roger, ainda que contrariando as tradições do Tricolor gaúcho – um futebol mais técnico, hábil e ofensivo do que o habitual. Mas, sacumé…
Na noite seguinte, será a vez de São Paulo e Galo.
O Tricolor enfrenta uma pedreira no Monumental de Nuñes, simplesmente o atual campeão da Libertadores, o River Plate, de D’Alessandro, entre outros.
Bem, o que dá pra rir dá pra chorar como dizia o poeta, e quem sabe, lá, Centurión consiga acertar um drible, um cruzamento, até mesmo marcar o gol da vitória, inspirado pelos buenos aires de Avellaneda, onde nasceu, ali pertinho. Assim, como Calleri reencontre o caminho do gol perdido depois daqueles primeiros jogos tão frutíferos pelo São Paulo.
A propósito, a fala do filho de Sócrates, sobre a falta de empenho dos jogadores, por certo caiu bem no goto (é goto, não gosto: o popular gargumilho) do torcedor, que repete isso como um mantra, teria provocado uma ruga na testa do saudoso e ilustre pai, se vivo estivesse. Justo ele, que passou a vida defendendo os jogadores de futebol contra a incompetência e a má-fé dos cartolas.
Entre outras coisas porque, apesar do que diz o clichê divulgado pelos microfones, arquibancadas e esquinas do futebol, não houve falta de empenho nos recentes fracassos da equipe. O que faltou foi organização tática e categoria individual de alguns jogadores, que refletem em campo a bagunça recorrente na direção do clube.
Mas, sempre há a esperança de que Ganso acerte um petardo daqueles bissextos de contra o São Bernardo, que Denis incorpore um Rogério Ceni, que Lugano dê conta do recado lá atrás, que Tiago Mendes volte a jogar a bola redonda do ano passado, que Rogério entre com tempo pra mostrar alguma coisa pela esquerda, que…
Bem, quanto ao Galo que vai ao Chile combater o cacique Colo-Colo, é de se esperar que dê suas bicadas mortíferas, embora, lá, a coisa seja sempre mais enrolada.
Isso, porque, a exemplo do Grêmio, é um time com maior poder ofensivo dentre os brasileiros da Libertadores. Poder reforçado pela presença de Robinho, aquele atacante que é muito criticado por aqui justamente por ser capaz de quebrar a rotina quando a bola cai aos seus pés. A turma parece que não gosta muito disso, não, essa história e fugir do roteiro pré-estabelecido desse nehnhenhém em que transformaram o criativo e subversivo futebol brasileiro.
É aquele desfile de números de telefone ou de CPFs pra justificar como tal time conseguiu anular o outro, como num jogo de xadrez em que nenhum dos contendores está a fim de atacar o rei e dar um xeque-mate nessa história.
Pois Robinho desembarcou nas Alterosas sob uma nuvem de suspeitas, e já no segundo jogo, pelo campeonato mineiro, meteu três, que é pro pessoal tirar o chapéu, como essa gente gosta de dizer em inglês, que fica mais moderninho, ainda que ninguém mais use chapéu no mundo, a não ser cowboy de rodeio.
Mas, enfim…
Espero que o Corinthians se encaixe bem rápido. Tem que jogar para ganhar.
A intolerância é uma palavra muito usada hoje em dia na política. No futebol também não é diferente. No futebol a intolerância hoje é com o craque, aquele jogador com habilidade acima da média. Tempos atrás, o torcedor ia ao estádio para aplaudir os craques ver a suas jogadas espetaculares e muitos eram aplaudidos mesmo sendo do time rival Hoje, com a tal da globalização no futebol o craque passou a ser perseguido. Para que tenha alguma chance de sair incólume do jogo sem ser vaiado ele precisa primeiro de tudo dar uns dez carrinhos, correr 200km, marcar o seu defensor e se sobrar tempo fazer um golzinho minguado. Os treinadores que os deveriam preservar não tem dó, exigem a tal da intensidade alguns até os impedem de fazer o que mais deles se deveria esperar que era dar o espetáculo. O futebol está morrendo aos poucos exatamente porque os incompetentes valorizam mais a transpiração do que a inspiração, valorizam mais a cara feia do que o riso e a palhaçada. Isso também é extensivo às arquibancadas que deixaram há muito tempo de ser um ambiente de alegria para ser um palco para o exibicionismo de almas frustradas.