
O tricolor amigo que bate no peito e se diz Soberano, assim, em maiúscula, saiba que está invocando uma maldição. Isso mesmo, pois foi a partir do instante em que o São Paulo assumiu esse apelido, na gestão Juvenal Juvêncio, que começou o declínio vertiginoso do clube e do time.
Antes, os títulos que se davam ao São Paulo eram bem mais modestos e simpáticos: Clube da Fé e O Mais Querido.
Clube da Fé porque renasceu justamente das cinzas da soberba, em meados dos anos 30, depois de o clube ter quebrado em consequência do passo maior do que a perna na compra da luxuosa sede no edifício Trocadero.
Então, a exemplo da criação dos clubes de várzea da época, quando a turma saía pedindo contribuições de casa em casa pra comprar camisas e calções, os torcedores são-paulinos foram às ruas da cidade, em passeata, empunhando lençóis nos quais o povo ia depositando seu dinheirinho. Até mesmo os clubes rivais – Corinthians, Palestra e Portuguesa – contribuíram para a refundação do Tricolor, comovidos pela fé dos torcedores tricolores.
Já o título de O Mais Querido foi conquistado nos anos 40, num concurso de popularidade dos clubes paulistas realizado pela Rádio Record e patrocinado por uma marca de cigarros – Fio de Ouro ou Mistura Fina, já não me lembro mais.
Eram os tempos da inesquecível Máquina de Costura, cuja semelhança com o atual Barça não é mera coincidência, se levarmos em conta as histórias que ouvia, ainda menino, dos mais antigos nas rodas de discussão sobre futebol na esquina da rua Costa Valente e Coimbra, em frente ao bar da dona Lili, no velho Brás dos italianos.
Segundo eles, aquele time – Gijo, Piolim e Renganeschi; Rui, Bauer e Noronha; Luizinho, Sastre, Leônidas, Remo e Teixeirinha ou Pardal -, costurava, costurava e costurava o jogo antes de, no segundo tempo, aplicar a tradicional tabelinha de 4 a 0 em qualquer adversário.
Mais tarde, durante e depois do desfile de craques como Zizinho, Canhoteiro, Roberto Dias, Benê (extraordinário meio-campista que veio do Guarani nos anos 60), Gérson, Pedro Rocha, os Menudos e os times campeões do mundo de Telê, o que prevalecia no Morumbi era o simpático dístico: Não Somos os Melhores nem os Piores. Somos apenas Diferentes.
E o São Paulo era realmente diferente, tanto nas gestões equilibradas quanto no futebol que buscava em campo acima de tudo a excelência técnica. Aliás, durante e depois da construção do Morumbi, a palavra de ordem no São Paulo era esta: Não fazemos loucuras.
A sandice foi se instalando no período em que o Coronel Juju entronizou-se no comando do clube e colocou na própria cabeça (e na dos torcedores) a coroa de Soberano. A partir daí, formou um conselho inepto e sucessores que oscilaram entre o descalabro e a incompetência, o que se reflete nas atuação da equipe em campo. Técnicos de todos os estilos e perfis se sucederam em cascata, assim como se chegou até a contratar onze jogadores de uma batelada só, dos quais quem restou?
A culpa das péssimas exibições do time não é apenas do treinador, escolhido com um critério absurdo, o de ser estrangeiro, qualquer estrangeiro, desde que não falasse português e desconhecesse as características dos jogadores da equipe e de seus adversários domésticos. Ao mesmo tempo, tiraram-lhe a muleta – Milton Cruz, capaz de se comunicar em espanhol com o novo técnico e de passar-lhe detalhes do grupo de jogadores com os quais convivia desde sempre.
Tampouco apenas dos jogadores, escolhidos a dedo ou de orelhada, nem sei, embora tenha lá na diretoria um responsável que ganha uma fortuna por mês, com direito ainda a receber comissões dos jogadores que forem negociados, segundo revela a mídia em geral.
É de todos, cada qual com sua parcela de responsabilidade.
Não sou capaz de prever o que está por acontecer, mas desconfio que uma derrota mais do que provável para o River, no Monumental de Nuñes, e para o Strongest, lá nas alturas do morro boliviano, desencadeará uma onda ainda maior de protestos por parte da torcida, o que tornará o ambiente irrespirável no Morumbi e no CT da Barra Funda.
Só sei que, se houvesse um pingo de planejamento no São Paulo, esses garotos de Cotia já estariam em grupo treinando e jogando na equipe principal, pois é só pra isso que serve esse Paulistinha borocochô.
Mas, antes de mais nada, é preciso jogar na lata do lixo da história essa coroa de Soberano que tanto mal faz ao clube.
time : renan
caramelo kugano maicon mateus reis
breno, daniel joaõ smidt
lucas francisco
wilber araujo
esse deveria jogar — ao menos haverá vontade
Parabéns, Helena pelos comentários. Você não imagina como esse apelido de soberano fez mal ao são paulo.
Como nós, torcedores de outros time detestamos a soberba desse clube que eu até admirava.
A última coisa que falta para coroar essa desastrosa administração do São Paulo nesses últimos anos é o clube cair para a serie B do brasileiro.Não duvide disso por que do jeito que esta indo eu já não duvido de mais nada,é vexame atras de vexame.Quem fala que esse clube já foi exemplo para os demais no Brasil hoje acumula fracassos .
Helena, como pode o apelido “Clube da fé” ter sido dado em meados dos anos 30 se o clube foi fundado em 36 após os grandes de SP sentirem falta de um irmão menor pra bater e ajudar a fundar o SP???
O SPFC foi fundado em 30 e refundado em 35, quando ganhou o título de Clube da Fé. Meados quer dizer meio de uma década. 1935 é meados dos anos 30, meu caro amigo.
Há controvérsias sobre a data de fundação do SPFC. Não foi em 1936. Há que diga que foi em 1930 e também que foi em 1935. “Meado” significa no meio. Tanto 1935 quanto 1936 localizam-se no meio dos anos 30. CQD
Pô, Helena! Juro que quando escrevi meu comentário o seu ainda não havia sido publicado. Vão pensar que foi plágio he he he