
Saiu a lista dos convocados de Dunga para os próximos jogos do Brasil nas Eliminatórias, e, mais uma vez, sem Tiago Silva, celebrado na Europa como o melhor zagueiro em atividade no planeta. Em seu lugar, Marquinhos, que, no PSG é reserva de Tiago. Dá pra entender? (Ah, sim, o cara chorou na Copa. Chorou porque tinha vergonha na cara, o que só enobrece o caráter em vez de denegri-lo).
Sobretudo, porque a Seleção é uma colcha de retalhos, jogadores vindo de todos os lados que se juntam, mal treinam, e entram em campo, obviamente sem o necessário entrosamento. Ora, se você tem à disposição dois zagueiros que jogam juntos no seu clube, como Tiago Silva e David Luís, abrir mão desse entrosamento natural, treinado, afiado, semana após semana, é, no mínimo, uma imprevidência. Ainda mais num setor vital de qualquer equipe – a última barreira de uma equipe antes do goleiro.
Tiago Silva e David Luís, além do entendimento entre si, são dois zagueiros técnicos e velozes, o que permitiria ao técnico brasileiro dar um passo à frente, em direção à tal modernidade tão decantada por aí, ao manter sua linha de defesa avançada.
Esse posicionamento provoca um efeito em cascata, que começa com a dispensa de um segundo volante de marcação, pois o jogo brasileiro partiria já de lá na frente. Em seu lugar, o técnico poderia optar por mais um meia, jogador que, pela própria natureza, é tecnicamente mais hábil e técnico do que os tradicionais volantes, incluindo aqueles que sabem sair jogando.
Dessa forma, melhora sensivelmente a capacidade de trocar passes, em busca das brechas para colocar em ação os atacantes, e assim por diante, o que tem sido nosso gargalo, diga-se.
No caso, da convocação feita agora por Dunga, por exemplo, esse meia bem que poderia ser Renato Augusto, que defende e arma com a mesma propriedade, como comprovou na última temporada pelo Corinthians campeão. E, para completar o de meio de campo, Lucas Lima e Oscar ou P. Coutinho.
Na frente, Willian, pela direita, Neymar, mais centralizado e Douglas Costa, pela esquerda, os três jogadores brasileiros que mais cintilam na primeira linha do futebol mundial – Inglaterra, Espanha e Alemanha. Três jogadores velozes, hábeis, incisivos, capazes de trabalhar em espaços apertados e acostumados a participar da marcação ao adversário, seja na saída de bola, seja na captura do seu marcador que escape em direção à defesa brasileira. Todos os três fazem isso nos seus clubes, naturalmente, jogo após jogo.
Esse é o verdadeiro equilíbrio, não aquele eufemismo – a retranca – tão apregoado por nossos treinadores em geral.
Esse é o verdadeiro futebol moderno de que tanto falam por aí.
E esse é o autêntico futebol brasileiro que um dia encantou o mundo.
Muito bacana esse texto sobre a seleção Alberto. Nos dias de hj não temos a menor vontade de torcer por nossa seleção onde só ha espaço para jogadores de empresários e queridinhos do treinador. Ainda temos bons jogadores a disposição mas se esses não estiverem no perfil dos interesses de quem manda na seleção não serão convocados nunca.