Nem vencendo Tricolor agrada

(Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)
(Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Se não foi a primeira, foi uma das pioneiras torcidas uniformizadas, essa do São Paulo.

Formada lá pelos anos 40 por jovens universitários, na maioria da Academia de Direito de São Francisco, alguns que cursaram universidades americanas, de onde trouxeram os cânticos e comportamento das torcidas organizadas de lá. Inventaram o Alegua-guá-guá, uma divertida cantiga que misturava francês com português. E sua única intenção era apoiar o time, até mesmo quando o mau humor tomava conta da maioria da torcida. Faziam parte dessa torcida rapazes como os da família Mesquita (Júlio Neto, Rui, Carlão), dona do Estadão, e dos Carvalhos (Paulinho e Alfredo Erasmo), donos das Emissoras Unidas.

Pois, hoje em dia, é o contrário. A tal ponto que a massa dos torcedores comuns se vê impelida a vaiar a Torcida Uniformizada, por causa de sua cretina intolerância, como, por exemplo, no caso de Michel Bastos, autor do primeiro gol, de pênalti, na vitória tricolor sobre o Novorizontino, no Pacaembu, por 2 a 0.

É verdade que o Tricolor, com um mistão, não jogou mais que o suficiente para vencer. Mas, nem um pouco para calar essa torcida mal-humorada ou mal-intencionada, não sei.

Futebol pobre, como pobre tem sido nosso futebol em geral.

NA LINHA DO GOL

O Império ataca com as armas da comunicação e ao som do rock, controlando mentes e línguas de um povinho deitado em berço esplêndido nas redes sociais e de olhos vidrados nos vídeos-games. Agora mesmo, a turma da latinha, ao se referir ao campo da Juventus de Turim, região norte da Península Itálica, berço do latim, espalha por aí que aquilo é um Steidium, assim mesmo , a l’americana, que nem inglês é no rigor da pronúncia, embora a palavra seja latina –Stadium, lida e falada assim, à portuguesa ou brasileirês, como queiram. E dizer que lá atrás, no tempo da política da boa-vizinhança, o poeta popular queria “ver o Tim Sam tocar pandeiro para o mundo sambar”. Sonhos de poeta ingênuo, que, se vivo estivesse, estaria tocando guitarra e enrolando a língua como o mundo inteiro.

Fui privado, aqui no refúgio da minha caverna no Grão Ducado de Ibiúna, de ver três dos times que mais encantam em ação – Barça, Bayern e Arsenal – pela Liga dos Campeões. Servido apenas pelas antenas da Sky, que não emite os sinais do EI, canal que detém os direitos de transmissão do maior torneio de clubes do planeta, só hoje pude ver alguns extratos dos dois jogos: Barça 2, Arsenal 0; Juve 2, Bayern 2. Pelo que vi e li a respeito, Barça e Bayern tiveram pleno domínio dos seus respectivos jogos, como de hábito, por sinal. Os jogos da volta, por certo, confirmarão a passagem para a próxima fase de Barça e Bayern. Só espero que o azar não os coloque frente a frente antes da final, que seria histórica, creiam.

Os holandeses, que revolucionaram o futebol na primeira metade dos anos 70, com o Feyenord e o Ajax campeões europeus, sem falar na magnífica Laranja Mecânica da Copa de 74, vice-campeã do mundo, deram alguns passos atrás, a exemplo do jogo brasileiro. O que era um futebol ofensivo, com a linha de defesa avançada, muito toque de bola, a exemplo daquele praticado hoje em dia pelo Barça e o Bayern, caiu no lugar-comum. O último suspiro foi aquele Ajax dos gêmeos De Boer, Overmars, Kluivert, Seedorf, Kanu, Finidi George, Littmanen e cia. bela, na primeira metade dos anos 90, sob o comando de Van Gaal. De lá pra cá, foi definhando até se configurar nesse PSV de jogo tão convencional como qualquer outro. E que, em casa, levou o maior sufoco do Atlético de Madri, time habituado a jogar no contragolpe. Até parecia que os espanhóis eram os holandeses e vice-versa. Resultado: 0 a 0, em parte, pela incompetência ofensiva do Atlético, desacostumado a atacar; parte, pela atenção defensiva do PSV.

Talvez, não seja apenas o jeito de jogar dos holandeses que mudou, mas, também, a ausência de jogadores especiais surgidos nos últimos anos. O fato é que Robben acaba sendo o último dos moicanos. Isto é: o único craque que sobrou daquela estirpe de craques históricos, como Cruyjff, Neskeens, Van Haneggen, Van Basteen, Reijkaard, Gullit, Davids, Seeodorf, Overmars, Cocun (hoje, técnico do PSV), Blind, o pai, e tantos outros.

 

 

 

Um comentário

  1. “Quando você perceber Fundos de Investimento tentando comprar Cia. Aérea, é sinal que precisamos pensar duas vezes antes de pegarmos um avião”
    É isso ai, a frase acia também serve para o futebol. O mercado acabou e está acabando com o futebol. O futebol como um negócio qualquer é movido também por paixão. No negócio a paixão também está presente naqueles que fundam uma companhia são os pioneiros. À medida que essa companhias são vendidas a grupos financeiros a paixão morre e surge no lugar a busca incessante do lucro, custe o que custar, a paixão então vai perdendo paulatinamente o seu espaço. O futebol como o negócio inexoravelmente vai nesse caminho,o lucro é o objetivo a paixão vai arrefecendo. Com isso, o torcedor vai se afastando. Pesquisa recente feita na Europa mostra que 76% das pessoas admitem que perderam o interesse pelo futebol. No Brasil o outrora “país do futebol” está se tornando um arquipélago com ilhotas de excelência controlado pelo mercado. As arinas, estediuns e campos soçaites tomaram lugar dos caldeirões, estádios e campinhos de pelada. Bem amigos, a CBF a TV e o mercado financeiro se encarregam de detonar o que sobrou

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