
São Paulo e Corinthians, por ordem de entrada, voltam à cena do Paulistinha na noite desta quarta-feira, em situações bem distintas.
O São Paulo briga para driblar suas recorrentes crises, fora e dentro do campo, e cavar um lugarzinho no seu grupo para a fase realmente importante do torneio, até agora ameaçado. Para tanto, pega o Novorizontino, no Pacaembu, com um time praticamente reserva, sem Lugano, mas com Michel Bastos de volta das sombras da estupidez geral. Justificativa: precisa poupar jogadores para a Libertadores, na próxima semana.
Tenho minhas dúvidas de que seja a melhor política a ser adotada num time ainda desentrosado, sob a nova direção de El Patón.
O São Paulo carece, isso sim, de consistência tática e espiritual. E isso só se obtém com o entrosamento forjado na sequência de jogos.
Já o Corinthians, que, pelo desmanche recente, deveria estar tropeçando pelas tabelas justamente em busca da reconquista dessas mesma consistência, caminha à frente dos demais, ao somar tantos resultados positivos, mesmo jogando uma b0la semi murcha.
Enfrenta o São Bento de tão boa campanha, líder de seu grupo, à frente mesmo do Santos, lá no CIC de Sorocaba.
Tite ainda não revelou seu time para esse jogo, mas é de se supor que, a exemplo do habitual, vá permear os novos contratados com os que lá estavam na reserva dos antigos titulares. Até aqui tem dado certo, sobretudo no sentido de não esgarçar o relacionamento do grupo de jogadores, sempre tão sensíveis a mudanças desse tipo.
E esse tem sido o maior trunfo do Mosqueteiro nesta quadra delicada de um time em transformação.
NA LINHA DO GOL
O São Paulo acaba de contratar o menino Heron, atacante de boa performance na Copinha, pela Desportiva Ferroviária. Não sei quais os limites dessa garoto de 18 anos. Dizem maravilhas de seu futebol. Tudo bem. Mas, a par do fato de o elenco tricolor carecer desesperadamente de pelo menos um outro meia armador para contrabalançar ou até mesmo substituir Ganso, e a garotada de Cotia, campeã brasileira e da Libertadores da categoria? Por que não elevar um grupo deles de uma vez, pra que cada um apoie o outro nesse momento difícil da transição de menino pra homem?
Ainda agorinha pouco estava lembrando do lance do gol de empate do Málaga sobre o Real, neste fim de semana. Se o amigo puder, reveja. Em troca de passes, o pequeno Málaga levou a bola à ponta-esquerda, onde o lateral-esquerdo cruzou para a área repleta de companheiros. Diria que seis jogadores do Málaga estavam na área prestes a finalizar, como acabou fazendo o zagueiro, um desses tantos presentes. Isso, contra o poderosíssimo Real Madrid de Crsitiano Ronaldo e cia. bela. Agora, compare com os ataques dos nossos times. Quando o lateral chega à linha de fundo pra cruzar, se o amigo colher dois gatos pingados na área é muito. A questão, meu, não é de esquema tático, essas cousas e lousas e maripousas que povoam as mentes dos nossos técnicos, jogadores e comentaristas. É uma questão de conceito básico: atacar é atacar, não é atacar com medo do contra-ataque.