
O inesquecível Sergio Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta, costumava contar esta anedota:
Noite mergulhada em névoa no cais do porto de Hamburgo. No bar dos marinheiros enfumaçado, de repente, se levanta um norueguês ruivo, sardento, de dois metros de altura por dois de largura, e, em voz alta, desafia os presentes.
– Não há aqui um homem que me enfrente!
Levantou-se um alemão parrudo, camiseta explodindo no peito, e partiu pra cima do norueguês. Pimba! Um soco e eis o alemão estatelado no chão.
De imediato, um turco peludo feito macaco, campeão de luta livre da Marinha Turca, parte pra cima do desafiador, derrubando mesas e cadeiras. Puó! Outro porrada e o turco estendido no chão.
E assim vão desfilando, o americano, o inglês, o francês, o sul-africano, todos derrubados com um único soco.
Por fim, lá do fundo da sala, o brasileirinho, mulato, inzoneiro, sestroso, com um meio sorriso nos lábios, empurra a cadeira pra trás e caminha, gingando, em direção ao norueguês. Quando chegou perto, balançou o corpo, aprumou a perna de capoeira afamado e.. Bomba! Lá está até hoje o brasileirinho feito em pedaços.
Moral da história: é pro brasileiro perder a mania de achar que é mais malandro do que os outros.
Lembro disso por conta da estreia dos nossos times na fase de grupo da Libertadores da América.
O Corinthians venceu com um gol contra, nos acréscimos, jogando mal. O Grêmio, de quem se esperava muito mais, perdeu por 2 a 0, sem ameaçar de fato o adversário. O Palmeiras empatou, e o São Paulo naufragou em pleno Pacaembu, enquanto apenas o Galo conseguiu uma vitória significativa fora de casa., mesmo assim, suada. E nenhum deles enfrentou um gigante sequer do continente.
Houve um tempo que esses timinhos – com exceção, claro, dos grandes argentinos e uruguaios – eram presas fáceis do nosso gingado. Hoje, é tudo japonês, eles e nós.
O fato é que não somos mais malandros que ninguém há um bom tempo no jogo da bola. Muito menos, melhores no trato com a bichinha. Sim, ainda somos os maiores produtores de jogadores de bom e alto nível, embora, comparando as populações, proporcionalmente, os argentinos nos batam também nesse quesito.
Mas, a debandada dos talentos é tão rápida e em número tão grande que só nos resta ou os que ainda não ganharam cancha ou os que voltam cansados lá de fora.
Nossa estrutura organizacional está falida há décadas. Refiro-me a clubes, federações e Confederação, ainda que no resto da América do Sul nada seja diferente.
E, embora a CBF anuncie uma série de medidas para atacar o problema na sua essência, permita-me manter aqui minhas reservas.
Afinal, o brasileiro ainda acha que é mais malandro do que os outros e da própria realidade.
O moleque verde-amarelo exisitia nas ruas das cidades brasileiras.Eram as ruas das capitais,das grandes cidades,das pequenas e até dos vilarejos.A partir dos anos oitenta do século passado a paisagem urbana sofreu transformação em progressão geométrica,e pouco mais tarde apareceu a Lei Pelé,e junto com ela os agentes,empresários,diretores de clubes,etc. e tal,que passaram a ser os bons da bôca.A essência do nosso moleque foi sendo sugada pelos morcêgos do ramo,e nas escolinhas de futebol a molecagem na prática do jôgo é atitude proibida.Nossa matéria prima futebolística já não é procurada pelos grandes clubes da Europa Central,mas ainda temos sorte de exportar para outros centros endinheirados que pagam preços fora da realidade no que se refere ao custo/benefício.Fatos são fatos,e aquele que é considerado por muitos o melhor técnico do futebol brasileiro da atualidade,transfere os moleques para aprenderem e
“amadurecerem” em outros clubes de menor expressão,e opta pela contratação de espartanos ou jogadores mais rodados que carrinho de rolemã que só os “saudosos moleques de rua sabiam fazer”.
Estava assistindo SPFC e o timaço do The Strongest (ou The Strogonof como chama um amigo) da Bolívia que segundo notícias lá da terra dos Aymarás decretaram feriado para sempre nos altiplanos bolivianos tamanha a façanha secular do seu time. Durante o jogo vi, várias vezes a torcida do São Paulo vibrar de alegria quando um jogador dava um carrinho levantando grama e a perna do adversário. Aliás, essa mania não é só da torcida são paulina, ela se aplica à todas as torcidas, sem distinção. Nos anos de ouro do nosso futebol o carrinho era visto como um recurso de brucutu. Isso mostra a que ponto chegou o futebol brasileiro. Dizem que o carrinho é um dos fundamentos mais importantes para o Dunga convocar um cara para a seleção desde é lógico que esse carrinho venha acompanhado de um volante de confiança.
Todos gostam de jogadas bonitas.
Há beleza no drible, na troca de passes certos, no lançamento perfeito de longa distância e, TAMBÉM no desarme perfeito do jogador que joga com vontade.
Não é porque se valoriza a jogada defensiva que não se valoriza a ofensiva. Uma coisa não exclui a outra. E não há nada melhor que vencer. Para isso é tão importante defender quanto atacar.
Caso contrário, se montaria um time somente de habilidosos dribladores, sem nenhum excelente marcador. Duvido que um time desses ganhe algo. Nem em peladas de finais de semana.
Eu gosto de ganhar, assim como a maioria absoluta das pessoas. Ao perdedor resta inventar desculpas. Afinal, o futubel tem por objetivo a COMPETIÇÃO, não a EXIBIÇÃO.
Por isso o ganhador tem os méritos.
Para se ganhar, é imprescindível a gana, o comprometimento. Este é externado com o jogador fazendo o seu máximo, que no desarme, pode ser visto em um carrinho executado para alcançar a bola onde em pé jamais alcançaria.
Simples assim.
O que eu falei meu caro, foi que jogadas ríspidas, entre eles o carrinho passaram a ser a regra e não a exceção. Vi grandes jogadores, verdadeiros campeões jogarem como Zico, Falcão, Rivelino, Romário, Ronaldinho nunca vi um desses caras apelarem para uma jogada de risco e fazerem dela uma marca registrada. Um dos maiores jogadores do São Paulo Roberto Dias desarmava os adversários sem nunca ter feito uma falta grave.
“O fundamento do carrinho presente em determinado jogador de futebol é inversamente proporcional à sua capacidade técnica”. Primeira Lei do Sardinha.
“Num jogo de futebol a satisfação do torcedor é diretamente proporcional à quantidade de gols e jogadas de efeito e inversamente proporcional às faltas e expulsões” Segunda Lei do sardinha”
OLHA,NOS MOLDES DO QUE VOCE FALOU,EU ADMIRO O RALF,O MAIOR DESARMADOR DO BRASIL,JAMAIS FOI EXPULSO,JAMAIS MACHUCOU NINGUEM,RARAMENTE TOMAVA AMARELO,ATE DEU CHAPEU NO NEYMAR(RECONHECENDO A GRANDEZA DO NEYMAR,QUE AO INVES DE DAR UMA PORRADA,COMO A MAIORIA,ESCOLHEU CONTINUAR JOGANDO)E ERA CABECA DE AREA.O PIOR E OUVIR OUTROS DIZENDO QUE ERA BRUCUTU.
ATE QUE ENFIM ALEXANDRE, APARECE ALGUEM LUCIDO !!!!!!
Fujo dos lúcidos prefiro os translúcidos. Este diferente daquele, é imprevisível, criativo e se permite ao erro.
Falar em proporcionalidade no futebol o Uruguai é inbatível. Mas como sabemos, proporcionalidade não quer dizer nada. Sobre a Argentina, quando eles forem campeões da Copa do Mundo a gente fala alguma coisa. Duas copas roubadas. Embora eu admita que a de 1986 foi uma delícia o roubo em cima da Inglaterra por conta das Malvinas.