Os deuses da guerra

Foto: AFP PHOTO / FRANCK FIFE
Foto: AFP PHOTO / FRANCK FIFE

O homem inventou deuses para lançar luz na imensa sombra da sua ignorância sobre os mistérios do mundo. Ao mesmo tempo, inventou a guerra para cobrir de trevas a luz de sua parca sabedoria. E, daí, nasceu o Deus da Guerra que guia a humanidade entre luzes e sombras ao longo de sua história, chegando ao extremo de judeus, cristãos e muçulmanos, por ordem de entrada, se massacrarem entre si em nome do mesmo deus.

Cada um deles se considera guardião da verdade divina e tenta impô-la na Terra, arrasando os demais, já que não o consegue através da palavra, que, segundo eles mesmo, deu luz ao caos, no momento da Criação.

Mas, acreditar que apenas a crença cega, matriz do fanatismo e da loucura humana, é responsável pelas atrocidades que a história registra é um equívoco.

À crença cega, que obstrui a razão e a visão, alia-se o olhar esperto e cobiçoso daqueles que faturam alto com as matanças insensatas e incessantes: a indústria bélica e os atravessadores de armamentos, que têm seus acólitos devidamente bem colocados em praticamente todos os governos mundiais.

O fanatismo religioso, ideológico ou a busca pela ampliação de fronteiras e poder deste ou daquele messias de plantão, tribo, Estado ou corporação extrativista, sobretudo na área dos minérios e energia, são sempre fértil campo de ação dessa turma cujo único objetivo é lucrar com a insanidade humana. É o Mal sendo exercido em nome do Bem.

E quem sempre acaba pagando o pato é o cidadão comum, que nada tem a ver com o peixe.

Neste domingo, estarei dando mais um passo em direção ao oblívio, e, confesso, que me sinto um tanto confortado por isso.

Nasci em plena Segunda Guerra Mundial. E passei minha mais tenra infância morrendo de medo que, de repente, uma bomba alemã levaria a todos nós pros ares, mesmo que meus pais afastassem tais temores, garantindo que a encrenca era do outro lado do mundo.

Mas, quando víamos um zepelim atravessar os ares do velho Brás, era aquela correria da molecada na rua pra debaixo da mesa de jantar de casa.

Já adulto, confesso que nem dei bola pra tal Crise dos Mísseis de Cuba. Logo percebi que aquilo tudo era mera encenação entre soviéticos e americanos. Ninguém seria louco o bastante pra destruir toda a humanidade, trocando bombas de hidrogênio como se fossem cartões postais.

Mas, agora, já não se trata de dois machões estabelecidos neste ou naquele território tirando braço-de-ferro pra saber quem é o melhor na parada. É uma guerra insólita entre o fanatismo religioso, espalhado pelo mundo, sem sede nem exércitos definidos, e os donos do poder mundial, devidamente estabelecidos aqui ou ali.

Isso, num mundo em que a ignorância das massas cresce na mesma medida da violência urbana, assim como as informações correm vertiginosamente pelas redes sociais, disseminando o medo e a consternação por todos os cantos mais remotos do planeta.

E não há nada pior para a humanidade do que o medo misturado com o fanatismo.

2 comentários

  1. Alberto Helena, costumo acompanhar sempre teus comentarios aqui as vezes concordo as vezes discordo mas acho eles sempre coerentes e claro esta e uma das razoes pelas quais eu te acompanho aqui. Mas hoje sinto muito mas vou ter de copiar tua cronica e divulgar entre pessoas na mnha rede social…. eu gostaria de ter escrito isto!!! Parabens…..mesmo vc sendo Saopaulino e eu Santista que na verdade nao significa nada para pessoas que querem viver num mundo de paz e oportunidades para todas as pessoas independentes de cor, raça ou crença … ou paixao esportiva….
    parabens uma vez mais pelo teu texto… Abraçao.

    1. Também sou santista e seguidor do grande mestre Sr. Alberto Helena Junior, que pra mim, hoje, é o maior cronista da atualidade.

      Infelizmente, tens razão… vivemos um momento delicado na história da humanidade.

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