
Dunga diz que quer um futebol mais simples do Brasil diante do Peru, terça.
Não sei exatamente o que ele quer dizer com isso. Só sei que o futebol praticado pelo futebol da Seleção de Dunga não é simples, não. Tampouco, sofisticado, rebuscado ou algo assim. Na verdade, está mais para simplório (veja no dicionário a diferença, preguiçoso amigo).
De fato, o futebol é mais simples do que parece, apesar de toda essa rede complexa de incidências (internas e externas) que acabam por transformá-lo num mistério insondável e encantador.
Sobretudo, porque caminha por uma linha tênue entre a individualidade e o coletivo.
Trata-se de um jogo coletivo, associado, em que todos os jogadores devam participar com uma forte dose de solidariedade. Mas, estamos falando de indivíduos, cada um distinto do outro, com pensamentos, habilidades e técnica pessoal, peculiares, cujo instinto e arte não podem, nem devem, ser reféns do conjunto a ponto de se eliminar o que há de mais divino em nós: a criatividade.
Cabe, pois, ao técnico do time, o chefe e guia dos jogadores, estabelecer esse sutil equilíbrio entre o coletivo e o individual, extraindo o máximo desses dois elementos.
Na base de tudo, está o passe. Afinal, o passe é o que une a individualidade ao coletivo. E o passe é o gesto mais simples do jogo. Simples, em toda sua complexidade, pois que ele exige técnica para que a bola trance com precisão entre os jogadores, habilidade para o domínio da bola e a imediata sequência de seu rumo, reflexos rápidos e visão de jogo para inventar aquele lançamento ou enfiada que precede à finalização a gol.
Isso, porém, exige muito treinamento, além da presença de jogadores habilitados pra tanto.
Ora, jogadores bons de passe Dunga tem à sua disposição em quantidade suficiente para executar essa tarefa com qualidade. Por exemplo: Renato Augusto, Lucas Lima, Oscar, Neymar, Douglas Costa, Willian, sei lá quantos mais. Só aí, temos um grupo capaz de formar o meio de campo e o ataque com essas qualidades.
Ah, mas quem marca? Todos marcam, meu!
É assim que jogam, por exemplo, a Espanha e a Alemanha, não por acaso as campeãs das duas últimas Eurocopas e do Mundial.
E aqui entra a questão do jogo em conjunto. Essas duas seleções são formadas com base nos dois principais times de seus países – o Barça e o Bayern, cujos estilos, similares, por sinal, são transportados para suas respectivas seleções.
Só isso já compensa a falta de tempo pra treinamento das seleções.
Ora, no nosso caso, se for para jogar um futebol simples e eficiente, então que se monte nossa Seleção com base no Corinthians, ao estilo do Corinthians,reforçado deste ou daquele jogador, tipo Neymar e Douglas Costa, que estão em alta nos seus times, justamente aqueles que praticam o futebol mais moderno, eficiente e encantador do planeta – o Barça e o Bayern.
Não é o ideal, claro. Mas, uma saída emergencial pra crise técnica da nossa Seleção, que está virando crônica.
NA LINHA DO GOL
Temos algo em comum: ambos fazemos aniversário no mesmo dia. A diferença é que o Flamengo é infinitamente mais importante e velho do que este mero aprendiz de cronista: 120 anos de vida e glórias. Não é apenas o clube mais popular no Brasil, mas aquele cujos traços mais se identificam com a alma brasileira, ou o que dela ainda resta, muito bem representado pelo Urubu malandro do saudoso Henfil. Como tributo ao Mengão, permita-me o amigo escalar aqui o Rubro-Negro dos tempos em que o vi em ação desde menino: Raul; Leandro, Aldair, Mozer e Júnior; Dequinha, Rúbens (o Dr. Rúbis), Zizinho e Zico; Leônidas da Silva e Dida ou Evaristo de Macedo. O mito Divino Domingos da Guia está fora dessa lista porque só o vi jogando já numa Seleção de Veteranos, anos depois de ter pendurado as chuteiras. Mas reinará pra sempre no Olimpo Rubro-Negro.
Eu, como bom corintiano que sou, resolvi ler sua matéria a respeito do assunto, e respeito toda a sua opinião. Só achei cômico, pedir ao “preguiçoso amigo” procurar o significado da palavra simplório.
Será que só os escritores que são cultos ? Quem os lê, não são ?
Que eu não seja culto, menos preguiçoso.
Caro Edson: foi uma brincadeirinha com o amigo preguiçoso, não o amigo culto, claro. Desculpe se soou pedante.
Abraços
Ah, Alberto, como é duro ser simples e aguentar gente chata, hein? Rs… Parabéns, grande escriba!
Há muito tempo eu tenho dito isso, aliás em 58 e 62 a base eram Santos e Botafogo, e depois sempre que fomos campeões tínhamos mais jogadores atuando em nosso país, hoje tínhamos que por pra jogar o goleiro do Corinthians, os 2 zagueiros e os 3 meio campistas, bastava acrescentar o lateral esquerdo do Atlético-MG, o Neymar, talvez William e um lateral direito, o técnico sem sombra de dúvida seria o Tite.