Redescobrindo o Brasil

Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Leio aqui mesmo no site da Gazeta Esportiva que Lucas Lima, além de ser o principal articulador de jogadas e o destaque individual do Santos com seus dribles, passes, lançamentos e arrancadas em direção à área inimiga, é também o segundo maior ladrão de bola do time. De acordo com as estatísticas, Lucas Lima desarma mais até do que seus parceiros de meio de campo, justamente aqueles aos quais é destinada essa tarefa,Tiago Maia e Renato.

Leio também que o meia Rodriguinho, renascido outro dia nas mãos de Tite, diz ter encontrado, enfim, seu lugar no campo, mais atrás, onde habita Elias, o tal segundo volante na nomenclatura encruada no nosso futebol há pelo menos vinte anos.

E agora pouco ouvi o técnico Vadão, na ESPN, dissertando sobre o atraso do futebol brasileiro provocado por tantos anos da utilização de dois ou três volantes essencialmente marcadores que sugaram a criatividade e o passe exato dos nossos jogadores de meio, onde tudo nasce.

Por fim, me lembro de que há, sei lá, vinte anos atrás, este que vos fala já empunhava essa bandeira, prevendo o que se desenhava para o futuro do nosso futebol, ao insistir que seria muito mais fácil fazer um Djalminha também marcar do que um Galeano armar.

Na verdade, não estava dizendo nenhuma novidade. Pois, os grandes meias armadores que vi em ação no passado mais distante, como Didi, Zizinho, Ademir da Guia e Gérson, por exemplo, já cumpriam essa missão naturalmente. E, naquele tempo, quando o Brasil era paradigma do mundo e não décimo colocado no ranking da Fifa, havia apenas um volante em campo. Um volante que sabia jogar, como nossos cronistas de hoje gostam de timbrar de volante moderno. Moderno se comparado aos brucutus das duas últimas décadas. Contudo, eternos como um Zito, um Bauer, um Clodoaldo e tantos outros que atuaram dos anos 70 pra trás. Todos eram modernos há meio século.

E por quê? Porque o processo era inverso ao que nos acostumamos nas últimas décadas. O meia, hábil mas nem tanto, era recuado para a posição de volante. E o volante menos hábil virava zagueiro. Com isso, o time tinha mais qualidade na saída de bola lá de trás, conferindo ao jogo coletivo a harmonia e a beleza que foram se extinguindo a partir do instante em que o futebol brasileiro fez o caminho inverso – o zagueiro menos grosso vira volante, que, por sua vez, avança para a meia, que passa a ser o único com talento para criar alguma coisa para os infelizes dois atacantes.

Pelo jeito, finalmente, a turma começa a acordar para esse fato.

A partir daí, quem sabe o pessoal passe a redescobrir o Brasil perdido nas memórias do velho cronista, hein?

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2 comentários

  1. Ao menos já temos três técnicos que já acordaram.E concordando inteiramente com o teu texto,que ninguém
    tente nos convencer que eles têm visões futuristas,pois dos anos 70 pra trás já se foram mais de quatro décadas.Se no futuro quisermos voltar a ser o paradigma do mundo no futebol,que voltemos ao passado dos
    nomes que você citou e dos mais tantos outros.

  2. Concordo plenamente com todos as colocações e com base nelas pergunto se nós brasileiros, que sofremos com a nossa seleção jogando a ‘bolinha” que está jogando, merecemos um Dunga de Técnico e essa política que persiste na CBF.

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