É assim, ó: o cara é jovem. Oba, lá vem novidade! Usa óculos sem aros. Um professor escarrado! Quando lhe estendem o microfone, desfia todos os chavões da moda. Moderno!
É o que basta pra nossa mídia tão carente de novidades apostar no cara como aquele que irá mudar a face do futebol brasileiro.
Aí o bicho escala seu time, o nosso time olímpico, cheio de boas promessas, algumas já confirmadas em seus respectivos times de primeira divisão, num amistoso contra o Haiti. O Haiti, que está nas mais baixas expectativas da escala da vida e do futebol.
E lá estão dois volantes – Wallace e Rodrigo Caio, zagueiro por formação e gosto. Contra o Haiti, num jogo preparatório para as Olimpíadas?! Resultado: aquele joguinho arcaico de pouco toque de bola, muito lançamento inócuo, corre-corre, pega-pega, bola pros laterais que cruzam pra área, inocuamente, e não é que, apesar da grande diferença técnica entre os jogadores, o Haiti ainda consegue criar duas ou três chances de gols?
E, quando já ganhamos por 3 a 0, claro, o técnico troca um volante e um beque por por outros de igual perfil. Isto é: sai Wallace, entra Lucas Silva e Fred passa ocupar o lugar de Rodrigo Caio, recuado pra zaga. Mudança cosmética, óbvio.
Que fazer, se os novos estão impregnados do velho?
Qual a novidade? Essa tem sido a história do futebol brasileiro nas duas últimas décadas, por baixo. Período em que deixamos de ser um exemplo mundial e caímos, no ranking da Fifa às posições mais subalternas de nossa história.
Claro, nossa Seleção Olímpica goleou o paupérrimo Haiti: 5 a 1.
E daí?