Acabo de ver o time reserva da Espanha vencer a Ucrânia, na casa do conflagrado inimigo, por 1 a 0, em jogo que poderia ter sido por 6 a 5, sem exagero, por qualquer um dos dois contendores. Basta dizer que De Gea fez defesas miraculosas e outras tantas prodigiosas. Assim como a Espanha teve o controle do jogo e criou uma infinidade de situações perigosas, inclusive desperdiçando um pênalti com Fàbregas.
Mas, o que importa não é tanto o resultado em si, embora isso seja determinante para nossos bravos comentaristas. O que importa é verificar que os espanhóis, mesmo com sua equipe praticamente toda titular no banco, mesmo assim jogou o de sempre: bola no chão, tocada com ciência e engenho, e, quando a coisa se invertia, partia em contragolpes velozes e mortíferos.
Graças, sobretudo, à exemplar atuação da dupla Fàbregas e o nosso Tiago Alcântara, de tantas nacionalidades, mas que preserva em seus pés a mais lídima escola brasileira de jogar bola. Colocação impecável, passes exatos, quando não surpreendentes, toques e dribles daqueles que fizeram o futebol brasileiro um encanto para o resto do mundo.
Aqui, se tivesse optado por servir à nossa Seleção e não à Fúria, seria rei, justamente o cara certo para compor nosso meio de campo, caso o treinador da hora tivesse um pingo de percepção e sensibilidade.
Lá, ele tem de competir com Busquets, Fàbregas, Juan Mata, Cazorla, David Silva, Iniesta, Isco, esse menino San José que tão bem se houve tão bem hoje, sei lá quantos mais volantes e meias de alta qualidade técnica.
Uma pena, pra nós.
Ás vezes me pergunto: o que aconteceu com o futebol brasileiro? Algumas respostas me vêm. Que os jogadores vão muito cedo para o exterior; o futebol europeu (Alemanha, Espanha, Inglaterra e só!) evoluiu; os técnicos brasileiros ficaram para trás; o futebol brasileiro é desorganizado; calendário; arbitragem; estádios… E por aí vai. Cada vez mais chego a conclusão de que, simplesmente, nosso tempo de predomínio acabou. Houve um tempo que o melhor voleibol do mundo pertencia aos japoneses. Hoje, muito pela questão física, estes não estão nem entre os oito melhores. Nossos pilotos de F1 eram motivo de orgulho. Hoje só comemos poeira. No atletismo, nas provas de fundo, há muito tempo os africanos são os melhores do mundo, mas nem sempre foi assim. E assim por diante! Devemos baixar nossas expectativas. O MIlton Neves, com todo o seu peculiar exagero, está perto da verdade. Hoje, o futebol brasileiro está no segundo escalão do planeta. À sua frente estão, além dos europeus citados acima, os italianos, os franceses e os argentinos. O Brasil rivaliza com Uruguai e Holanda. Os demais estão abaixo. Chile e Colômbia ainda não tem a consistência suficiente para tb. ocupar esse posto. Precisamos investir em táticas mais simples. Toque de bola (rápido e curto) ao invés das inúteis arrancadas e os infrutíferos chutões. Elogiar o futebol bem jogado em detrimento ao jogo chato de resultados. Analisar mais os sistemas e estratégias e menos os erros de arbitragem (aborrecem, e não fazem o resultado mudar!).
E, por último e (pra mim) o mais importante: não levem o futebol tão a sério assim. É só diversão!