
Outro dia, lembrei aqui a metáfora difundida pelo técnico Oto Glória, há décadas – aquela de que sem ovos nã0 se faz omelete.
Pois, esta deriva de outra: não se faz omelete sem quebrar os ovos.
Aquela é o álibi de todo treinador que não consegue fazer seu time jogar bola. Ou seja: sem bons jogadores, não faço um bom time.
Ora, ora, nesse enfoque, pode-se inverter a questão: com um elenco de alta classe, pra que treinador? Na verdade, o técnico que se destaca por sua competência é justamente aquele que consegue fazer um time de jogadores de razoáveis a bons jogar dentro desse padrão, nem mais, nem menos.
Os jogadores convocados por Dunga, praticamente todos, jogam em times de primeira linha nas principais ligas do mundo. e os que não, como, por exemplo, Everton Ribeiro e Tardelli foram destaques em seus respectivos clubes no Brasil – Cruzeiro e Galo – ainda outro dia.
Se não é um agrupamento de craques inesquecíveis, também não se trata de um bando de pernas de pau, com os quais não seja possível fazer, se não um omelete de finas ervas com toques de chef francês três estrelas, pelo menos, um arroz com feijão bem temperado. E é aí que entra a competência do técnico.
Basta dizer que, nesta Copa América, as demais seleções estavam pontilhadas de jogadores que por aqui passaram quase anonimamente. Dentre eles, o artilheiro do torneio – Eduardo Vargas, com breve e ineficaz passagem pelo Grêmio, pouco tempo atrás.
Mas, isso tudo é, no fim das contas, consequência, não causa.
A causa está na metáfora inicial dos ovos. É preciso, antes de tudo, quebrá-los. Isto é: romper com a forma estabelecida para se obter um produto mais saboroso e atraente.
O futebol brasileiro, como um todo, não apenas a Seleção, precisa quebrar essa crosta cinzenta e granulada que há anos reveste nossa mentalidade e nosso estilo de jogar bola.
A Seleção, embora com jogadores já acostumados com a bola que rola nos principais centros do mundo, atuam exatamente como os daqui o fazem duas vezes por semana, em seus clubes – sem ousadia, brilho e imaginação. Venho repetindo isso há séculos. E ninguém mexe um dedo para mudar esse triste cenário.
Resultado: nossos principais clubes estão endividados até o pescoço, contratam jogadores medianos por salários exorbitantes e simplesmente não os pagam. E, se você perguntar a qualquer cartola, a resposta virá de imediato: não há mais patrocinadores dispostos a entrar nessa ciranda financeira, cuja espiral chega às nuvens.
E por que não há? Porque o produto é de baixíssima qualidade. Não se oferece omelete algum, nem mesmo um feijãozinho com arroz bem temperado. É um angu insosso, sem sal nem pimenta, que temos de engolir com engulhos ano após ano.
E o pior: quando se fala em quebrar os ovos, logo vem à mente das pessoas a criação de uma liga de clubes para substituir essa famigerada CBF na organização do nosso futebol, primeira medida a ser adotada dentre tantas outras subsequentes ou paralelas.
Aí, o amigo percorre o olhar pelos clubes, de onde deveriam sair os gestores da nova era, e o que encontra? Um bando de péssimos gestores, que contribuem para seus clubes se encontrarem em situação pré-falimentar, que só sabem trocar de técnico a cada quatro derrotas e sair por aí pagando fortunas a qualquer jogador em fim de carreira.
Se eles não conseguem gerir seus próprios clubes, como irão gerir todo o nosso futebol, produzindo as profundas mudanças de que tanto carecemos?
A verdade é que resta no ar o cheiro pútrido de ovos podres, enquanto essa turma segue matando a galinha dos ovos de ouro, dia após dia.
Muito se comenta em criar uma Liga e a primeira pergunta é a que se refere aos
perfis dos dirigentes desta nova Organização.
Continuaremos com os gestores atuais que “administram” seus clubes?
Os mesmos que separam salário de direito de imagem?
Os mesmos que contratam jogadores e técnicos e não pagam?
Os mesmos que gastam hoje os direitos de transmissão do próximo ano?
Os mesmos que permitem que os horários das novelas estabeleçam os horários dos jogos noturnos durante a semana?
Veremos a velha história de tirar o sofá da sala e colocá-lo na cozinha.
Mosqueteiro voce tem toda razão,não adianta criar liga ou outra organizaçao se as pessoas que vão adminstrar são as mesmas .Este tal de Bom Senso FC é outra falcatrua ,pessoas sem credibilidade para as funções de gestores.É aquela historia da padaria ,não adianta mexer ou tirar a massa pois as moscas são as mesmas.
No aguardo do fim….a NÃO classificação do Brasil para a próxima copa do mundo….
Aí sim…o ciclo se completa….a festa acaba…e o fundo do poço é alcançado.
A partir daí o futebol brasileiro para se redimir, terá que refazer-se por completo. No campo e fora dele….
A verdade é pra mim que uma quadrilha rouba e o restante paga a conta – no caso do futebol, os que assistem e os que trabalham com ele. Não é muito diferente de sindicatos e governos. Quem tem a faca e o queijo na mão come o queijo sem cortar – e guarda a faca pra apunhalar os adversários.
Alberto Helena,
Mais um artigo fantastico!! Adorei!!
Leio todos os dias suas cronicas e artigos. De longe um dos melhores do país.
Segue final do meu post após os 7 x1. Está no meu blog Essencia da Bola. De lá pra cá, em depressão futebolistica, parei de escrever.
“Como ele mesmo diz e eu ratifico, a explicação toda não está nos nossos jogadores que são apenas o fim da linha, mas está nos bandidos e corruptos que tomam conta do futebol brasileiro.
São eles: dirigentes da CBF, presidentes e diretores de clubes e empresários de futebol (não todos, mas a maioria).
A mudança é possível, mas, será difícil. A quem interessa essa mudança?
Até antes dos 7 x 1, a ninguém.
Agora, esperamos que mídia, jornalistas, ex-jogadores, possam criar clima favorável a mudança. E que leis e regras sejam impostas à CBF e clubes. Essas entidades precisam virar empresas. Precisam pagar impostos, como qualquer pequena empresa paga. Precisam ser rastreadas. Hoje, o futebol é sujo pois todos querem assim. Do presidente da república ao diretor e empresário de futebol. Todos não estão de graça nessa estória.”