O Choque-Rei: reflexões

Montagem sobre fotos Gazeta Press
Montagem sobre fotos Gazeta Press

O Choque-Rei deste domingo é daqueles clássicos em que os treinadores assumem o proscênio, mais do que a história gloriosa dos respectivos escudos e dos jogadores em pauta.

Don Osorio e Marcelo Oliveira estão na crista da onda. Afinal, o colombiano se destaca pela novidade – um técnico que desembarcou aqui outro dia, meio desconhecido, e que, no ato, ganhou apoio maciço dos jogadores e mídia, encantados por seus métodos surpreendentes de treinamento e pela maneira com que se relaciona com todos. E Marcelo Oliveira é um desses raros caras realmente inteligentes, articulados, e que trouxe na bagagem para o Parque nada menos do um bicampeonato brasileiro pelo Cruzeiro.

Ambos, têm algo em comum: gostam de times que jogam ofensivamente e com base na troca de passes, no envolvimento do adversário, essas coisas tão modernas como eternas.

Contudo, a maneira de alcançar esse objetivo em campo, na teoria, merece algumas reflexões.

Por exemplo: Marcelo, que acaba de perder o recém-contratado Alecsandro, machucado, vacila entre utilizar o meio-campista Zé Roberto, o que mudaria seu esquema, e Leandro Pereira, um centroavante típico.

A não ser que tenha razões muito fundamentadas e guardadas no seu íntimo a sete chaves, Zé Roberto deveria ser titular absoluto desse Palmeiras, qualquer que seja o esquema adotado. Dono de técnica, habilidade e experiência acima do comum, embora veterano, Zé Roberto vinha cumprindo a contento sua função no meio, como havia sido na lateral-esquerda, antes da chegada de Egídio.

Aliás, uma pena que a esperança verde de ver em campo um quarteto que teria sido o mais hábil e técnico de quantos temos por aí, com Arouca, Zé Roberto, Valdívia e Cleiton Xavier, tenha implodido antes mesmo de pisar o gramado uma única vez que fosse. Cleiton não entra em forma, Valdívia está de saída e Zé Roberto, agora, entra em fase de espera.

Quanto a Don Osório, em meio aos treinamentos secretos e os visíveis que encantaram meu querido Flavinho Prado outro dia, parece hesitar entre repetir o time e o esquema da última partida, ou partir para o tal 3-5-2, que teve seu auge há trinta anos, com a Seleção da Dinamarca, a célebre Dinamáquina.

A diferença, claro, está na escolha dos três zagueiros. Naquela Dinamarca, um deles, o mais importante, era o capitão do time, Olssen, um meia talentoso, baixinho, que bastava seu time recuperar a bola para se transformar automaticamente num volante, meia e atacante, graças à velocidade, a habilidade e à rara visão de jogo, o que supria a ausência de um jogador no meio de campo, maior defeito desse sistema quando adotado com um trio de beques de origem, talhe e vocação.

É verdade que a leitura feita pelos repórteres que cobram os treinamentos do São Paulo possam estar fazendo uma pequena confusão a respeito, ao escalar Michel Bastos no meio de campo, como um dos cinco.

Isso, porque Don Osório cansou de repetir que gosta de três atacantes – dois pontas e um centroavante. Michel, nesse caso, seria o ponta-esquerda, refluindo o esquema para um 3-4-3.

A propósito, quando no domingo passado, jantávamos no Alfama dos Marinheiros, depois do Mesa Redonda, eu discorria sobre o sistema WM, base de todas os esquemas subsequentes, os olhos de Don Osório brilharam: Si, si, me gusta eso: 3-4-3!

A pequena e fundamental diferença, porém, entre o WM de Chapman e esse 3-4-3 que Don Osório anda ensaiando está na escolha dos jogadores que formam o trio de zagueiros. No WM, eram dois laterais e um beque centralizado. No que Don Osório utilizou no segundo tempo contra a Chapecoense, assim como na maioria dos nossos treinadores que recorrem a esse expediente, são todos zagueiros de ofício, jogando mais próximos uns dos outros.

Isso, obriga os tais alas a ficarem mais preocupados em defender do que em atacar, o que, na prática, transforma o sistema num 5-3-2. Ou seja: sufoco, na certa.

Por isso, talvez, Don Osório cogite escalar Bruno, um lateral ofensivo, nessa última linha defensiva. Dessa forma, dependendo do vaivém da bola, bastaria simplesmente voltar ao sistema mais funcional, no todo, com Bruno fazendo as funções que lhe são peculiares, como lateral-direito por natureza, e deixando o time armado num 4-3-3 mais equilibrado.

É esperar pra ver.

Um comentário

  1. COMO EU JA HAVIA PREVISTO NO JOGO CONTRA O AVAI O OSORIO COMECOU A ABRIR A AV.SAOPAULO E DEU NO QUE DEU. AS OPINIOES DO ALBERTO SAO CORRETAS MAS —DEPENDE DA QUALIDADE DOS JOGADORES — O BARCELONA PODE FAZER ISSO, O BAYERN TAMBEM, O REAL TAMBEM…. MAS O SPAULO NAO PODE !!! TEM QUE SEGUIR O TRABALHO QUE O MILTON CRUZ COMECOU (TEMOS QUE DAR VALOR A ELE). SACOU UM MEIA E COLOCOU UM VOLANTE. O TIME MELHOROU MUITO (ISSO NAO QUER DIZER QUE TINHA QUE GANHAR –TODAS–) MAS PARAOS DE TOMAR CARTOES COMO ANTES.. BEM ELE TEVE A CORAGEM DE FAZER ISSO (O MILTON) SO FALTOU UM POUCO MAIS DE CORAGEM OPARA COLOCAR O CENTURION DE TITULAR DESDE O COMECO E ARRUMAR UM LUGAR PARA O BASTOS,. COM CENTURION E PATO TERIAMOS UM ATAQUE MELHOR (NADA DE EXEPCIONAL) ENQUANTO OS VOLANTES GARANTIRIAM O TRABALHO DO GANSO E OS CONTRA AATAQUES. OUTRA COISA: A FALTA DE AUTORIDADE QUE HA NO SAMPA: O FABIANO LEVOU O 3 CARTAO DE GRACA E ESTA MUITO LONGE DAQUELE FABIANO DE ANTES. QUANDO ERA JOVEM TINHA UM PODER FISICO FANTASTICO MAS AGORA NAO DA MAIS . ELE ESTA LA PORQUE NAO TEMOS MELHORES !!!! GRANDE JOGADA DO JUVENAL FOI ESSA CONTRATACAO, GENTE QUE NAO ENTENDE DE FUTEBOL… BOA SORTE NACAO SAMPAULINA

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