
Se o sujeito, congelado há vinte, trinta anos, despertasse pra vida nesta noite diante da tv, ficaria encafifado: por que o Brasil está de vermelho e branco e o Paraguai de amarelo?
O médico ao seu lado logo explicaria: não, meu amigo, Brasil e Paraguai não trocaram de camisa; trocaram apenas de identidade.
Sim, porque durante todo o primeiro tempo, o Paraguai jogou como o Brasil jogava antigamente – teve pleno domínio da bola e dos espaços, acuou o Brasil em seu campo, que, por sua vez, agia como um autêntico time paraguaio do passado: inteiramente retrancado, à espera de um contragolpe fatal.
E não que ele veio mesmo? Aos 14 minutos, Robinho domina na intermediária adversária, toca pra Elias, que abre na direita, de onde Daniel Alves cruza para Robinho, esperto, sozinho, ele e as redes vazias, empurrar: 1 a 0.
Bem, agora vai, né? O Brasil vai crescer, controlar a bola, o jogo, e enfiar uma goleada nessa defesa indecisa. Vã esperança, amigo. Eis que afivelamos o ferrolho de novo e seja lá o que Deus quiser. E Deus não quis, que, ao contrário da voz corrente na aldeia tupiniquim, não é nem brasileiro, nem paraguaio.
Bola rolando no segundo tempo, e o cenário não se altera. É o Paraguai em cima e o Brasil na defesa, dando chutões pra frente, sem um pingo de criatividade no meio de campo, onde as jogadas de ataque são geradas desde que o mundo é mundo. Também, com essa tarefa atribuída a dois volantes tipo Elias e Fernandinho, não se pode esperar mais do que isso mesmo. São dois volantes ativos, combatentes eméritos, velozes, dedicados, mas sem uma gota de imaginação e talento pra armar jogo nenhum.
Diante disso, o empate era inevitável. E a virada, mais distante, por falta de talento dos atacantes paraguaios.
Mas, eles não precisavam tanto disso, pois Tiago Silva decidiu a questão, metendo a mão na bola dentro da área, infantilmente. Pênalti, que Gonzales converteu para levar a agonia à decisão dos tiros fatais alternados.
Da última vez que isso ocorreu, erramos todos os cinco.
Desta vez, Fernandinho acertou, Everton Ribeiro errou, Miranda acertou, Douglas Costa mandou pras nuvens, por sorte, Santa Cruz chutou por cima, e P. Coutinho marcou. Mas, inútil, pois Gonzales fez o último e classificou o Paraguai.
E o Brasil volta pra sua diáspora, cada um pra seu canto do mundo, já que, sem domicílio certo e identidade própria, o único refúgio ainda é o da memória dos bons tempos.
A crise do futebol brasileiro é bem mais embaixo, é uma crise de caráter.
Falta de caráter dos cartolas. A grande maioria enriquece ilicitamente às custas do futebol. Marin está preso na Suíça; Teixeira e Del Nero foragidos ou refugiados. Andrés Sanches acusado e processado STF. Aidar suspeito de desviar dinheiro do SPFC, etc.
Falta de caráter dos nossos técnicos, muitos suspeitos de promover negócios com empresários e jornalistas do que treinar futebol.
Falta de caráter dos jogadores. A maior estrela brasileira, Neymar, acusado de estelionato.
Falta de caráter dos jornalistas de futebol, um bando de puxa-sacos e suspeitos de vender notícias, como o site Futebol do Interior e tantos outros.
Aliás, a prisão dos dirigentes da Fifa, escancara esse modelo prostituto brasileiro entre jornalistas, cartolas, empresários e técnicos de futebol.
E, ainda, querem colocar a culpa na Lei Pelé, no apagão ou na virose.
Acredite se quiser.
Alberto,
não é surpresa te ver fora da TV. Afinal, um cidadão experiente, bom jornalista, conhecedor de futebol e, principalmente, com opiniões próprias, não pode conviver com essas figurinhas que infestam nosso vídeo.
Ontem, após mais essa memorável exibição da seleção da CBF, escutei um desses afirmar que Douglas Costa, Fernandinho et caterva são craques que só precisam de um tempinho pra deslanchar.
O que foi ótimo pois me fez desligar a “máquina de fazer doido” e ir tratar de coisas mais interessantes.
Grande Abraço.
Bom dia!
Parabéns Alberto, viu o mesmo jogo que eu, ao contrário de alguns da mídia esportiva, que escrevem e falam que fomos bem no primeiro tempo.
Infelizmente técnico fraco, jogadores normais para uma seleção.
Helena,
Foi como aconteceu, da maneira como está descrito em seu post. Aconteceu, no entanto, como consequência de um péssimo trabalho engendrado pela sinistra CBF e sua agenda igualmente pérfida. Ainda que ganhássemos este sonolento torneio capitaneado pela outra instituição terrível, a CONMEBOL (ou COME-BOLA, como queira), a verdade é que a Seleção Brasileira de futebol continuaria sendo apenas um espectro terrível do que um dia foi. Os anéis se foram e com eles os dedos, meu amigo; fizeram questão de não deixar pedra sobre pedra, sendo esta a única tarefa levada a bom termo pela CBF, tarefa esta iniciada há muitos anos, quando ainda era chamada por sua antiga alcunha, a CBD.
Esqueçamo-nos, porém, dos fatores históricos da vergonha e humilhação e vamos nos ater às circunstâncias tenebrosas e recorrentes que vêm desaguando neste cordão de vergonhas e humilhações pelas quais vimos passando e contra as quais nós, torcedores comuns, não temos nenhuma possibilidade de controle. É preciso, porém, que a Imprensa esportiva assuma sua grande carga de culpa no processo, pois que se opõe quando não há mais o que ser salvo, avia a receita quando Inês, que estava moribunda, morreu.
Peço que você, por favor, coloque esta minha questão em pauta com seus colegas: é um acinte, um absurdo, a maneira como as convocações são feitas para as Seleções dos últimos, digamos, 30 anos. A despeito da interminável série de treineiros mais ou menos toleráveis que vimos tendo eu pergunto: como é que esses caras têm o desplante de convocar peladeiros que não esquentariam banco nem no Estrela da Saúde para vestirem o uniforme que já cobriu Pelé, Zico, Rivelino e companhia bela e ninguém discute, todos, de uma maneira ou de outra, aceitam? Quem são essas pessoas, afinal, que mantêm como títeres abestalhados as Comissões Técnicas? E quem são esses caras, muitos dos quais nunca havia ouvido falar, que chegam com seu discursos irritantes (o bom Mauro César também se irrita com isso), vêm do nada, aparecem out of the blue e, de repente, já estão chutando bola na Granja Comary? Por que, meu Deus, virou condição sine qua non para que o cara seja chamado jogar fora deste país? Não é possível que não compreendamos que o Campeonato Espanhol é de baixíssimo nível tirante Real, Barcelona e, vez por outra, o Atlético de Madri! Mas trazem os caras dos confins da China, das terras inundadas da Índia misteriosa, arrancam os sujeitos das tundras da Crimeia, vão a buscá-los em torneios da Quarta Divisão inglesa, furtam o indivíduo à malta cabeça-dura da Gália, criam uma estrela cintilante do que é apenas um meteorito desgarrado que qualquer astrônomo de fim de semana reconhece.
Mas, no entanto, há um severo silêncio sobre isso: não há mais crítica esportiva, meu caro.
C´est fini, muito infelizmente.
Há medo de falar por não mais querer queimar a língua numa eventualidade, num acidente de percurso do tipo, Ranulfo, Ramiro, (esqueci o nome do cidadão; este que foi vendido aos milhões no meio da semana), meter o bico numa bola e esta ir morrer no fundo das redes argentinas numa final. E o bom ia lá na resenha e diria: fez o gol, mas é uma piada de mau gosto, um grande embuste, uma mentira!
Estou farto de ouvir falar em Champions isto, Champions aquilo, de Shaktar Donetsky (meu Deus! Onde chegamos!) em Galatasaray, em campeonatos exóticos, no cemitério de elefantes da MSL, da movimentação de mercados do raio-que-nos-parta porque é isto, sim, que vai minando o futebol deste lugar, é este complexo de vira-latas que não soube nem reconhecer em nós próprios nossa maiores virtudes e nos fez enveredar, por sermos ladinos e medíocres, nas sendas mais terríveis. É porque chamam qualquer borra-botas que chuta latas em países do Norte que, cada vez mais, empurramos nossos jogadores para esses moedores de talento. Hoje, o moleque prefere ser gandula, servir de cone em treinamentos em Bilbao a ser titular do Palmeiras, do São Paulo, do Flamengo, do Corinthians, Inter, Grêmio, Cruzeiro, Atlético etc. Isto, a despeito de que possa, aqui, ganhar a mesma coisa que ganharia cruzando a linha do equador (para cima).
Acham alguns que a solução esteja na desmontagem ainda maior do futebol brasileiro através da dessacralização dos regionais. Ledo e terrível engano. Que maneira boçal de entender as coisas! Vivem a trombetear o baixo nível dos grandes regionais, Paulista e Carioca, mas babam ovo e se empoam quando vêm a falar dos terríveis torneios nacionais da França, da Itália e mesmo da Espanha. Vivem a sacar informações da internet do tipo: “Olha, o técnico do Vichy vai para cima do Bastogne porque já prepara o Mulatulah. É um jogador de bom toque de bola, cabeceia bem, é bem agudo, chuta com as duas pernas e tem um drible desconcertante!”. Ok, então por que é reserva do Vichy?
Vivemos dessas mentiras, caro Helena. Não soubemos compreender nem manipular a era da informação a nosso favor, ao contrário, vamos, como sói acontecer, comendo as migalhas.
E dá-lhe vira-latas! Que pena.
Del Nero continua na presidência da CBF: Triplete da Alemanha!
Dunga técnico da seleção: Outro gol da Alemanha!
Gilmar de coordenador: Mais um triplete da Alemanha!
Neymar capitão da seleção: Gol da Alemanha!
Convocação de “craques” da Ucrânia e afins: Sete gols da Alemanha!
Firmino sendo chamado de craque (sem aspas): Outro triplete da Alemanha!
Leandro Damiao na lista de emergência: Meu Deus!
Não existir técnico brasileiro capacitado para assumir a seleção: Mais sete gols da Alemanha!
Parreira falando que Brasil seria campeão: Me tira o tubo!
Mas…
Thaigo Silva jogando vôlei no jogo da seleção: Gol do Brasil!
Perder nos pênaltis para o Paraguai: Outro gol do Brasil!
Não pegar a Argentina na semifinal: Golaço do Brasil!
A que ponto chegamos…