
…O costume é a força
que fala mais alto do que a natureza
E que nos faz dar provas de fraqueza…
Lembrei do samba antológico de Noel Rosa ao ver o primeiro tempo do Corinthians.
Era como o sujeito se vestir de Armani da cabeça aos pés e desfilar pela Oscar Freire no passo massudo de um mano do Jardim Ângela.
Sim, porque Tite teve a louvável ideia de vestir o Timão, contra o Figueira, em Itaquera, com uma bem cortada fatiota ofensiva – um volante apenas, dois meias e três atacantes. Tudo nos conformes. Faltou, porém, tirar do seu time o velho hábito de evitar o contragolpe adversário a qualquer preço.
Assim, a defesa permaneceu lá atrás, e, quando a bola chegava ao seu meio campo mais categorizado se perdia entre a pressa da enfiada na área ou na tentativa de alguém sair com ela colada aos pés. Então, o que seria vantagem virou desvantagem.
Pra que esses esquema funcione a contento, é preciso a marcação começar mais à frente, a partir da intermediária adversária e a zaga estar mais próxima do trio de meio de campo. Assim, a bola pode circular com descortino até chegar o momento de dar o bote.
Como? Do jeitinho com que o Timão chegou ao seu primeiro gol, já aos 9 minutos do segundo tempo, com Vagner Love na sequência de justa e inteligente troca de passes entre Bruno Henrique, Renato Augusto, Luciano e Uendel, que cruzou rasteiro para o artilheiro dar o toque final com o gol vazio.
Pouco antes, Malcom já havia enviado uma bola no poste direito do Figueira, e, depois do gol, por vários instantes, o Corinthians conseguiu reproduzir essa troca de passes que é essencial no caso.
Tomou, é verdade, um, de Caça-Rato, mas isso é do jogo.
O fato é que a introdução desse sistema- o mais utilizado pelos melhores do mundo – exige muito treino, coordenação e uma dose extra de bom gosto ao trocar de roupa, mas, sobretudo, de coragem para mudar de postura.