
Mas, cá entre nós, alguém aí é capaz de me dizer o que a Jamaica está fazendo na Copa América, de origem o tradicional Campeonato Sul-Americano? A Jamaica não faz parte do continente sul-americano, nem tem uma história especial no futebol que justificaria um convite especial. Nesse caso, se fosse para convidar uma seleção da América Central, que a escolha recaísse sobre a Costa Rica, de tão bela presença na Copa de 2014.
Mas, não se trata disso, não. Tampouco, creio em mutreta, a não ser que o jabaculê jamaicano fosse de alguns barris daquele delicioso rum e um mapa do tesouro de piratas ingleses do século 18, embora tudo seja possível partindo dessa Conmebol, cujos dois últimos presidentes estão devidamente in galera, na Suíça.
O amigo, no caso, pode perguntar: e o México, então, cuja América ainda é mais distante da nossa? Bem, o México é rico, em comparação a estes fundões, e já até comprou a participação de seus times na Libertadores. Tanto, que se dá ao despnate de mandar uma equipe reserva pro Chile, enquanto se prepara para a Copa Oro.
São coisas da Conmebol, essa inacreditável instituição plantada em Assunção e que, até outro dia, tinha os poderes e blindagens oficiais de uma embaixada em plena Assunção.
Ainda bem que o governo paraguaio, em boa hora, desfez o malfeito, diante de todos os escândalos que apenas começaram a percorrer o mundo.
Mas, o que quero dizer é que, desde quando o Campeonato Sul-Americano passou a ser denominado de Copa América, abriu-se a perspectiva de se incorporar nesse torneio países das demais Américas.
Tudo bem.
Desde que haja critério nisso. Algo como a participação do campeão da Concacaf ou Copa de Oro. Ou, o campeão da América Central e o campeão da América do Norte, coisa do tipo.
Ou, enfim, um processo eliminatório de todos os países das três Américas, tipo Eliminatórias da Eurocopa ou da Copa do Mundo.
Qualquer coisa que tenha um mínimo de lógica e clareza, o que parece ser impossível em se tratando de sud-americanidad, seja no ritmo do reggae, do bolero, da salsa, do merengue, da rumba, da cuenca ou do samba.
Entretanto, nada disso se refere ao digno comportamento da Jamaica nos campos da Copa América que rola agora. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, com0 bem diz o celebrado astrônomo finlandês, Juarez Soares, o popular China.
Deu um calor danado no poderoso Uruguai, na estreia, e acaba de perder por 1 a 0, no pau a pau, para o Paraguai, que havia empatado com a favorita Argentina de Messi e cia. bela.
Viva o reggae, embora por meu gosto muito particular, prefira o ragtime, nos dedos mágicos de Scott Joplin. E, abaixo a Conmebol com seus arcaicos cartolas de cabelos tingidos de acaju, ternos cinzas e olhar vazio.