
Wanderley Nogueira, meu querido Wandeco, levantou uma questão interessante em seu programa de debates na rádio Jovem Pan, quase um desafio entre os conceitos de armação de time de Marcelo Oliveira, que acaba de assumir o Palmeiras, e Don Osorio, que anda encantando as alamedas do CT vizinho na Barra Funda.
Don Osorio já anunciou que é adepto do rodízio de jogadores. Isto é: alterar seu time de jogo em jogo, de acordo com seu próximo adversário.
A coisa funcionaria assim, ó: o técnico tricolor estuda bem o inimigo e o campo da batalha e aí escala seu time para anular os pontos fortes e explorar os fracos do lado de lá. É uma tese, louvável, diga-se, e utilizada por muitos treinadores do outro lado do Atlântico.
Já Marcelo Oliveira, ao tomar posse hoje na Academia, disse que é sempre melhor reproduzir o mesmo time, rodada a rodada, pra que se afie o jogo coletivo, o entendimento entre os jogadores, essas coisas óbvias. Visão clara e lógica do que os ingleses, inventores do jogo de bola moderno, chamam de foot-ball association. Traduzindo livremente: futebol associado, jogo coletivo, solidário, portanto. Pra que esse jogo coletivo se desenvolva a contento em campo é preciso que haja sincronia nos movimentos dos jogadores, que cada um saiba onde seu companheiro está, quais as preferências do parceiro ao receber a bola, essas coisas todas.
Se você ficar mexendo muito no time, de jogo pra jogo, por certo, esse entendimento será prejudicado, claro.
Por outro lado, é praticamente impossível repetir o mesmo time por muitas rodadas num campeonato como o nosso, tão parelho, onde os desfalques são sempre inevitáveis, seja por lesões, seja por cartões, seja por queda de rendimento técnico deste ou daquele jogador, seja por razões contratuais e tal e cousa e lousa e maripousa.
Nesse caso, é imprescindível que todos os jogadores do elenco estejam devidamente motivados e aptos para entrar na equipe a qualquer momento.
E é nisso que está pensando Don Osorio, quando fala em rodízio, suponho. Mesmo porque nossos clubes não dispõem da abundância de jogadores de alto nível, cada posição coberta por reservas à altura do titular, como os grandes da Europa, por exemplo, pra se dar ao luxo de praticar um rodízio meramente por razões táticas. Ainda mais com a escassez de tempo de treinamento provocada por esse calendário estúpido do futebol brasileiro.
No nosso caso, o rodízio é um imperativo, não uma opção.