Marcelo na Academia

Djalma Vassão/Gazeta Press
Djalma Vassão/Gazeta Press

Já cansei e exaltar aqui os dotes de Marcelo Oliveira, como cidadão, ex-craque e técnico de futebol. Portanto, é dispensável falar do acerto do Palmeiras em contratá-lo para substituir Oswaldo de Oliveira, igualmente dono de tais valores, mas que não descia pelo goto (é goto mesmo, não gosto, como a turma gosta por aí) da torcida palmeirense.

Marcelo, assim como seu predecessor, é adepto de um futebol mais ofensivo do que comumente praticam nossos times nas duas últimas décadas, com raras exceções, de tempos em tempos. E isso é muito bom para nosso futebol, tão carente de imaginação e ousadia.

Não chega, contudo, a ser um subversivo em relação aos padrões estabelecidos. Mesmo porque sua alma mineira não lhe permite tais arroubos. Simplesmente, busca acentuar esse lado aprimorando o toque de bola coletivo e acrescentando uma pitada a mais de agressividade lá na frente. De espírito conciliador, sabe como tratar os jogadores de forma a ganhar sua confiança e deles extrair o máximo de suas potencialidades.

Isso é muito importante  num time arregimentado a toque de caixa outro dia e que ainda estava em processo de arrumação nas mãos do outro Oliveira.

Marcelo vem na esteira de Alecsandro, o homem-gol que estava faltando na Academia e que já estreou em bom nível, mesmo sem marcar.

Cabe agora, ao novo técnico, dar os retoques finais na obra de seu antecessor, do que é bem capaz, diga-se.

Por falar em Academia, seu único e quase irrelevante deslize no discurso de posse, foi ligar o título Academia aos tantos campeonatos conquistados pelo Palmeiras.

A relação não é essa.

O Palmeiras ganhou o honorável título de Academia não por isso, mas, sim, pelo estilo de jogar nos anos 60 e começo dos 70: um futebol clássico, altamente técnico, praticado por verdadeiros mestres da bola, uma autêntica Academia de futebol, cujo patrono é, sem dúvida, Ademir da Guia, o Divino.

Se Marcelo conseguir levar o atual Verdão às portas daquela Academia, terá conquistado uma proeza ainda maior do que conduzi-lo Libertadores adentro. Será um passe de mágica, isso, sim.

Um comentário

  1. Olá Alberto, perfeito seu comentário sobre o “deslize” do Marcelo Oliveira. Eu também o percebi na entrevista! para as nossas Grandes duas “Academias” (há quem diga que tivemos a terceira); conquistas eram consequência do estilo de jogo e da qualidade técnica dos jogadores. Pena que muitos não conheçam nossa linda história. Você está de parabéns.

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