Neymar e as três coroas

Foto: AFP
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Esse menino é mesmo um espetáculo, digno da festa em Berlim que extasiou o mundo, desde a bela abertura até o show de bola que nos ofereceram Barça e Juve, na decisão da Liga dos Campeões.

Estou falando, claro, de Neymar, que fez um primeiro tempo arrasador, chamando o jogo pra si, partindo pra cima da defesa italiana desde o apito inicial e engendrando com Alba e Iniesta o lance do primeiro gol, logo aos 3 minutos de bola rolando, marcado por Rakitic, depois de um aperto da Juve nas saídas erradas de bola do Barça.

E que, quando o coração catalão se apertava no finzinho do jogo com medo do empate, tempo de domínio da Juventus, definiu o título com uma arrancada em contragolpe, tabelou com Pedro e timbrou o título europeu, conquistando a tríplice coroa para seu clube.

Senhor das jogadas mais inventivas ao lado de Messi durante toda a competição e artilheiro do torneio, Neymar, no seu segundo ano de Europa, já está entre os três ou quatro melhores do mundo.

Ao mesmo tempo – e muito por sua presença veloz no time -, Neymar colaborou decisivamente para que o Barça incorporasse mais um truque essencial no seu maravilhoso repertório, feito de muitos toques, passes, repasses e envolvimento: o contragolpe mortal, aquele que permitiu inclusive o segundo gol, com Luis Suárez, em arrancada de Messi, o disparo rebatido por Buffon e a conclusão do uruguaio, no rebote.

Aliás, seria a maior injustiça do mundo se o Barça perdesse esse título, na bola rolando ou nos pênaltis. Afinal chegou a roçar os 70 por cento de posse de bola, criou, por baixo, meia dúzia de chances claras para ampliar o placar, a não ser naqueles breves quinze minutos inicias e cinco finais do segundo tempo, quando a Juve tomou a iniciativa e chegou ao seu gol com Morata.

Uma Juve que, embora inferior, tecnicamente, ao Barça, destaca-se em relação ao futebol italiano dos últimos tempos pela ousadia e o refino técnico de alguns de seus jogadores, como Pirlo, Pogba, Vidal (muito tenso ao longo da partida) e Tevez. Capaz de peitar o Barça e levar angústia à área adversária.

Enfim, uma decisão que nos deixa a certeza de que há salvação, sim, para o futebol, como arte e como competição.

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