Nossa desamada Seleção

Foto: Mowa Press
Foto: Mowa Press

Já faz um bom tempo que o México deixou de ser saco de pancadas do Brasil para se transformar numa pedra em nossas chuteiras.

Eis por que o amistoso da tarde deste domingo, no Allianz Parque já lotado, passou a ser boa prova para vermos como está a Seleção de Dunga, às vésperas da Copa América. E mais: podermos observar como se virará nossa equipe sem sua principal estrela – Neymar. Some-se à ausência dele a de Robinho, machucado, este já mais veterano, mas que guarda estilo parecido, feito de dribles e velocidade.

Pena que Dunga não parece disposto a iniciar o jogo com Casemiro no lugar de Luiz Gustavo. Seria uma chance de ouro para verificarmos se o volante do Real emprestado ao Porto, onde cumpriu desempenho exemplar nesta temporada, tem mesmo estofo para vestir a canarinho.

Em contrapartida, parece que teremos P. Coutinho ao lado de William e à frente da dupla Fernandinho-Elias, o que acrescenta ao setor do meio de campo brasileiro um toque especial de habilidade e técnica, se jogar o que vinha jogando no Liverpool nestes últimos dois anos.

Outro a ser observado é Tardelli, que, depois de esmerilhar no Galo e na Seleção, escondeu-se de nós lá nos cafundós do mundo. Ao seu lado, Firmino, o alemão que caiu nas graças de Dunga e que, mais ou menos, supre a ausência de um centroavante de ofício e talhe.

Mas, se todas essas questões estão em aberto, uma coisa é praticamente certa: as vaias da plateia à Seleção. Isso é uma praxe nos campos paulistas desde tempos imemoriais, a não ser, claro, que nosso time cumpra uma exibição exemplar, com vitória e o’scambau.

Esse mau hábito vem desde o início do século passado, quando a sede da CBD (antiga CBF) foi instalada no Rio de Janeiro, à época Capital Federal, contra os anseios dos paulistas, que deram os primeiros chutes oficiais no Brasil.

A rivalidade entre paulistas e cariocas atingiu seu auge nas décadas de 30 a 60, período em que a Seleção chegou a ser dirigida algumas vezes por dois técnicos – um de lá, outro de cá. E, mesmo quando o técnico era carioca, como de costume, então, tipo Flávio Costa, o bicho, pelo sim, pelo não, resolvia escalar o time com mais jogadores de São Paulo, quando o jogo era por aqui.

Aliás, vale lembrar que até Seleções gloriosamente vencedoras e históricas, como as de 58 e 70, passaram por São Paulo sob vaias, algumas estrondosas, como a do Morumbi, em amistoso com a Bulgária, às vésperas do embarque para a conquista do Tri no México.

Ultimamente, porém, essa distinção virou quase unanimidade, por onde passe a Seleção. É comum ouvir-se do torcedor brasileiro em geral que a Seleção já não empolga e cousa e lousa e maripousa, mesmo estando invicta nas mãos de Dunga e praticando, várias vezes, um futebol agradável de se ver.

Há um evidente desamor pela Seleção disseminado pelas ruas, padarias e redes sociais, ainda mais crescente à medida em que os escândalos de corrupção envolvem as principais figuras da CBF, respingando até mesmo na camisa canarinho, como nesse caso do amistoso com a Argentina, a última da longa série de denúncias da caixa preta aberta pelo FBI e que recebe agora o auxílio das autoridades brasileiras.

Mesmo assim, todos os ingressos para o Allianz Parque já foram vendidos com antecedência, o que revela o poder de imantação do time nacional, ainda que mergulhado na lama da imoralidade internacional.

3 comentários

  1. E tomará que esse desinteresse do torcedor pelas coisas da seleção diminuam até o zero. O torcedor foi percebendo que nas últimas décadas, nada no âmbito da seleção/CBF, aconteceu em prol do futebol, mas sim, tudo em função de uma política de encher os bolsos dos dirigentes e do entorno, como o apoio – não incondicional – da Rede Globo. A partir do momento, então, em que jogadores desconhecidos do torcedor menos atento, passaram a ser convocados atendendo a interesses econômicos que não os do futebol, aí começou o fim, que, espero, não demore. Amanhã, por exemplo, congelou-se o Campeonato Brasileiro, por causa de um porcaria de amistoso entre Brasil e México. Nada a ver.

  2. Firmino, Fernandinho, Luis Gustavo, Diego Tardeli como esperança de gols, meu Deus que seleção é essa, pobre futebol brasileiro.

  3. Ótimo comentário. Claro que já tivemos dias melhores, mas a Seleção está sendo um pouco massacrada demais pelas mídias sociais. O bom é que, como você mesmo disse, os ingressos foram todos esgotados, apesar de sabermos que o público paulista vai vaiar (como sempre).

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