Felipão sai de cena. Por enquanto.

Lucas Uebel/Grêmio
Lucas Uebel/Grêmio

Felipão sai de cena. Mas,duvido que seja por muito tempo. Afinal, nossos cartolas, boa parte da mídia e torcedores em geral curtem essa figura que flutua entre o paizão e o sargentão, a personificação do caudilho tão a gosto dos povos destas paragens de origem luso-ibérica.

O brasileiro é louco por um atalho, e, para trilhá-lo à margem dos processos naturais e democráticos logo vai elegendo o homem providencial, aquele que chega, dá um murro na mesa, põe a casa em ordem e trata a turma como um bando de meninos carentes. O futebol apenas reflete essa pobre realidade com mais vigor, pois que movido a paixão.

Como técnico de futebol, Felipão é um vitorioso. Ganhou uma série de títulos importantes, dentre eles, o maior, a Copa do Mundo de 2002. Praticamente, todos em disputas mata-mata, onde o emocional, em geral, supera o técnico e o tático.

Por outro lado, é um dos principais coveiros do futebol brasileiro, e não me refiro apenas ao final catastrófico da Seleção na última Copa – os vexaminosos 7 a 1 para a Alemanha seguidos pelos 3 a 0 para a Holanda.

É que se torna impossível dissociar-se Felipão do maldito futebol de resultados que tomou conta dos nossos campos nas últimas duas décadas, aquele que sepultou a mais bela escola do mundo de jogar bola, a brasileira, substituindo-a por um jogo cinzento, opaco, em que o único objetivo é vencer a qualquer custo, nem que seja cuspindo e batendo no adversário, como as instruções dadas por ele às vésperas daquele Palmeiras e Corinthians, referindo-se a Edílson, um dos nossos últimos artistas da bola, lembra?

Sai, pois, de cena Felipão. Melhor se não tivesse entrado.

 

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