Parabéns, Peixe

Quando menino, no velho Brás dos italianos, ouvia os coroas contando as proezas daquele Santos dos Cem Gols, o Campeão da Técnica e da Disciplina dos anos 20 e 30. Falavam de Feitiço, Arakén Patuska, Omar, Siriri, Camarão, nomes sem rostos que povoavam minha imaginação. Só já adulto conheci de perto Arakén, aposentado-se como cronista esportivo, e Feitiço, que dirigia uma escolinha de futebol ali no Planalto Paulista, onde meu filho dava seus primeiros chutes vesgos numa bola.

Assim, de ver mesmo em campo, lembro daquele Santos de Cento e Nove, Antoninho Fernandes, Nicácio, Odair Titica e Pinhegas, logo sendo sucedido pelo de Tite, Negri, Álvaro, Vasconcelos e Pepe. Entre um e outro, vi desfilarem com a camisa alva ou listrada de preto e branco, Orlando Pingo de Ouro, que Telê considerava um gênio da bola, Octávio, namorando então a diáfana deusa Elizeth Cardoso, Carlyle, Silas, e até a fugaz passagem de Heleno de Freitas, pouco antes de ser internado no hospício de Barbacena, onde morreria pouco depois.

Todos eles vindos do futebol carioca, com quem o Santos mantinha fortes laços de identidade, o que apenas reforçava os traços ofensivos e estéticos do DNA santista, pois naquele tempo, os anos 40 e 50, o Rio praticava um jogo mais artístico e inventivo do que o daqui, mais competitivo.

Mas, já na metade dos anos 50, quando o Santos cravou o bi de 55/56, os Meninos da Vila começavam a a virar jovens craques. E vieram Pepe, Del Vecchio, Pagão, Ramiro, mais tarde Negreiros, Léo, Nenê, uma infinidade de garotos forjados no velho Alçapão, uma tradição que vive até os tempos atuais de Robinho e Neymar.

Nada mais impactante, porém, do que Pelé e cia. bela. E aí o desfile de craques é interminável, de Gilmar a Edu, passando por Carlos Alberto, Mauro, Ramos Delgado, Djalma Dias, Calvet, Lima, Mengálvio, Dorval, Coutinho, PIta, Juari, Aílton Lira, sei lá quantos mais – deixo para o amigo leitor preencher as tantas lacunas.

Estou abrindo o baú de recordações santistas porque hoje o Peixe completa 103 anos de vida, com festa programada para o jogo com o Londrina, pela Copa do Brasil, e às vésperas da disputa das semifinais do Paulistinha, com o São Paulo, exatos oitenta anos depois do primeiro título paulista conquistado e sessenta após o início da construção do maior time de futebol do planeta de todos os tempos.

Parabéns é pouco.

 

 

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